Raul na China
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Brasil não se promove na China

Mais trechos da entrevista que fiz com Victor Yuan, CEO do principal instituto de pesquisas da China, sobre a opinião pública local.

FOLHA - Na capa da "Economist", sob a manchete "Como a China vê o mundo", EUA e Japão aparecem grandes, e o resto do mundo, mínimo. Como o chinês vê o Brasil?
YUAN
- Na última Feira de Guangzhou, a delegação brasileira estava entre as cinco maiores e foi a que mais comprou per capita, pela primeira vez. Isso chamou a atenção. Mas comparado a outros países, o Brasil se vende pouco e se comunica menos ainda com a China. Já fui várias vezes à Rússia e à Índia, e a Austrália e a Nova Zelândia vivem convidando líderes chineses para ir lá. Suas embaixadas fazem promoções. A única vez que estive no Brasil não foi a trabalho. Tirando a Amazônia e o futebol, pouco se sabe do Brasil aqui.

FOLHA - Com a crise, a China pode se interessar mais pelo Brasil?
YUAN
- Deve. Temos muito interesse em nossas matérias-primas, o petróleo da África, o cobre do Chile... e os BRICs [Brasil, Rússia, Índia e China] fazem sucesso aqui, como marca. Do pouco que se sabe sobre América Latina, fala-se de uma região onde a esquerda tem crescido, o que é simpático à China. Governos esquerdistas nos criticam menos.

FOLHA - Se os chineses se tornarem consumidores nacionalistas, como ficará o investimento externo?
YUAN
- Acho que o nacionalismo faz mais barulho na internet que na vida real. Os chineses tomam Coca-Cola o dia inteiro. O consumidor chinês não é tão nacionalista como dizem. Veja o Carrefour. Apesar dos problemas com a França, das campanhas de boicote, está cheio. As pessoas agem com o bolso. Os chineses não gostam do Japão, nem dos japoneses, mas isso não impede que chineses estudem lá nem que compremos produtos japoneses.

Escrito por Raul Juste Lores às 13h01

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A China quer respeito

Para diretor do principal instituto de opinião da China, Victor Yuan (acima), elites rechaçam "sermões" de fora, e massas desdenham posição do país no mundo

EM MENOS de 15 dias, a China impediu a venda de sua maior fabricante de sucos à Coca-Cola, sugeriu a troca do dólar como moeda internacional e ainda cobrou dos EUA que "honrem seus compromissos".
Essa nova confiança de superpotência continuará a crescer, mesmo em tempos de crise doméstica, segundo o sociólogo chinês Victor Yuan, diretor-presidente do mais conhecido instituto de pesquisas do país, o Horizon.


"Os chineses querem deixar de ser olhados de cima e ouvir sermões do Ocidente sobre democracia e direitos humanos", diz Victor Yuan. "Apesar de conscientes da seriedade da crise, a maioria acha que ela é de curto prazo, e eles têm enorme confiança no governo." Com mestrado em Harvard, ele afirma que sentiu discriminação nos EUA.
"Os professores vivem criticando o governo chinês, que não somos uma democracia, que nosso desenvolvimento é injusto", recorda. "Mas para um chinês, criticar o governo é criticar o país. Não gostamos de interferência." Seu instituto de pesquisas foi criado há 17 anos e estuda desde comportamentos familiares e de consumo a opiniões políticas. Os principais trechos da conversa:

FOLHA - Um best-seller instantâneo, "China Infeliz", alega que, apesar do crescimento econômico, os chineses estão descontentes com a globalização e a maneira que o Ocidente vê o país. Há orgulho ferido?
VICTOR YUAN
- Discordo que a China seja infeliz, pois 70% dos chineses entrevistados por nosso instituto se demonstram favoráveis à abertura econômica ou pedem até mais abertura, e só 15% acham que a China se abriu demais. O que há é um sentimento comum, de que a China ainda é discriminada politicamente e não está à altura de seu poderio econômico, olhada de cima por americanos e franceses. Tratam-nos como a um animal econômico, ouvimos sermões de que não temos direitos humanos nem democracia. Agora que não passamos fome, queremos respeito.

FOLHA - O governo chinês impediu a venda da maior fabricante de sucos do país, a Huiyuan, à Coca-Cola, que oferecia US$ 2,3 bilhões. Muitos alegam que a opinião pública era contra. Os sucos são mercado estratégico ou o problema é a Coca-Cola?
YUAN
- Nas enquetes na internet, a maioria foi contra. Há esse sentimento de que as grandes marcas chinesas devem seguir em mãos chinesas. Os mais velhos sentem nostalgia das grandes marcas que já não existem. Mas acho que a decisão se deve à nossa burocracia e a seu julgamento equivocado.

FOLHA - O senhor era favorável?
YUAN
- Talvez eu seja o único que achasse ótimo vender a Huiyuan à Coca-Cola. A oferta da Coca foi feita antes da quebra do [banco americano] Lehman Brothers [que prenunciou a crise], em setembro. Agora, nunca mais alguém vai pagar isso pela Huiyuan. A Coca vai poder comprar outras por menos ou até criar uma marca e enfrentar a Huiyuan. Todos perderam. Foi um recado negativo ao mundo. Outros governos agora podem fazer o mesmo e barrar investimentos chineses.

Para ler mais desta entrevista, publicada hoje na Folha, clique em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft3003200914.htm

Escrito por Raul Juste Lores às 12h57

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Com diploma, sem emprego

Cerca de 6,1 milhões de universitários chineses se formam em junho. Entre os graduados em 2008, 1,4 milhão não achou emprego, ou perdeu o que tinha. É o desemprego desses 7,5 milhões com diploma que tira o sono do governo chinês.
Com a desaceleração da economia chinesa, é quase certo que milhões de jovens que só viveram a prosperidade da China não encontrarão trabalho.
No ano passado, 11 milhões de empregos urbanos foram criados na China com um crescimento de 9% do PIB. Ainda assim, 20 milhões de migrantes rurais perderam empregos urbanos, na construção e nas linhas de montagem para exportação. Neste ano, as estimativas apontam que a economia chinesa crescerá entre 5% e 6,5%.
Em fevereiro, o premiê chinês, Wen Jiabao, disse que achar empregos para os universitários era a "maior prioridade na política de emprego da China para o ano de 2009".
Surgiram no último mês diversos programas especiais para tentar conter o desemprego dos com diploma. Sob ordem do governo central, Províncias e prefeituras do interior estão organizando grandes feiras de empregos em Pequim e Xangai para tentar atrair os estudantes urbanos das melhores universidades do país.
O número de vagas na pós-graduação cresceu 5% em relação a 2008, segundo o Ministério da Educação. A ideia é que pelo menos 50 mil chineses passem alguns anos a mais nos bancos escolares. Só em Pequim, 10 mil vagas para mestrado e doutorado foram criadas.
"Escolas primárias e secundárias irão contratar 3.000 recém-formados este ano como professores", diz o vice-prefeito de Pequim, Ding Xiangyang.
A Prefeitura de Pequim irá criar 2.000 vagas de "trabalhadores sociais" para empregar outros universitários.

Viagem ao interior
Algumas das ideias que o governo pretende adotar em breve incluem o perdão da dívida de parte dos empréstimos universitários de recém-formados que aceitem trabalhar nas remotas áreas do oeste do país.
Universitários que trabalhem como médicos ou professores rurais receberão previdência social. Estudantes que tenham atuado em serviços sociais no interior terão prioridade na hora de se candidatar a vagas na pós-graduação.
Outro projeto é que os recém-formados desempregados possam se candidatar a empréstimos de 50 mil yuans (R$ 17 mil) para começar os seus próprios negócios.

Para ler mais:  http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2903200910.htm

Foto: Xinhua

Escrito por Raul Juste Lores às 13h08

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Frio sem autorização

Este blogueiro sumiu por alguns dias graças a uma boa gripe. Sem fazer estudos científicos sobre a causa da doença, só posso falar que meu organismo brasileiro não se acostumou com o frio desta semana de primavera em Pequim. A capital chinesa é bem fria, mas o aquecimento central nas residências resolvia o clima polar. O problema é que o governo chinês decide quando acaba o frio por decreto. Em 15 de março, acabou a calefação em todos os prédios residenciais de Pequim (pelo menos nos civis). Não adianta querer pagar por mais, leis do mercado, oferta e demanda. O governo diz que acabou o inverno e fim de papo. Só faltou combinar com o resfriamento global. Hoje e ontem a temperatura chegou a menos 3 graus centígrados. Minha gripe continua firme e barulhenta.

Escrito por Raul Juste Lores às 13h04

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Pequeno Bruce Lee

Esse menininho, Guo Siping, de 7 anos de idade, virou estrela na Internet chinesa. Seu pai colocou dezenas de vídeos do pequeno Bruce Lee em ação _ ele já fazia essas piruetas com apenas 5 anos. O vídeo acima já foi visto por mais de um milhão de internautas.  Guo estudou em uma academia de artes marciais da Província de Shanxi. No meio do vídeo, ele também canta, em seu momento Jackie Chan.

Escrito por Raul Juste Lores às 14h05

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Encalhe olímpico

A ópera Turandot, de Puccini, é o único evento confirmado em todo o ano de 2009 no Estádio Olímpico de Pequim. Símbolo maior da Olimpíada de 2008, o "Ninho de Passarinho" está vazio. Construído a um custo de US$ 455 milhões, ele não recebe nenhum evento esportivo, musical ou de qualquer natureza desde setembro, ao final da Paraolimpíada.

Tanto o Ninho, como o ginásio da natação "Cubo d’água" e o Estádio Nacional Indoor não têm programação esportiva e desmentem as promessas chinesas de que as construções seriam transformadas em "espaços democráticos para a prática esportiva".

Apenas os ginásios construídos dentro de universidades e o ginásio de basquete, utilizado por um time local, têm uso constante. Com capacidade para 80 mil espectadores e custos anuais de manutenção de US$ 10 milhões, o Ninho se tornou um mico de luxo nas mãos do consórcio que o construiu e tem direito de explorar a obra por 30 anos.

Nos últimos seis meses, o banco estatal Citic, que lidera o consórcio, já tentou se livrar do encalhe, sem sucesso. Ofereceu o estádio ao principal time de futebol de Pequim, o Beijing Guo’an, que também pertence ao banco Citic. Os dirigentes do time, digno do futebol chinês, declinaram a oferta _ nenhum jogo do Guo’an atrai mais que 10 mil torcedores.

"Não queremos envergonhar o Ninho", disse o vice-presidente do clube, Luo Ning. "O futebol chinês não o merece."

Tentou-se atrair algum grande patrocinador que poderia batizar o prédio com sua marca, em troca de patrocínio. Não surgiu nenhum interessado, talvez por se acreditar que o nome "Ninho de Passarinho" já seja forte demais para ser substituído por algum logo ou marca. A direção do Estádio diz que está tentando agendar jogos de exibição de dois times italianos que visitarão a China em agosto, mas ainda sem confirmação.

O único evento marcado, a apresentação de "Turandot", terá direção do cineasta Zhang Yimou, que também dirigiu as cerimônias de abertura e encerramento da Olimpíada de Pequim. Será encenada em 8 de agosto, no aniversário de um ano da Olimpíada de Pequim, data transformada em feriado _ o "Dia Nacional de Atividades Físicas".

Apesar de ter virado campeã em medalhas de ouro na Olimpíada, eventos esportivos para massa ainda são escassos _ a maioria dos chineses vê futebol e basquete pela TV. Quadras e clubes públicos são escassos, enquanto a política oficial prioriza centros fechados para a criação da elite que conquista medalhas.

Também é improvável que a música lote o Ninho. A China está fora do circuito de shows de estrelas pop internacionais. Além de desconhecidas no país, o governo bane artistas que tenham participado de eventos pró-Tibete, pró-direitos humanos ou que tenha imagem muito sexualizada, o que dificulta a vinda de estrelas.

Rolling Stones só puderam tocar no país depois de tirar músicas do repertório, "com conteúdo vulgar", por sugestão do governo chinês. Britney Spears se apresentou há anos, mas precisou se cobrir "com trajes familiares", a pedido das autoridades.

Piquenique no gramado

Desenhado pelos arquitetos suíços Jacques Herzog e Pierre de Meuron, o Ninho já dá sinais do seu atual desprestígio. A Folha viu pintura descascada em várias partes da construção, parcialmente coberta por poeira e areia, onipresentes em Pequim nesta época do ano.

O único uso do Ninho, por enquanto, é o de servir como ponto turístico para caravanas de aposentados do interior que visitam o prédio e fazem muitas fotos. A entrada custa 50 yuans (R$ 18), bastante cara para os padrões chineses, então a maioria dos turistas acaba não conhecendo o interior do estádio, fazendo fotos apenas do lado externo.

Quem entra, depara-se com duas lanchonetes abertas e o gramado coberto por um carpete verde. No gramado artificial, poucas famílias aproveitam para fazer piqueniques, comprando espetinhos de salsicha à venda nas únicas duas lanchonetes abertas. Duas réplicas dos mascotes da Olimpíada, os Fuwas, mantêm-se infladas a gás no centro do campo. Por 10 yuans (R$ 3,4), o visitante pode tirar uma foto com os mascotes empoeirados.

O vizinho Cubo d’água também padece da mesma desolação. O ingresso custa 30 yuans (R$ 11), mas a bilheteria fica a quase dois quilômetros do ginásio. Entre as vizinhas instalações olímpicas, telões passam ininterruptamente imagens da cerimônia de abertura e altos-falantes tocam a música tema dos Jogos, "You and me", na voz de Sarah Brightman. Como se a Olimpíada continuasse, mas sem público.

Escrito por Raul Juste Lores às 02h50

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Revolução Cultural pop

A Revolução Cultural (1966-1976) foi um dos momentos mais assustadores da história recente chinesa. Mao Tsé-tung fechou universidades e professores, intelectuais e artistas foram perseguidos e mortos. Milhares de estudantes tiveram que ir para o campo pegar na enxada, enquanto a Guarda Revolucionária, com suas braçadeiras vermelhas, aterrorizava o país. O clima de delação foi incentivado, e qualquer vizinho poderia acusar você de "comportamento burguês".

Passados mais de trinta anos, esse período que ainda produz calafrios em muitos chineses virou fonte de inspiração pop. Há alguns anos, as artes plásticas fazem um bom dinheiro vendendo obras e mais obras que "citam" a Revolução Cultural. Agora, no vídeo acima, da música "Ninja", um estudante da Academia de Artes de Luxun utilizou imagens de musicais da época. Quem canta é o mais famoso astro pop da China, o taiwanês Jay Chou. É o momento "Adeus, Lênin" chinês.

(No Youtube, é fácil encontrar o vídeoclipe original e oficial da música)

Escrito por Raul Juste Lores às 10h39

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A CNN chinesa

(vídeo da CCTV 9, o canal em inglês lançado em 2000; o governo quer algo mais ambicioso agora)

O governo chinês quer lançar até o final do ano um canal de televisão com 24 horas de notícias para apresentar "a voz chinesa ao mundo".

Tratada como segredo de Estado, a chamada CNN chinesa faz parte de um plano de US$ 7 bilhões que prevê, além do novo canal, o dobro de escritórios internacionais para a agência estatal Xinhua (chegará a 200) e um novo diário em inglês.

Nas últimas três semanas, jornais americanos têm publicado anúncios da futura CNN chinesa buscando candidatos a vagas. "Inglês nativo, habilidade de repórter, boa saúde, disponibilidade para viajar muito e trabalhar longas jornadas, salário competitivo", diz um dos anúncios.

Estima-se que pelo menos 100 jornalistas americanos, britânicos e australianos participem da empreitada, principalmente frente às câmeras, junto a jornalistas chineses que tenham vivido muitos anos no exterior.

O projeto bilionário faz parte de uma política do presidente chinês, Hu Jintao, que disse há dois anos que "a voz da China deve ser melhor ouvida em assuntos internacionais". A rede estatal CCTV lançou em 2008 canais em espanhol e francês e lançará no segundo semestre de 2009 canais em árabe e russo.

A primeira ação internacional da CCTV foi com seu canal em inglês, criado em 2000.

"A força da nossa voz não se compara com nossa posição no mundo", diz Yu Guoming, vice-diretor da Faculdade de Jornalismo da Universidade Popular de Pequim, um dos consultores da CNN chinesa.

"Até agora tivemos resultados ruins, admito, pois nossos canais não alcançam o desejo de equilíbrio que é demandado pela audiência ocidental."

Com 10 mil funcionários e uma nova sede orçada em US$ 1 bilhão, a CCTV tem sido criticada em público por manipular as notícias e pela baixa qualidade de sua produção.

"Há algo natural na aspiração de uma potência global em alta em aumentar seu soft power com uma voz maior na arena internacional", diz o pesquisador francês Nicholas Bequelin, de Hong Kong.

"A diferença é que o governo chinês e o Partido Comunista ainda exercem forte controle das notícias e informação. Será que o canal pode competir com CNN e BBC? Ou sua busca pela audiência internacional pode levar que as regras de censura comecem a ser mais relaxadas?", pergunta.

A agência estatal chinesa de notícias, Xinhua, que já conta com 100 escritórios internacionais, tem planos de expansão para chegar até 186 representações no exterior até 2010.

O jornal "Global Times", mantido pelo Partido Comunista chinês e que se especializa em política internacional, vai lançar sua edição em inglês no mês que vem.

Com 1,1 milhão de exemplares diários, a versão original chinesa é a mais agressiva e nacionalista voz da imprensa chinesa. O que pode mudar na passagem para o inglês para atrair uma audiência internacional?

A Folha conversou com dois jornalistas envolvidos nos projetos. Eles ainda não sabem se a liberdade editorial será maior. Um deles compara com a célebre emissora do Catar.

"Apesar do ponto de vista muçulmano, a Al Jazeera, por exemplo, sempre entrevista israelenses, mesmo que os apresentadores sejam duros com eles. Não dá para imaginar que aqui se permita entrevistar quem defenda a independência do Tibete."

Escrito por Raul Juste Lores às 02h09

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Deflação na China: mais crise

A China teve deflação em fevereiro, de acordo com os índices de preços ao consumidor e ao produtor divulgados ontem. Os preços ao consumidor e ao produtor registraram quedas de -1,6% e -4,5% respectivamente, em comparação com o mesmo mês do ano passado.

A inflação dos preços ao consumidor se desacelerou por dez meses consecutivos e pela primeira vez o número foi negativo. Em janeiro, tinha aumentado 1% em relação ao mesmo mês do ano passado e em fevereiro caiu 1,6%.

É o primeiro crescimento negativo desde 2002.

A deflação é mais uma prova da desaceleração da economia chinesa. Soma a redução do consumo no país com o excesso de capacidade produtiva da indústria chinesa (que sofre com a recessão de seus principais mercados), o que deixa as empresas com pouco poder para reajustar preços.

Os maiores responsáveis pela queda do IPC chinês foram os alimentos, que caíram 1,9% e os preços de imóveis, que caíram 2,9%. O valor dos imóveis habitados pelo proprietário, não à venda, tiveram uma queda recorde de 15,9%.

"O declínio constante de preços são preocupantes porque expectativas de deflação normalmente fazem que os consumidores adiem compras, resultando em mais pressão deflacionária", disse à Folha a economista chinesa Jing Ulrich, diretora de China Equities do banco JP Morgan.

O temor é confirmado por uma pesquisa divulgada ontem pelo Horizon, o principal instituto de pesquisas da China, que ouviu 1042 pessoas em Pequim, Xangai e Guangzhou, as três maiores cidades chinesas.

56,8% das entrevistados acham que os preços dos imóveis continuarão caindo e 80% acham que os preços ainda estão muito altos.

Mais da metade discorda da política do governo em relação ao mercado imobiliário.

O Índice de Preços ao Produtor continuou em deflação pelo terceiro mês consecutivo, -4,5% em relação a fevereiro de 2008. Em janeiro já havia registrado queda de 3,3% em relação ao ano anterior.

Apesar da recuperação de alguns preços de matérias primas em janeiro, o mercado continua enfraquecido. Depois de uma alta em novembro e dezembro, os preços do aço voltaram a cair por quatro semanas consecutivas por conta de estoques cheios.

Medidas adicionais

Para tentar reduzir temores de que a desaceleração chinesa é mais séria que o governo admite, o Escritório Nacional de Estatísticas divulgou uma rara explicação acompanhando os dados, dizendo que "os números se devem à queda nos preços de matérias primas e a distorções provocadas pelo feriadão do Ano Novo Chinês".

"A deflação é uma preocupação real, mas acho que será um fenômeno temporário", diz a economista Ulrich. "A inflação deve se estabilizar em meados do ano ou no segundo semestre, quando as medidas de estímulo ao consumo implementadas pelo governo surtam efeito."

Ulrich acha que o governo precisará tomar medidas adicionais para evitar um período mais extenso de deflação, como mais cortes na taxa de juros e medidas adicionais para promover o consumo.

No discurso em que abriu o Congresso do Povo, o Legislativo chinês, na semana passada, o primeiro-ministro Wen Jiabao disse que aumentará os preços de arroz e trigo em 18% para aumentar a renda dos agricultores chineses. Reajustes na energia e combustíveis, subsidiados, também podem interromper a deflação já no segundo semestre. O governo estima a inflação de 2009 em 4%, depois de atingir 5,9% em 2008.

O índice de preços ao consumidor havia batido um recorde em fevereiro do ano passado, alta de 8,7%, a maior em 11 anos, quando a China sofria com a alta dos preços de alimentos e de energia, em meio a nevascas e ao consumo desenfreado do Ano Novo chinês.

Escrito por Raul Juste Lores às 04h32

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Tibete distorcido

Considerada a mais influente intelectual tibetana, a escritora e poeta Tsering Woeser, 42, não sabe escrever em tibetano. Nos anos 60 e 70, o idioma foi proibido nas salas de aula pelo governo chinês. Foi assim que Woeser foi educada em mandarim.

Por dominar a língua, Woeser começou a escrever em chinês livros, poemas e relatos que desafiam a versão chinesa de que o país "libertou" o Tibete.

"Sou de uma geração que usa o chinês para atingir um público maior e contar nossa verdadeira história", disse ela ao Mais!

Há pelo menos 300 blogueiros tibetanos desmentindo a versão de Pequim. Ela instalou seu blog em um servidor no exterior, depois de ter dois blogs bloqueados. Seus livros são proibidos na China e foram editados em Taiwan e em Hong Kong.

Na obra "Memória Proibida, a Revolução Cultural no Tibete", Woeser mostra 300 fotos feitas por sua família em que mostram a destruição de mais de mil mosteiros budistas pelas tropas chinesas e as torturas contra monges entre 1966 e 1975.

Seu blog Tibete Invisível (http://woeser.middle-way.net/) foi visitado por três milhões de internautas no ano passado, quando o noticiário sobre os protestos no Tibete foi controlado pela mídia estatal chinesa. Dois de seus livros foram traduzidos ao inglês.

Woeser conversou com o Mais! usando Skype _ policiais vigiam a entrada do edifício em que vive com o marido, o também escritor e dissidente Wang Lixiong _, e ela teme receber lá a visita de jornalistas estrangeiros. Leia trechos da entrevista.

FOLHA -O Tibete era uma teocracia muito pobre, onde ainda havia servos em 1949. Os dissidentes não exageram na visão romântica do Tibete pré-comunismo?

WOESER - O Tibete não era um paraíso, perfeito, antes da invasão chinesa. Era pobre, muito pobre, uma região despovoada no alto do Himalaia. A China também era pobre. Sim, havia atraso, como em muitas outras partes em 1949. Hoje, 60 anos depois, o Tibete continua pobre.

FOLHA -Seu pai foi oficial do Exército de Libertação do Povo. Como a senhora confrontou essa história em casa?

WOESER -Na faculdade, quando estudei literatura chinesa, li "In exile from the land of the snows" (no exílio da terra das neves), de John Avedon, que descreve como a China tomou o Tibete e como o dalai-lama fugiu para a Índia. Dei para meu pai ler, que disse que "70% do livro era verdade". Meu tio, que também foi do exército chinês, disse que 90% era verdade. Vi que o que aprendi era mentira.

FOLHA -O Tibete passou de um autoritarismo para outro?

WOESER -Sim, o Tibete nunca foi uma democracia, passamos de uma teocracia para o regime comunista chinês. Mas nós somos budistas, acreditamos na harmonia budista, então o povo era mais feliz. Ninguém nos perguntou se queríamos ser "libertados" pelos chineses. Não era esse regime atrasado que os chineses pintam. O Tibete foi um dos primeiros países a abolir a pena de morte.

FOLHA -O dalai-lama já disse que aceita a soberania chinesa, mas pede mais autonomia ao Tibete. Você acha possível que isso aconteça algum dia?

WOESER -Não é possível que o Tibete consiga sua independência e não sou otimista a ponto de achar que algum dia o dalai-lama possa voltar a viver em Lhasa, mesmo continuando o regime chinês. O problema só se solucionaria quando acabasse a ditadura comunista, o que não acontecerá tão cedo.

FOLHA -Gerentes de hotéis precisam avisar a polícia quando um tibetano tenta se registrar nas grandes cidades chinesas. A movimentação dos tibetanos piorou muito após os protestos do ano passado?

WOESER -Sim, o medo de que eles organizem protestos é tão grande, que os tibetanos são interrogados antes de poder fazer o check in em um hotel. Há militares em cada canto no Tibete, a população vive vigiada. Acho que os protestos do ano passado já respondem se os tibetanos estão felizes com a China.

FOLHA - O governo lhe explica por que a senhora não pode obter passaporte?

WOESER -Acho que o governo chinês tem medo que critiquemos o governo lá fora. Eles sabem que um tibetano no exterior correria para Índia para tentar ver o dalai-lama. É o fracasso da política de desmoralização contra o dalai, não conseguiram acabar com nosso amor por ele.

Somos cidadãos de segunda classe, temos ainda menos liberdade que o chinês comum. Meus livros são proibidos. Não tenho passaporte e não pude viajar para receber prêmios literários. Tenho amigos tibetanos, cidadãos comuns, nada ativistas, que também não podem tirar passaporte.

FOLHA -O budismo foi muito perseguido durante a Revolução Cultural nos tempos de Mao Tsé-tung. Hoje a prática religiosa é mais liberada?

WOESER -A religião ainda é perseguida, mas bem menos que durante a Revolução Cultural. Funcionários públicos são desestimulados e até proibidos de orar ou atender cerimônias religiosas. O mesmo acontece com estudantes e em algumas unidades de trabalho.

FOLHA -Os tibetanos hoje não tem um maior padrão de vida? A senhora não acha que muitos poderiam trocar sua identidade cultural e abraçar a identidade chinesa em troca de prosperidade?

WOESER -O governo tenta fazer isso. Após os protestos de março do ano passado, houve aumento de salários para os funcionários públicos no Tibete. Alguns até devem trocar, mas são minoria.

A maioria dos tibetanos é pobre hoje, bem pobre. Tudo é mais caro que no resto da China, pois no alto do Himalaia precisa se importar quase tudo e se paga por esse transporte.

O tibetano foi proibido durante a Revolução Cultural, mas hoje você pode estudar tibetano ou mandarim. O problema da opção é que se você não aprender mandarim, não consegue achar emprego.

FOLHA -O dalai-lama pediu aos tibetanos que se rebelassem no ano passado?

WOESER -É mentira que ele esteja por trás. Na verdade, os monges começaram um protesto pacífico em 10 de março, que foi violentamente reprimido, eles apanharam, o que só provocou revolta. O quebra-quebra foi espontâneo, contra a repressão. O dalai-lama sempre quis o diálogo, uma via pacífica, mas a raiva se acumulou.

FOLHA -A propaganda chinesa diz que os tibetanos agradecem por terem sido libertados de um regime escravocrata pela China. A senhora acha que a maioria dos chineses não tem idéia da repressão que houve por lá?

WOESER -A maioria dos chineses acredita na versão oficial. Eu mesma fui educada na escola a achar que o Tibete foi liberado pelo exército comunista. Nos ensinavam que o dalai-lama era o demônio em pessoa, ensinam isso até hoje. A história do Tibete foi reescrita, distorcida, como se tivéssemos que agradecer a China por nos ocupar. Mao dizia que queria livrar o Tibete dos colonialistas exploradores. Mas em Lhasa só havia 10 estrangeiros em 1950.

FOLHA -Apesar de bloqueado, seu blog faz muito sucesso. Quem a lê?

WOESER -Meus dois primeiros blogs foram bloqueados na China, então criei outro em um servidor externo. Quem usa servidores proxy tem acesso e muita gente parece driblar os filtros chineses. Recebo dezenas, centenas de comentários, de tibetanos, de chineses que moram no exterior, de tibetanos no exílio. E também de nacionalistas chineses que me atacam. Estes são maioria.

Escrito por Raul Juste Lores às 00h05

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Os porquês da crise chinesa

Talvez o mais didático dos economistas que conheci na China, o economista americano e professor da Universidade de Pequim Michael Pettis, 50, explica ponto a ponto abaixo os dilemas da China diante da crise mundial.

Crédito equivocado

Até agora, o pacote econômico de estímulo é muito vago, não provocou a confiança necessária. Por enquanto, com a redução da taxa de juros, houve um aumento considerável de crédito, mas esses empréstimos estão indo parar nas Bolsas, nas empresas em estado falimentar e nos investidores. Continua sem mudar o consumo, sem chegar à classe média, e nem se facilitou o crédito para as pequenas e médias empresas que geram mais empregos.

Capacidade excessiva

A China sofre por ser o reverso dos Estados Unidos. Os americanos tiveram crédito infinito para seus consumidores, que não pararam de gastar, enquanto os chineses tiveram crédito infinito para produzir. Agora, houve um colapso do comércio, dos mercados para os quais a China vende, mas não há mercado consumidor interno para absorver essa produção excessiva. O risco é a China querer exportar esse excedente de qualquer jeito e provocar um protecionismo contra o país em escala global.

Contração global

Como na Grande Depressão, de 1929, o mundo vive uma contração. A balança global de pagamentos precisa ser ajustada. Como atores-chave desse desequilíbrio, os EUA e a China precisam reconhecer seus papéis para resolver a crise. Os EUA precisam reduzir o gasto e seu consumo excessivo e a China precisa reduzir sua capacidade produtiva excessiva.

Guerra comercial

Se para combater a crise, a China contrata mais, exporta mais e há mais empréstimos para as empresas em dificuldades, mantendo seu excesso, há risco de uma guerra comercial. Os superávits na balança comercial da China com o resto do mundo não param de crescer. Eram de US$ 16 bilhões por mês, em média, há um ano. Em 2009, passaram dos US$ 39 bi. Hoje há 80% de probabilidade que isso aconteça. É uma luta inglória porque muitos empregos terão que desaparecer.

Não seria bom ter a Ásia como uma região que se sinta alvo de hostilidades do resto no mundo. Um novo Bretton Woods é necessário.

Novo Brasil

Na gestão do presidente Hu Jintao, a renda rural está crescendo, mais a diferença entre a vida no campo e na cidade é enorme. Talvez a China já seja hoje até mais desigual que o Brasil, o que é incrível.

A porcentagem do PIB que fica nas mãos dos trabalhadores diminuiu na última década. Para conseguir se tornar um país de consumidores, a China precisa valorizar o yuan, aumentar o valor dos salários, aumentar a taxa de juros e criar uma rede de segurança social, especialmente no interior, com educação, saúde e pensões. Mas essas transformações só são possíveis a meio prazo. A curto prazo, é impossível.

Responsabilidade da China

Parece que os governantes não estão compreendendo a parte da responsabilidade da China na crise, sua parcela de culpa. O mundo inteiro vai precisar fazer um ajuste e a China também. Nenhuma política será sem dor. A expansão do crédito na China precisa ser oposta a dos EUA. Lá eles precisam de mais investimento, mais produção, enquanto na China precisam de mais consumo.

As reformas dos anos 80 foram um sucesso, aumentaram a produtividade chinesa. Antes você não poderia vender alguma coisa na rua, no dia seguinte era permitido. Mas as reformas a partir dos anos 90 não eram sustentáveis.

Diminuir produção

Os chineses precisam de um ajuste doméstico, aumentar o consumo e diminuir a produção, algo bem difícil de se fazer. Durante a Grande Depressão, o excesso produtivo equivalia a 1% do PIB americano, enquanto o excedente chinês é de 10% do PIB. O ajuste precisará ser maior.

Shopping pelo mundo

A China até pode sair de compras pelo mundo, investindo, comprando grandes empresas, mas esse investimento não fará diferença. O que significam US$ 2 bilhões de investimento na Europa, se a União Européia perde para a China US$ 40 bilhões em déficit comercial?

 

Fotos: Xinhua

Escrito por Raul Juste Lores às 15h08

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Nada de novo no pacote chinês


O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, afirmou que a economia da China deverá crescer 8% neste ano, a despeito da crise global. O anúncio foi feito hoje pela manhã na abertura do encontro do Congresso Nacional do Povo, o Legislativo chinês, que se reúne uma vez por ano.
Havia a expectativa de que o governo dobrasse o pacote de estímulo de 4 trilhões de yuans (R$ 1,39 trilhão, ou três vezes o total das exportações brasileiras em um ano), anunciado em novembro. Os rumores da duplicação e de que saísse a previsão de mais investimentos em infraestrutura foram dois dos motivos para a valorização ontem das principais Bolsas no mundo.


Por enquanto, o pacote é o mesmo anunciado em novembro e não se sabe quanto dinheiro é "novo" e quanto são investimentos antigos "embrulhados" como novos para causar mais efeito. As prioridades continuam sendo investimentos em infraestrutura e exportações, e não no consumo interno. Empreiteiras e exportadores, os vencedores no modelo chinês da última década, continuam ganhando. Mas persistem os temores que a China tente inundar com seus produtos países que já se encontram em retração. Uma guerra comercial, com tarifas contra produtos chineses, não deve ser descartada.


A estimativa de crescimento da economia feita pelo primeiro-ministro é maior que os 6% ou 7% previstos pela maioria dos economistas, mais pessimistas. Oito é número da sorte e da fortuna para os chineses. O governo costuma dizer que, se a economia cresce abaixo desse número, é impossível gerar empregos para os 15 milhões de chineses que trocam o campo pelas cidades por ano e para os 7 milhões que se formam na universidade anualmente.
Wen também disse ontem que o déficit orçamentário do país deve crescer para 950 bilhões de yuans (US$ 138 bilhões), quase 3% do PIB chinês.
A economia chinesa, a terceira maior do mundo, deve ser a única entre as grandes a crescer neste ano entre 6% e 8%, bem abaixo dos 11,9% de 2007.
As exportações caíram 17,5% em janeiro em relação a 2008 e devem continuar a cair, segundo economistas, com a recessão nos mercados americano e europeu, responsáveis por mais de 50% das vendas chinesas.
O BC chinês baixou cinco vezes a taxa de juros desde setembro, e o número de empréstimos em fevereiro deve ser recorde -US$ 161 bilhões.
"Houve mais venda de apartamentos em fevereiro e alguns preços de matérias-primas voltaram a subir, mas é cedo para falar de recuperação. O consumo privado e os investimentos ainda estão em queda", diz o economista Ben Simpfendorfer, do RBS, em Hong Kong.

Consumo e transparência
Apesar de a discussão no Congresso chinês ser meramente formal -a agenda é estabelecida pelo Partido Comunista, responsável pela aprovação dos 2.987 delegados, que sempre dizem sim ao que a liderança sugere-, o pacote provocou forte debate no partido.
Lideranças comunistas sugerem investimentos em grandes obras de infraestrutura para empregar parte dos 20 milhões de migrantes rurais que perderam o emprego no ano passado pela crise na construção civil e nas indústrias exportadoras.
Mas diversos economistas criticam em público tal "receita velha". A economia chinesa deveria ser menos dependente de investimentos e exportações, com o comércio global em contração, e tentar fortalecer o consumo doméstico. Preocupado com a corrupção, um grupo de veteranos do Partido Comunista escreveu ao presidente chinês, Hu Jintao, pedindo transparência e responsabilidade na aplicação do pacote.

Foto: AP

Escrito por Raul Juste Lores às 06h44

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PERFIL

Raul Juste Lores Raul Juste Lores, 33, correspondente da Folha em Pequim. Foi correspondente em Buenos Aires e editor de Internacional da Revista Veja e apresentador e editor-chefe do Jornal da Cultura, na TV Cultura.

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