Raul na China
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Uma empresa com 11 mil engenheiros

A moradia dos funcionários da BYD (vi pelo menos 20 prédios assim na fábrica que visitei)

Há 11 mil engenheiros trabalhando na montadora BYD, que descrevi no texto anterior do blog. Metade deles trabalha nos quatro centros de pesquisa mantidos pela montadora - o mais recente pesquisa meios de armazenar e transmitir a energia solar e eólica. A maioria dos engenheiros é recrutada em universidades chinesas, recém-formados, com salários baixos, o que aumenta a competitividade da montadora de carros elétricos.

Como a BYD transformou Wang Chuanfu no homem mais rico da China, vale saber mais sobre esta empresa que lidera a nova cara do capitalismo chinês. Um trecho da reportagem que publiquei na Folha:

Com faturamento anual de US$ 4 bilhões, a empresa que quer liderar a revolução dos carros elétricos no mundo quase não utiliza robôs. Em seu lugar, milhares de funcionários em uniformes azuis encaixam manualmente as minúsculas peças dos automóveis.
Da montagem ao controle de qualidade, tudo é feito por humanos, em um país de mão de obra abundante.
A empresa tem 11 fábricas e 130 mil funcionários. A maioria é recrutada nas próprias universidades chinesas. Engenheiros iniciantes ganham cerca de 4.000 yuans (cerca de R$ 1.000), mais hospedagem e alimentação subsidiadas nos dormitórios e refeitórios ao redor da empresa.

Clique em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0811200914.htm para ver a reportagem na íntegra

e em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0811200916.htm para saber mais sobre o homem mais rico da China, o físico e químico que criou a BYD

Escrito por Raul Juste Lores às 13h42

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O carro elétrico chinês

Há dez anos, carro particular era artigo de luxo na China, só começou a se popularizar em 2001 (as cidades eram das bicicletas). É por isso que surpreende tanto que uma montadora chinesa, BYD, seja a primeira a lançar um carro elétrico para valer, ultrapassando americanos e japoneses. Mas ainda vai demorar para ser uma alternativa real nas poluídas cidades chinesas. O carro é caro para os padrões locais (cerca de R$ 40 mil) e falta uma boa rede de carregadores para baterias. Mas é interessante ver como a China vê as novas energias como oportunidade de negócios _ os dois maiores fabricantes de painéis para energia solar também estão no país.

A inovação da BYD já atraiu grandes investidores - Warren Buffet, segundo homem mais rico do mundo, comprou 10% da empresa.

Tirei as fotos acima do carro em que passeei pela fábrica (elétrico e silencioso) e do carro desmontado que mostra como funciona o sistema de bateria. Para saber mais sobre a minha visita à fábrica da BYD e a história por trás do carro elétrico chinês, clique em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0811200912.htm (caderno Dinheiro da Folha de hoje)

Escrito por Raul Juste Lores às 10h31

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As distorções da economia chinesa

O economista Huang Yasheng destoa do oba-oba sobre a recuperação da economia chinesa. Professor do MIT, ele lançou no ano passado um dos melhores livros já publicados sobre o chamado modelo chinês, "Capitalismo com características chinesas", ainda não lançado no Brasil. Explica os motivos do crescimento contínuo da economia chinesa por 30 anos, mas aponta suas distorções e problemas.

Na entrevista que ele me concedeu em Pequim, ele critica vários pontos da atual recuperação chinesa. Fala que a China vive um momento de reestatização, que enquanto o governo e as estatais chinesas são riquíssimos, a sociedade chinesa ainda é pobre; diz que fora da economia estatal, ainda se percebe a crise na China e que o país ainda não tem como substituir a crise nos mercados externos pela demanda doméstica.

Dois pontos bastante interessantes que Huang fala:



HORA DO BRASIL
Para a China, o Brasil é ferro, é soja, é uma fonte de recursos naturais de que ela desesperadamente precisa. Mas, por conta da recessão nos países ricos, a China começa a despertar para o Brasil como um mercado alternativo para seus produtos.
O Brasil poderá tirar muitas vantagens dessa situação, se souber negociar. Mas, para isso, precisa entender a China. Contaram-me que não existe um único centro de estudos sobre a China nas universidades brasileiras, o que é um espanto. Qualquer boa universidade americana, europeia ou asiática já tem um bom centro com sinólogos há anos.

EDUCAÇÃO
Uma das maiores razões do crescimento chinês, a que poucos dão crédito, é que, nos últimos 50, 60 anos, investimos muito em educação, da base à universidade. Mesmo nos anos Mao, é preciso reconhecer, a educação de base foi prioritária e melhorou muito. Quando a economia se abriu, tínhamos uma força de trabalho já educada. Qualquer pesquisa internacional vai dizer que você é melhor empregado, é melhor gerente ou é melhor empreendedor se passou vários anos por uma escola de qualidade. Essa é uma vantagem.

Para ler na íntegra: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0111200910.htm

Escrito por Raul Juste Lores às 04h07

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A cidade invade o shopping

No mês que vem é inaugurada a segunda fase do shopping Village Sanlitun, em Pequim. Nem é o maior, nem tem as melhores marcas na cidade (onde há 90 shoppings), mas é o que criou a melhor relação com a cidade, com o seu entorno. E o de arquitetura mais incrível, como se vê nas fotos acima.

Na loja da marca japonesa Uniqlo, a abertura de persianas rosas, vermelhas, laranjas e brancas modificam o colorido de sua fachada de acordo com a abertura. Um rasgo lateral de vidro permite a visão do interior de seus quatro andares.

Ao lado dela, a maior loja da Adidas no mundo é um prédio sanfonado de quatro andares espelhado em tons de cinza e preto com a aerodinâmica de um automóvel. Outro edifício tem todo o revestimento dourado.

Nem parece um shopping center, mas justamente por sua arquitetura antimonotonia o Village Sanlitun virou atração turística.

Em vez de um único caixotão sem janelas com ar-condicionado e iluminação artificial o tempo todo, como a maioria desses centros comerciais, o Village é formado por 19 predinhos de três e quatro andares desenhados por arquitetos diferentes.

As 250 lojas são conectadas por vielas, pequenas praças com bancos, árvores e obras de arte ao ar livre, inspirados na distribuição das ruazinhas do centro histórico de Pequim.

Na praça principal, DJs e artistas se apresentam, um telão LED exibe clipes e uma fonte de águas saltitantes vira um molhado playground para crianças que adoram se ensopar. O shopping de 135 mil m2 é inteiramente aberto. Não há muro ou portas e o mesmo material das larguíssimas calçadas é empregado em suas galerias e corredores.

Para ler a reportagem que escrevi no suplemento Vitrine, da Folha, clique em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/vitrine/vi3110200906.htm

Para me seguir no twitter: @rauljustelores

Escrito por Raul Juste Lores às 14h37

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PERFIL

Raul Juste Lores Raul Juste Lores, 33, correspondente da Folha em Pequim. Foi correspondente em Buenos Aires e editor de Internacional da Revista Veja e apresentador e editor-chefe do Jornal da Cultura, na TV Cultura.

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