Raul na China
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Proibido empinar pipa

Pequim vive dias de paranoia por conta da parada militar e das celebrações dos 60 anos da chegada ao poder dos comunistas. Há ensaios da parada de 1º de outubro por toda a cidade (principalmente na escola ao lado da minha casa, que começa às 7 da manhã). Escrevi na edição da Folha de ontem sobre os preparativos.

Saiu hoje nova regra para reforçar a segurança das comemorações: é proibido empinar pipas para garantir a segurança nos céus. Há fotos e vídeos imperdíveis sobre treinamento militar:

http://pic.news.sohu.com/911195/912651/912654/group-172586.shtml#m=b&g=172586&p=1387285

http://v.youku.com/v_show/id_XMTE4MTAzMjg0.html

Fotos: China.org

 

Escrito por Raul Juste Lores às 14h08

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Japão e China, rivais íntimos

A relação entre as duas potências asiáticas ainda é de desconfiança, competição velada e até mesmo ódio não superado pelas duas invasões japonesas à China entre o final do século 19 e os anos 30 do século passado.
Mas a economia transformou os dois rivais em íntimos parceiros e os obriga a conversas constantes. O Japão exportava para a China US$ 53 bilhões anuais em 2002, número que saltou para US$ 150 bi em 2008.
"Os livros escolares japoneses continuam a atacar a China ou a ignorar as atrocidades que o Japão cometeu aqui", diz o professor Liu Jianyong, da Universidade Tsinghua, de Pequim. "Fica difícil acreditar em arrependimento."
Já as novelas chinesas, produzidas pela estatal CCTV, não perdem tempo em apresentar os japoneses como bárbaros e cruéis. Há pelo menos 20 novelas por ano com a ocupação japonesa como principal tema.

Para ler na íntegra: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1209200915.htm

Escrito por Raul Juste Lores às 09h52

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Flanando em Tóquio

Pop art na campanha de educação pública no metrô. O problema é com o patrimônio público ou com as axilas do moço?

Shopping center Omotesando Hills foi desennhado por Tadao Ando, um dos 10 maiores arquitetos do mundo. Em São Paulo, Julio Neves nos brinda com mais um "neoclássico-cruz-credo", o Shopping Vila Olímpia. Medo. O mundo é injusto. http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0609200910.htm

Tóquio vista do 53º andar de Roppongi Hills, outro complexo de shopping, hotel, apartamentos, escritórios e jardins. E que ainda abriga nas alturas o Museu Mori. Esta é a única cidade do mundo que sabe fazer shoppings. O resto é desgraça.

Joalheria Mikimoto, desenhada pelo arquiteto Toyo Ito. Apesar da escuridão provocada pelo fotógrafo amador, o prédio é mesmo lindo.

A loja da Prada, desenhada pelos suíços Herzog e De Meuron. Se existe consciência social no mundo fashion, ela deveria oferece boa arquitetura aos cidadãos como em Tóquio. Até quem não entra na loja pode desfrutar e a cidade fica mais bonita. A Daslu poderia ter seguido o exemplo.

É duro ser fashion e parecer uniformizado. Mas a ideia delas era essa.

Os jardins do shopping Roppongi Hills tem um sistema que borrifa água nos visitantes para aliviar o calor. Deve reduzir uns 2 ou 3 graus. Como estava 33ºC, era muito bem-vindo.

O governo mexicano patrocinou um evento no Roppongi Hills. Eles sabem se promover.

O mais novo arranha céu da capital japonesa é o Cocoon Building. Abriga três faculdades, um campus vertical com 204 metros de altura (o edifício Itália tem 160m). Se a aula estiver chata, não falta inspiração pela janela.

(Já estou em Pequim de volta. No twitter: @rauljustelores)

 

Escrito por Raul Juste Lores às 10h33

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Favelados em Tóquio

Dezenas de barracas de plástico azul, espalhadas ao longo do parque Ueno, um dos maiores de Tóquio, são um dos reflexos da estagnação econômica que atinge o Japão há quase duas décadas.
Nelas, moram desde camponeses que tentaram a vida na capital até aqueles que deixaram suas famílias por não suportar o desemprego.
Os sem-teto viraram tema da campanha eleitoral. O Partido Democrata do Japão, grande vencedor do pleito de ontem, prometeu criar um fundo para quem não tem moradia.
Nos últimos anos, esse grupo cresceu. Além do parque, a reportagem também viu barracas azuis ao longo do rio Sumida. Na estação de trens e metrô de Shinjuku, a maior de Tóquio, 50 pessoas dormiam na noite de ontem em caixas de papelão transformadas em cama. A cena se repete nas estações de Ikebukuro e Shibuya.
O aluguel de um apartamento de 30 m2 em Tóquio custa pelo menos 75 mil ienes (R$ 1.532).
Jovens desempregados, que não conseguem mais pagar aluguel, improvisam moradia até em cabines de cibercafés. Eles chegam às 18h e pagam mil ienes (R$ 21) para passar a noite no cubículo. Tiram os sapatos e dormem sentados, nem sequer fingindo que estão navegando na rede.
Alguns tomam banho no próprio estabelecimento. O governo de Tóquio estima que há 5.000 moradores temporários de cibercafés desde o final de 2008.
Os números dos sem-teto são irrisórios se comparados ao Brasil, mas são um contraste para uma das cidades mais opulentas do mundo.
Tóquio é o maior mercado de marcas de luxo do planeta. As ruas comerciais de Nova York e Londres parecem modestas comparadas às de Ginza e Omotesando, com lojas desenhadas por arquitetos de fama internacional.

Vergonha
A sociedade igualitária surgida no Japão do pós-guerra, com uma sólida classe média, também está em crise.
"Faço bicos como mecânico, conserto televisores e posso ganhar 5.000 ienes (R$ 102) em um dia", disse à Folha o desempregado Tokumalu Nuliasu, 52. Ele mora há seis meses em uma barraquinha de plástico em Ueno.
Até os 38 anos, Tokumalu trabalhava em uma fábrica de eletrônicos, que produzia fliperamas. De lá para cá,teve empregos de contrato temporário em linhas de montagem de televisores e eletrodomésticos.
Desde o ano passado, não volta ao sul do Japão, onde mora a sua família, "por vergonha". A prefeitura já tentou remover a sua barraca, mas "eles sabem como está a situação, então preferem olhar para o outro lado".
Vizinhos de Tokumalu, que se negaram a revelar a identidade, contam que catam latas usadas pela cidade e vendem a 75 ienes o quilo (R$ 1,50).
Tokumalu não votou no domingo, mas tem esperanças. "Acho que o país pode mudar, porque os democratas são mais humanos, gostam dos mais pobres, mas vai levar tempo", diz.
"O Japão está endividado, e temos cada vez mais velhos. Eu não tenho aposentadoria, quem vai pagar por ela?", pergunta.

Escrito por Raul Juste Lores às 07h09

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PERFIL

Raul Juste Lores Raul Juste Lores, 33, correspondente da Folha em Pequim. Foi correspondente em Buenos Aires e editor de Internacional da Revista Veja e apresentador e editor-chefe do Jornal da Cultura, na TV Cultura.

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