Raul na China
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"China não é ameaça"

O presidente Lula visita a China em maio e, segundo o novo embaixador do país no Brasil, "abre uma nova etapa de oportunidades de investimentos entre os dois países".
Apesar da retórica de "parceria estratégica", os investimentos bilaterais são mínimos e ainda há muitas barreiras para produtos brasileiros no mercado do gigante chinês.
Qiu Xiaoqi chegou há um mês a Brasília e diz que a China não é uma "ameaça" aos empresários brasileiros e que é um país aberto. "Os dois países estão crescendo e são complementares. O Brasil tem recursos naturais de que a China precisa e o Brasil precisa das manufaturas chinesas, que são bem recebidas", disse à Folha.
Como é comum na diplomacia chinesa, o embaixador se especializou em uma área do mundo -Ibero-América- e há 30 anos desempenha funções em países como Cuba, Peru, Chile e Bolívia, além de ter sido diretor-geral da América Latina na chancelaria. Era embaixador da China na Espanha e acaba de trocar Madri por Brasília. Em espanhol, conversou com a Folha.

FOLHA - A Fiesp já acusou a China de começar a desviar os produtos que não consegue vender nos EUA ou na Europa para o Brasil a preços irreais. A China não teme uma guerra comercial?
QIU XIAOQI
- Não há motivos para preocupação. A China está disposta a resolver questões comerciais, que sempre devem ser em benefício recíproco. A China não é ameaça para nada.
No intercâmbio comercial, os dois lados podem ganhar.
O comércio bilateral, segundo as estatísticas chinesas, já é de US$ 50 bilhões. Um terço do comércio da China com a América Latina acontece com o Brasil. É o principal sócio da China na região.

FOLHA - Apesar do discurso de parceria, os investimentos da China no Brasil são mínimos. Por que a China tem investido tanto na África e em outros países e não no Brasil?
QIU
- O vice-presidente Xi Jinping esteve no Brasil em fevereiro, assinando diversos convênios bilaterais e de investimentos como o da Petrobras.
China e Brasil são economias importantes e complementares. O Brasil é rico em recursos naturais e tem necessidades que a China pode suprir. O Brasil precisa das manufaturas chinesas, que são bem recebidas. Há mais condições de investimentos nos dois lados, os governos das duas partes podem promover mais investimentos.
A visita do presidente Lula em maio a Pequim será outra oportunidade.
A economia chinesa cresce rápido, mas também com dificuldades pela desaceleração global. Mas temos projetos de estímulo para superar isso.

FOLHA - Menos de 40 empresas brasileiras estão estabelecidas na China e boa parte tem apenas um pequeno escritório. Parece que também não é fácil investir na China.
QIU
- Acho que as empresas brasileiras devem ser mais audazes, mais valentes, na hora de investir na China. A China é muito aberta para investimentos estrangeiros, muito vantajosa. O mercado chinês é muito aberto ao que vem de todo o mundo. Temos uma economia de mercado socialista. Se o mercado não está aberto, é ruim para o nosso desenvolvimento. Queremos ser competitivos globalmente.

FOLHA - Mas há barreiras tarifárias e burocracias que impedem a entrada da carne de frango, de porcos, do álcool combustível e de outros produtos brasileiros competitivos.
QIU
- Como acontece no comércio, essas questões devem ser discutidas, negociadas pelos dois países. Mas, repito, a China é aberta.

Para ler na íntegra: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi2204200915.htm

Escrito por Raul Juste Lores às 11h45

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Kitty, rainha do deserto

O vídeo acima foi visto por 1 milhão de chineses em apenas uma semana no portal Youku, a cópia chinesa do Youtube, e está em tudo quanto é blog e portal por aqui. O rapaz que estrela o vídeo tem 24 anos e trabalha numa refinaria no extremo norte da China. Seu apelido é Kitty. O sucesso da performance é ainda maior porque menções à homossexualidade são normalmente censuradas na TV e no cinema chineses, e o tema é quase invisível na mídia local. Para Kitty, porém, chegou a hora de se liberar.

 

Escrito por Raul Juste Lores às 08h23

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Brasil tenta romper muralha comercial

 

Destravar as barreiras que impedem a entrada da carne brasileira na China e recalcular o comércio bilateral são dois dos objetivos de uma missão de técnicos dos Ministérios da Agricultura e Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior que está em Pequim nesta semana.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará na China no próximo dia 19 de maio, e o governo brasileiro tenta algumas vitórias para poder anunciar durante a visita.
"Os chineses disseram que estão dispostos a liberar mais frigoríficos e a finalmente permitir a entrada de carne bovina brasileira no país", diz Célio Porto, secretário de Relações Internacionais do Agronegócio.
Segundo Porto, o governo chinês diz que permitirá a entrada de frango brasileiro se o Brasil, em contrapartida, permitir a entrada de tripas de ovinos e caprinos chineses no Brasil, usados na área médica.
"Fizemos avanços, mas [o processo] ainda é lento. Nossas exportações são concentradas em poucos produtos, como soja e ferro, e a maneira mais rápida de diversificar a pauta seria com a entrada das carnes brasileiras", diz Porto.
Apesar da retórica de parceria estratégica, a relação vai a passos lentos. A Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Cooperação e Concertação (Cosban), criada em 2004, teve sua primeira reunião econômica e comercial nesta semana, em Pequim.
A China pode se tornar em 2010 ou 2011 o principal parceiro comercial do Brasil, ultrapassando os Estados Unidos, mas 91% das exportações brasileiras ao gigante asiático são de produtos primários ou semielaborados, como soja, ferro, couro e tabaco.

Cálculo e barganha
Uma das discussões na pauta é a convergência das estatísticas do comércio exterior. Tanto em 2007 quanto em 2008, os dois lados alegaram sofrer déficit com o parceiro.
"A China inclui custos de frete e seguro na conta final, algo que o Brasil não faz, por isso a diferença", diz Paulo Roberto Pavão, coordenador-geral de Estatística da Secretaria de Comércio Exterior.
Em 2007, por exemplo, a China disse que sofreu um déficit com o Brasil de US$ 7,58 bilhões, enquanto o Brasil diz que teve déficit com a China de US$ 1,849 bilhão.
Com os novos cálculos, deve ficar confirmada a desvantagem do lado brasileiro. "O cálculo nos favorece, e a China terá que reconhecer que temos déficit com eles, o que ajuda na hora de negociar", explica Welber Barral, secretário de Comércio Exterior.
Empresários que acompanham a missão esperam mais pressão política para vencer as barreiras. "A China é grande demais, tem bastante burocracia, então nossas questões ficam pequenas, não estão na prioridade deles", diz o presidente da associação dos produtores e exportadores de carne suína, Pedro de Camargo Neto.
O mercado é promissor. Há três anos a China passou a importar carne de porco. Só em 2008, comprou 400 mil toneladas, principalmente dos EUA e da União Europeia. Uma missão chinesa visitou produtores brasileiros em outubro, mas ainda não apresentou o relatório da visita. Falta a aprovação sanitária do governo.

Escrito por Raul Juste Lores às 06h09

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A liberdade de Jackie Chan

“Começo a achar que os chineses precisam ser controlados. Não estou certo se é bom ter liberdade. Se ninguém nos controla, cada um faz o que quer.”
As declarações são do ator chinês Jackie Chan, 55, famoso por comédias e filmes de kung fu. Ele conversava com empresários de toda a Ásia no Fórum Boao, a cópia chinesa de Davos, no fim de semana.
Perguntado sobre democracia e censura, Chan ainda acrescentou que Taiwan e Hong Kong, onde há eleições presidenciais e legislativas respectivamente, “viraram um caos após ter mais liberdade”. Foi aplaudido pelos empresários presentes.
A comparação de democracia a caos, bastante comum entre líderes comunistas, mas rara entre artistas, causou escândalo em Hong Kong, em Taiwan e na Internet chinesa.
Um grupo de acadêmicos chineses lançou ontem um manifesto acusando Chan de “não entender quão preciosa é a liberdade”, ainda que “a livre Hong Kong é que permitiu ao ator se transformar um astro de ação internacional”.
O deputado regional Albert Ho, de Hong Kong, onde nasceu Jackie Chan, disse que os comentários são “racistas”. “Os povos ao redor do mundo dirigem os seus países, por que os chineses não podem ter esse mesmo direito?”, questionou.
Uma comunidade no site de relacionamentos Facebook, um Orkut maior e mais internacional, foi criada ontem, sugerindo que Jackie Chan seja exilado na Coreia do Norte. Angariou 3.100 membros apenas nas primeiras horas.
Após as críticas, seu porta-voz declarou ontem que as declarações foram tiradas de contexto. “Ele se referia apenas à liberdade na indústria do entretenimento, não à sociedade chinesa”, disse Solon So, seu assessor, em comunicado.
As frases de Chan foram ignoradas pela mídia estatal chinesa. Chan é muito popular no país e próximo do governo, tendo participado nas cerimônias de abertura e encerramento da última Olimpíada em Pequim.
Mas seu último filme, “Incidente em Shinjuku”, que fala de máfia chinesa no Japão e imigração ilegal, não recebeu aprovação para estrear na China. O motivo da censura foi o excesso de violência.

Escrito por Raul Juste Lores às 01h00

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E a China cresceu...

Apesar do número "ruim" (crescimento de 6,1% do PIB no primeiro trimestre), ele confirma o que James Mc Gregor fala na entrevista do post anterior: o governo chinês ainda tem munição para fazer a economia crescer de qualquer jeito.

O governo chinês comemorou com alívio o crescimento de 6,1% da economia entre janeiro e março deste ano em comparação ao primeiro trimestre do ano passado.
Apesar de ser o pior número do PIB chinês desde 1992, quando o governo começou a medir o desempenho da economia por trimestres, está acima de muitas estimativas.
Economistas mais pessimistas preveem que o PIB chinês crescerá 5% em 2009, enquanto as autoridades chinesas prometeram chegar a 8%.
"Esse número foi de fato uma conquista, dada a recessão global", disse ontem o porta-voz do Escritório Nacional de Estatísticas, Li Xiaochao.
A China continua a ser a única das dez maiores economias do mundo a ter crescimento considerável em 2009, mas os 6,1% têm gosto de recessão para o padrão chinês recente.
A economia chinesa se expandiu em 9% em 2008 e em 6,8% no quarto trimestre ante o mesmo período do ano anterior. Em 2007, cresceu 13%.
"O segundo semestre será melhor, quando boa parte dos investimentos prometidos pelo governo estiver em curso", disse à Folha a economista Wang Tao, do banco UBS.
Parte dos números divulgados ontem, apesar de confirmarem a desaceleração, dá sinais de que o pior passou. Vários números de março são melhores que os de janeiro e fevereiro. A produção industrial cresceu 5,1% no primeiro trimestre -em março, havia subido 8,3%; em fevereiro, 3,8%.
O Índice de Preços ao Consumidor, uma das bases para o cálculo da inflação, caiu 1,2% em março. Ainda está em terreno deflacionário, pela queda na demanda, mas está acima da queda de 1,6% em fevereiro, a primeira deflação desde 2002.
As vendas do varejo subiram 15% no primeiro trimestre.
Dois números se destacam entre os positivos. O crescimento dos investimentos em ativos fixos no trimestre foi de 28,8%, quatro pontos acima da marca no primeiro trimestre de 2008. Os empréstimos bancários chegaram a 4,8 trilhões de yuans (R$ 1,7 trilhão) no primeiro trimestre, o equivalente a 93% de todos os empréstimos concedidos em 2008.
"Boa parte do pacote de estímulo do governo chinês tem a ver com crédito e com investimentos em infraestrutura, e ambos os setores já demonstram sinais de que o estímulo já começou", diz a economista Wang.

Para ler mais: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi1704200930.htm

Foto: Xinhua

Escrito por Raul Juste Lores às 14h53

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China vai crescer "de qualquer jeito"

 

A China vai crescer 8% neste ano e continuar comprando matérias-primas do Brasil, "porque a economia aqui é política, e o governo precisa e tem poder para fazê-la crescer de qualquer jeito". A opinião, que contraria o pessimismo de muitos economistas quanto à recuperação chinesa, é do consultor americano James L. McGregor, 54, que há 22 anos vive na China.

Bancos, empresas estatais e o governo chinês têm muito dinheiro em caixa para sustentar o crescimento, e vão fazê-lo porque a própria estabilidade do Partido Comunista depende da criação de empregos em um país de dimensões continentais, diz o consultor James L. McGregor.
McGregor é autor do best-seller "One Billion Customers: Lessons from the Frontlines of Doing Business in China" ("Um Bilhão de Consumidores: Lições da Linha de Frente para Fazer Negócios na China"), da editora americana Wall Street Journal Books.
Ele presidiu a Câmara Americana de Comércio da China, foi chefe do escritório do jornal "The Wall Street Journal" em Pequim e diretor da Dow Jones no país. Possui uma consultoria com escritórios em Pequim, Xangai e Nova York.   Olha o que ele diz:

"ECONOMIA POLÍTICA"
A China tem uma economia política. O governo tem muita margem de manobra. Eles têm muito dinheiro no banco e são donos de todos os bancos. As empresas estatais têm muitos recursos, e o governo também é dono delas.
Cerca de 300 milhões de chineses vivem confortavelmente, mas é preciso ainda melhorar a vida de 1 bilhão de cidadãos.
Eles precisam colocar dinheiro no interior para diminuir a divisão entre a China urbana e a China rural. Para manter a estabilidade, eles precisam criar mais consumidores. Só isso já faz a economia crescer naturalmente.

FELICIDADE GERAL
O governo quer manter a sociedade feliz e confiante. Eles controlam a mídia, que vive repetindo "as coisas vão bem, estamos melhor que no resto do mundo". Como resultado, os chineses não estão deprimidos como os ocidentais.
Enquanto isso, nos EUA a mídia mata o espírito, o ânimo. O discurso é apocalíptico.

FINANCIAMENTO
Houve um grande aumento dos empréstimos concedidos por bancos, 4 trilhões de yuans (R$ 1,33 trilhão, ou o PIB de um ano do Brasil) no primeiro trimestre, mas só dá para saber para onde foi esse dinheiro daqui a uns seis meses. O sistema não é transparente, e os bancos chineses só emprestam para os credores mais seguros, que são as grandes empresas estatais.
Os bancos chineses precisam facilitar o crédito para a iniciativa privada, principalmente as pequenas e médias empresas.

CRESCIMENTO DE 8%
A credibilidade do governo é baseada em crescimento. Você tem uma população que se acostumou a um crescimento de 10% ao ano por 20 anos. As expectativas são muito altas, e o Partido precisa lidar com 1,3 bilhão de chineses. Se você desafia o Partido sozinho, ele irá correr para cima de você, mas não dá para fazer isso com o país inteiro.

SENSO DE INJUSTIÇA
Há um senso de injustiça crescendo. Todo mundo tem um celular que tira fotos e não tem problemas de fotografar figurões do partido no interior quando circulam de terno Zegna, Rolex e a amante no BMW.
Se não investir no interior, o Partido Comunista pode perder o poder. Eles sabem disso. O terremoto de Sichuan deixou o partido nu. Milhares de crianças morreram porque as escolas foram feitas em péssima qualidade e desabaram, enquanto os prédios do Partido ficaram em pé.

Escrito por Raul Juste Lores às 13h52

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Saúde é luxo

O médico Song Fujing, 54, recebe um salário de 5.000 yuans (R$ 1.400) por mês, já incluídas as gratificações por 26 anos de trabalho. Ele dirige o Departamento de Radiologia do Hospital Puren de Pequim.
"Professor de escola pública, que ganha pouco, ganha mais do que eu", diz à Folha. "Os médicos mais jovens recebem um terço disso."
Ele conta que o status de ter um médico na família entre os parentes é grande, mas que teme que os mais jovens abandonem a medicina para abrir outros negócios.
"A economia cresce tanto, a China está virando uma potência, mas nossa saúde ainda é de país pobre", diz.


Qualquer consulta em hospital público na China é cobrada, e a venda de remédios a preços altos é parte da receita dos centros médicos. Mas o governo prometeu na semana passada mudar a equação da saúde.
Nos próximos três anos, Pequim diz que vai investir 850 bilhões de yuans (cerca de R$ 290 bilhões) para tentar universalizar a saúde pública. O plano prevê a construção de 2.000 hospitais e a reforma de 5.000 clínicas e postos de saúde na zona rural. Promete atendimento gratuito e a distribuição de medicamentos a preços acessíveis pelo país.
Meio bilhão -de 1,3 bilhão- de chineses não sabe o que é uma consulta médica por não ter dinheiro. Depois do desemprego, gastos com saúde são a maior preocupação dos chineses, segundo vários institutos de pesquisa.
Em tempos de desaceleração econômica e da necessidade de se promover o consumo doméstico, o governo tenta convencer a população que não será mais necessário poupar tanto para se garantir um tratamento no futuro.


Nos anos 80, quando o financiamento estatal foi drasticamente cortado, os hospitais públicos começaram a cobrar cada vez mais caro por uma consulta para obter receita.
Médicos começaram a prescrever mais remédios que o necessário -e os mais caros- para aumentar o lucro dos hospitais, "prática comum" segundo o próprio governo.
A atual reforma deve proibir a obtenção de lucros na venda de remédios e promete tabelar o preço de medicamentos.
Atualmente, em alguns hospitais, 90% da renda é obtida com a venda de remédios.

Leia mais em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1204200907.htm

Foto: Xinhua

Escrito por Raul Juste Lores às 07h43

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Jet Li vira mercenário no Brasil

 

(continuação do post abaixo)

Os ideais elevados do ator passam longe de "Os Mercenários", que ele roda no Brasil. O filme, que terá cenas na praia de Mangaratiba e no parque Lage, no Rio, trata de um grupo de mercenários contratados para derrubar um ditador em uma fictícia republiqueta sul-americana.
A brasileira Giselle Itié está no elenco, além de Stallone (que é diretor e roteirista da produção) e do inglês Jason Statham. Jet Li deve ficar duas semanas no Rio nesta sua primeira visita ao Brasil.
"Quero muito jogar futebol ou assistir a um jogo, é o que todo chinês sabe sobre o Brasil", diz. "Mas a produção do filme me pediu que jamais saia para passear sozinho, que é muito inseguro. Não sabia que o Brasil era violento." Ele também diz que quer ver capoeira. "Será que eu aprendo?".
Ao lado de Jackie Chan, Jet Li é considerado o ator mais popular da China - e um herói nacional, desde que se apresentou, aos 11 anos, para o presidente americano Richard Nixon na Casa Branca, em 1974.
A então comunista China começava a se abrir para o mundo e, de brincadeira, Nixon convidou o jovem campeão de wushu (kung-fu) para ser seu segurança. "Quando eu crescer, não quero proteger uma só pessoa, quero proteger 1 bilhão de chineses", disse. Virou orgulho da pátria.
"Entrei para a escola de artes marciais porque, na China dos anos 70, era um dos poucos lugares que havia boa comida, boa roupa e podia viajar pelo mundo", confessou à Folha.
"Estive em 45 países fazendo demonstrações. Se fosse jogador de futebol ou de basquete na China daquela época, não chegaria a lugar nenhum."

(Tirei a foto acima com Jet Li em um momento-tiete, na semana passada; para os amigos que visitam o blog, uma explicação: estou com essa cara de dopado porque tinha gripe e febre; tomei todos os comprimidos ocidentais e da medicina tradicional chinesa à mão e fui à luta. Não deixem de ver o vídeo de "Herói" abaixo)

Escrito por Raul Juste Lores às 13h22

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Exclusiva com Jet Li

Astro chinês dos filmes de kung-fu, Jet Li chega nesta semana ao Brasil para filmar "Os Mercenários", com Sylvester Stallone. Mas, fora das telas, ele está mais para mocinho.
Jet Li criou a ONG One, que atende vítimas de grandes desastres naturais. Bill Gates doou US$ 2,5 milhões para a ONG do ator.
Ele levou Donatella Versace até as áreas devastadas pelo terremoto na China no ano passado para abrir uma clínica psicológica para crianças com trauma da tragédia.
Com Tony Blair, estrelou na semana passada uma campanha contra o aquecimento global. Embaixador da Cruz Vermelha desde 2006, ele também quer promover o cuidado ao meio ambiente.
Na One, ele pede que cada participante doe por mês uma unidade de moeda -um dólar, um yuan, um euro- para causas filantrópicas. Já tem um milhão de contribuintes.
"Aprendi em Davos que, para fazer boa filantropia, você deve ser uma mistura de Madre Teresa e Bill Gates, ter coração grande com capacidade de gerenciamento", disse à Folha, antes de embarcar para o Rio.
Bono que se cuide. Agora que o cantor do U2 voltou a se preocupar com a música, Jet Li ameaça lhe tomar o posto de celebridade engajada em maior número de causas do planeta.

Vítima do tsunami
A transformação, segundo ele, começou em um resort nas ilhas Maldivas no final de 2004, onde passava férias com a família. Na manhã de 26 de dezembro, o hotel Four Seasons foi tragado pelo tsunami que varreu a costa asiática.
Ele estava no mar com a a mulher, as duas filhas e a babá. A água começou a puxá-los e Li segurou sua mulher e a filha de quatro anos em um braço e a babá e a filha de um ano em outro. No meio da onda, perdeu de vista a babá e a filha menor.
"Por muitos minutos, eu pensei que tinha perdido minha filha", diz. Um grupo de funcionários e pescadores que estavam na área resgataram a babá e a menina.
"Até então eu só pensava em mim, na minha família, em ser rico e famoso", disse à Folha. "Mas você pode ter dinheiro e ser infeliz", diz.
Jet Li foi dos primeiros astros do país a ir para Sichuan após o terremoto de maio passado que matou 70 mil chineses. Em maio, para marcar o primeiro aniversário da tragédia, Li promove o evento "Uma Família Caminha Unida", onde celebridades percorrerão 15 km das áreas mais devastadas pela tragédia. "A reconstrução da área vai levar uns oito anos."

(no vídeo acima, um duelo com Jet Li, no filme "Herói", de Zhang Yimou. Talvez o maior filme de propaganda chinesa recente _ que cacifou o diretor para dirigir a abertura e o encerramento da Olimpíada de Pequim. Vocês gostam de filmes de artes marciais??)

Escrito por Raul Juste Lores às 13h17

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Repressão no Dia de Finados

Um professor aposentado disse que “foi chutado como uma bola de futebol” por policiais quando tentava homenagear a memória de Zhao Ziyang, líder comunista que simpatizava com os estudantes que pediam mais democracia na Praça da Paz Celestial em 1989.
Sun Wenguang, 75, disse ontem que teve seu táxi seguido por policiais quando se dirigia no sábado à chamada Montanha dos Heróis, em Jinan, norte da China.
A montanha é um dos cenários favoritos para homenagear mártires do país durante o “Dia de limpar túmulos”, feriado celebrado entre o sábado e ontem na China. No táxi, ele levava faixas em homenagem a Zhao, que queria colocar no memorial.
O professor foi derrubado de uma passarela, a dois metros de altura, e apanhou por dez minutos de nove homens. Teve três costelas quebradas e ainda se encontra em um hospital, sem conseguir movimentar a cabeça.
Seu protesto visava lembrar Zhao Ziyang, que foi secretário-geral do Partido Comunista da China em 1989. Zhao visitou os estudantes acampados na Praça da Paz Celestial, chorou e tentou negociar (momento retratado na foto acima). Foi retirado do cargo e colocado em prisão domiciliar até sua morte em 2005. Dias depois de sua prisão, aconteceu o massacre de estudantes, que em 4 de junho completa 20 anos.

Vandalismo

Já o artista plástico Ai Weiwei, um dos mais famosos do país e um dos responsáveis pelo desenho do Estádio Olímpico conhecido como “Ninho de Passarinho”, em Pequim, também foi vítima da violência no Dia de Limpar Túmulos.
Os vidros de seu carro foram quebrados e sua câmera roubada na segunda-feira, quando participava de uma manifestação, com outras 20 pessoas, em homenagem a Yang Jia, que virou símbolo das vítimas da violência policial na China. Policiais impediam que o grupo se aproximasse do túmulo de Yang.


O desempregado Yang Jia foi executado no final do ano passado. Ele foi condenado à morte depois de matar seis policiais em uma delegacia com um punhal, até ser preso.
Yang diz que foi torturado no local ao ser detido por andar em uma bicicleta sem licença. Ele tentou processar os policiais, mas a acusação foi arquivada. O assassino confesso se tornou herói de milhares de chineses _ houve abaixo-assinado de artistas, advogados e intelectuais pedindo sua absolvição.
A mãe de Yang, testemunha das torturas contra o filho, ficou presa por meses em uma delegacia de Xangai.
Tanto a surra contra o aposentado, como a homenagem a Yang estão bloqueadas na internet chinesa e não foram noticiadas no país.

(Na histórica foto acima, um dos personagens mais populares da China está ao lado de Zhao Ziyang, na visita aos estudantes acampados na Tiananmen.  Aposto que os leitores do blog o reconhecerão)

Atualização: como apenas um leitor acertou, é o atual primeiro-ministro, Wen Jiabao, quem acompanha Zhao Ziyang (foto acima, à direita de quem vê). Deveria estar nos manuais de sobrevivência política: chegar a primeiro-ministro, enquanto Zhao morreu em prisão domiciliar.

 

Escrito por Raul Juste Lores às 10h48

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Ultranacionalismo chinês

Um livro que defende mais agressividade da China em relação ao resto do mundo e que acusa um complô do Ocidente para derrubar o país chegou ao topo da lista dos mais vendidos.
Em menos de três semanas, o ultranacionalista "China infeliz" já vendeu mais de 100 mil cópias. Edições piratas são encontradas em camelôs, e o conteúdo já foi pirateado para a internet.
Com ensaios de cinco autores -três professores universitários e dois jornalistas-, "China infeliz" diz que o país precisa "liderar o mundo", ver os Estados Unidos "como maior inimigo, pois se trata de uma disputa", e pede que o governo invista mais em força militar e em tecnologia.
"Olhando a história da civilização humana, nós somos os mais qualificados para liderar o mundo; os ocidentais devem vir em segundo", diz o livro.
Com o subtítulo "A grande época, grande visão e nossos desafios", a obra alega que os chineses ainda se sentem "sufocados pelas críticas ocidentais e pelo desrespeito à nossa soberania" e defende que o país abandone seu complexo de inferioridade.
"A crise econômica deixou o Ocidente mais fraco e a China mais forte, é hora de exigirmos nosso lugar no mundo", disse à Folha um dos autores, o jornalista Song Qiang, 43.
"O plano do Ocidente a longo prazo é derrubar a China. Os EUA são nosso maior inimigo, nunca compartilharão sua tecnologia conosco", diz Song. "A China precisa investir mais em segurança, em suas Forças Armadas, investir mais na África e na América Latina, precisamos de aliados".
Vários trechos do livro se parecem à retórica dos livros escolares chineses -"o mundo conspira contra a China", "não se pode confiar nos estrangeiros"- e até repete obsessões do governo em mais investimentos militares e em tecnologia autóctona.

Críticas ao governo
Mas o livro também critica o governo, dizendo que parte da infelicidade chinesa se dá pela ausência de democracia e de abertura, pela corrupção generalizada e pela falta de uma defesa maior da soberania.
Quem não parece feliz com o livro é o governo. A mídia estatal tem criticado duramente a obra, por "faturar em cima do nacionalismo dos mais jovens", "ter linguagem extremista, radical" e "não promover o diálogo, necessário em tempos de crise". ""China infeliz" pesca dinheiro dos bolsos dos jovens raivosos e dos idosos raivosos", escreveu um colunista no estatal "Diário da Juventude Chinesa".
"Talvez o governo prefira o nacionalismo que ele mesmo promove, pois o nosso é autônomo, sincero, patriótico", rebate o autor.

Foto: Reuters

Escrito por Raul Juste Lores às 10h35

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O bilionário da moda chinesa 2

(a modelo brasileira Bruna Tenorio fez a campanha da Metersbonwe 2009)

No quinto andar da loja matriz da grife de Zhou Chengjian, em Xangai, foi inaugurado o Museu Metersbonwe do Figurino Chinês. A ambição da grife é recuperar e prestigiar a história da moda na China. "Para criar uma marca é fundamental integrar tecnologia, cultura e arte", diz o proprietário da Metersbonwe. "É bom que os jovens chineses conheçam essa cultura do vestir chinês." Com 5.000 peças, as principais atrações são trajes imperiais da dinastia Qing (1644-1911), roupas das minorias étnicas chinesas e várias versões do qipao, aquele vestido justo e colorido que é a base do figurino da atriz Maggie Cheung no filme "Amor à Flor da Pele", realizado em 2000 pelo diretor Wong Kar-wai.
Ainda que nas coleções da Metersbonwe o visual seja decididamente ocidental, Zhou diz que pretende incorporar "elementos chineses" na moda de sua grife. "Só quando integrarmos a cultura chinesa em nossas roupas é que poderemos criar um estilo fashion genuinamente chinês", diz o empresário. "Desejamos competir no mercado internacional como criadores, não como seguidores."
Na prática, porém, a tradição parece não atrair muito os jovens chineses. No domingo em que a Folha visitou o museu, havia menos de 20 pessoas ali, enquanto centenas de chineses se acotovelavam nos outros quatro andares da loja matriz, apreciando as moderninhas roupas da marca.

O site do museu oferece uma visita virtual.
O endereço é: www.mbmuseum.org/english/index.html

 

Escrito por Raul Juste Lores às 07h15

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Sucesso Made in China

Terceiro homem mais rico da China, o ex-alfaiate Zhou Chengjian, 44, conseguiu competir de igual para igual com as grandes marcas, na terra onde pradas e armanis, falsos ou verdadeiros, estão por toda a parte.
A marca criada por ele, Metersbonwe, tornou-se a mais popular do país entre jovens de 18 a 25 anos.
Em 14 anos, abriu 382 grandes lojas nas principais cidades chinesas e espalhou 2.259 franquias em cidades médias e pequenas por todo o país. Sua fortuna pessoal é estimada em US$ 2,6 bilhões, pela "Forbes".
Em tempos de contração de consumo no planeta, ele está em ascensão, segundo a "Forbes". "Não exporto nada, então não fui afetado pela crise mundial. E nossos produtos têm preços acessíveis ao público jovem", diz Zhou à Folha.
A Metersbonwe, um cruzamento quase teenager da Zara com a Gap, mantém uma equipe de designers franceses e chineses. "Nós mandamos nosso time para França, Japão, Hong Kong e Coreia do Sul, para fazer pesquisa de campo e assistir aos desfiles", conta Zhou. Sua empresa também é parceira do escritório Peclers Paris, que investiga tendências. "Mas o principal ativo é que nossos designers são muito jovens, então eles sabem a necessidade da geração deles", afirma.
Longe de revolucionar a história da moda, a regra nas vitrines da Metersbonwe, assim como nas ruas chinesas, é o "tudo ao mesmo tempo agora" -cores que parecem não conversar, peças de noite misturadas a outras casuais, o esportivo com o social. Para o jovem chinês, sobreposição demais nunca é suficiente.
Até 1995, Zhou era um alfaiate que fazia ternos em Wenzhou, cidade portuária do leste chinês que é considerada um dos berços do novo capitalismo do país nas últimas três décadas. Ele trabalhava 16 horas por dia com a família, desenhando e costurando. Naquele ano, abriu a primeira loja de moda jovem em Wenzhou. 

Para ler mais: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0304200916.htm

Escrito por Raul Juste Lores às 10h52

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Educação moral e cívica

Moro ao lado de uma escola de ensino fundamental na China. De manhã e à tarde _ as aulas são em período integral _ os estudantes aparecem na quadra como em uma formação militar. Os professores parecem ordenar "sentido!" aos alunos e todos eles marcham em fila milimetricamente respeitada até a sala, depois de cantar o hino. Só essa experiência na vizinhança me fez entender o vídeo acima. Os alunos seguem sem pestanejar a professora amalucada. O que ela tomou na merenda?

Escrito por Raul Juste Lores às 13h41

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PERFIL

Raul Juste Lores Raul Juste Lores, 33, correspondente da Folha em Pequim. Foi correspondente em Buenos Aires e editor de Internacional da Revista Veja e apresentador e editor-chefe do Jornal da Cultura, na TV Cultura.

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