Raul na China
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Vodkas e minissaias em Teerã

Oficialmente proibido no Irã, o álcool circula fácil nas festas das classes média e alta na zona norte de Teerã. A US$ 50 a garrafa de uísque e US$ 10 a de cerveja, amigos fazem vaquinha para comprar bebida clandestinamente, contrabandeada da Turquia. Estima-se que 10 milhões de litros de álcool sejam consumidos na república dos aiatolás.

No moderno Cinema Liberdade, onde o ingresso custa o equivalente a R$ 2, casais de namorados assistem aos filmes trocando beijos furtivos. O bilheteiro não pergunta se são casados ou não. Moças encontram os namorados em cafés, levando uma amiga a tiracolo para não levantar suspeitas. Em poucos minutos, a vela some e deixa o casal em estado de graça. No Irã, não há discotecas ou barzinhos, e homens e mulheres solteiros não podem andar juntos. Não há escolas mistas.

Mas em pleno governo do ultraconservador presidente Mahmoud Ahmadinejad, os jovens iranianos estão fazendo sua própria sutil revolução. Resignados ao conservadorismo no espaço público, eles driblam as leis locais e transformam o espaço privado _ especialmente a internet _ em território livre.

A Folha conversou com dez dos blogueiros mais lidos do país e foi a algumas festas de jovens da cidade. Viu iranianos de ambos os sexos, solteiros, conversando, dançando, paquerando. As moças exibem suas cabeleiras sem véus dentro de casa. A trilha sonora é de música eletrônica com ritmos tradicionais persas, feitas por DJs iranianos radicados nos Estados Unidos.

Mulheres dançam sobre saltos altíssimos, minissaias curtas e até tops. Dançam na pontinha dos pés, com passos que misturam as danças indianas de Bollywood com rebolados árabes. Homens dançam vigorosamente, seguindo a coreografia sensual das parceiras. Desafiando as regras do regime islâmico, há um clima de vitória no ar.

"Nós estamos resignados em não conseguir mudar a política, mas o governo anda resignado com as nossas contravenções. Não haveria cadeia para todo mundo", comemora o analista de sistemas Shayan, 26.

800 mil blogueiros

Ao contrário da China comunista nos anos 50 ou da Coréia do Norte de hoje, a juventude iraniana não está completamente isolada do mundo exterior e tem acesso à informação, apesar das proibições. "Sei que as garotas da minha idade em qualquer lugar do mundo têm mais liberdade que eu", diz Samira, 23, blogueira há seis anos.

"Odeio a Revolução, todo mundo da minha idade não gosta de religião." Sem confiar na mídia estatal _ a programação de TV é tomada por propaganda oficial e orações _ os jovens mergulharam na internet.

Com 800 mil blogs, é a segunda maior blogosfera do mundo, atrás apenas da China. Dos 70 milhões de iranianos, 20 milhões têm acesso à rede. A censura é rigorosa e usa filtros potentes. Se você digitar palavras como "feminismo", "democracia", "aids", "gay" ou "Israel", as páginas ficam automaticamente bloqueadas.

Mas os blogueiros da capital já usam servidores proxy e outras ferramentas tecnológicas para driblarem a censura. Assim um vídeo amador que mostrava um aiatolá mantendo relações sexuais com uma moça que evidentemente não era sua esposa circulou pelo país _ e o aiatolá foi preso.

Sinal dos tempos, sites como YouTube e Facebook acabam de ser desbloqueados no país. "O Orkut foi bloqueado aqui por causa dos brasileiros. Vocês colocavam muitas fotos sensuais que causavam escândalo ao nosso governo", reclama o ator Farshad, 25.

O jeitinho iraniano contrasta com a promessa do governo Ahmadinejad de acabar com a liberação dos costumes iniciada pelo seu sucessor, Mohammad Khatami. Em 2005 e 2006, houve vários casos de moças que foram presas dentro de casa por estarem com calças muito curtas e de homens condenados à morte depois da quarta prisão por consumo de álcool.

Os jovens continuam resistindo. "A liberdade política é um sonho, então nos resta a liberdade individual", diz o blogueiro Amin, que mora a 400 km de Teerã, onde a moralidade e as vestimentas pesadas imperam.

"Mas no interior do país e entre os mais pobres, longe da cosmopolita Teerã, essa pequena revolução está longe de acontecer."

p.s.: Precisei "rasurar" as fotos para proteger a identidade e a segurança dos festeiros iranianos

O Cinema Azadi ("liberdade" em farsi), onde casais de namorados até trocam beijos

Escrito por Raul Juste Lores às 02h39

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Antiamericanismo no Brasil

Pelos comentários no post anterior, vejo que o antiamericanismo ainda é maior no Brasil que no Irã (vale até ficar defendendo o regime dos aiatolás). É bom viver em uma democracia, falar o que se pensa e não correr risco de prisão. Esqueci de falar: a Revolução Islâmica também proibiu jeans e gravatas nos tempos de Khomeini. Para os aiatolás, jeans são sinônimo da cultura americana.

Metrô de Teerã na semana passada. O jeans é até mais popular que o Valentine's Day.

Escrito por Raul Juste Lores às 14h52

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Antiamericanismo descolorido

O estado da propaganda antiamericana na antiga Embaixada dos EUA em Teerã diz tudo.

A antiga embaixada, onde "estrangeiro não entra", gritou o soldado na porta.

O Irã comemorou em 14 de fevereiro o seu Dia dos Namorados. Como nos Estados Unidos e em muitos países europeus, Teerã teve seu "Valentine's Day".
O governo proibiu menções a essa comemoração importada do Ocidente, mas o romantismo falou mais alto. A Folha viu dezenas de lojas com corações nas vitrines e a palavra proibida "Valentine's".
Restaurantes tinham reserva completa de mesas para namorados, num país onde teoricamente casais não podem sair sós antes do casamento.
A americanização do Irã, apesar da proibição de música e TV "ocidentais", está por toda a parte. CDs piratas de Kanye West, 50 Cent e Madonna são vendidos livremente. Antenas parabólicas são proibidas, mas abundam.
O Persian Music Channel é um dos mais vistos. Criado por iranianos exilados em Los Angeles, exibe clipes com iranianas-americanas dançando e cantando em farsi (mulheres não podem cantar em público no Irã).
Apesar do amor pela cultura americana, vários jovens se queixam da imagem do país dada por Hollywood. Reclamam, especialmente, do imperador persa Xerxes, no filme "300".
Grande ícone do país, foi interpretado por Rodrigo Santoro com delineador, sobrancelhas depiladas e sandália de plataforma. Nem os modernos iranianos engoliram tal ousadia.

Escrito por Raul Juste Lores às 07h01

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Por que o cinema iraniano sumiu?

Muitos cinéfilos acusam o cinema iraniano de se prender à fórmula "criancinha órfã chorando porque perdeu alguma coisa no interior do país", mas o diretor Jafar Panahi explica na entrevista abaixo porque os filmes com crianças são usados para driblar a censura e porque o cinema iraniano desapareceu ultimamente _ vários cineastas se exilaram e outros, como ele, não conseguem permissão para filmar nos tempos do governo de Mahmoud Ahmadinejad.

Disseminação de parabólicas piratas impede governo de vetar canais estrangeiros, mas Estado ainda tem monopólio em cinema e TV aberta

Para Jafar Panahi, autor de "O Círculo" e sem filmar desde a chegada ao poder de Ahmadinejad, em 2005, tudo em seu país é "surreal"

Considerado o cineasta mais político e crítico do Irã, Jafar Panahi, 48, está há quatro anos sem filmar. "Desde que Ahmadinejad chegou ao poder, não consigo aprovação da censura para meus roteiros", diz.
Só seu primeiro filme, "O Balão Branco" (1995), premiado em Cannes, foi exibido no país -os demais foram proibidos. Ao fazer um drama vigoroso sobre os maus-tratos às mulheres iranianas em "O Círculo" (2000), que ganhou o Leão de Ouro em Veneza, virou o cineasta maldito do regime.
Ele lutou na Guerra Irã-Iraque como soldado, foi assistente de Abbas Kiarostami em "Através das Oliveiras", e tem uma coleção de prêmios - Leopardo de Ouro em Locarno por "O Espelho" (1997) e Urso de Prata em Berlim por "Fora do Jogo - Offside" (2006).
Neste último, ele enfoca garotas que se vestem de homens para poder assistir a um jogo de futebol (mulheres são proibidas de frequentar a estádios).
Panahi já esteve três vezes no Brasil, onde todos seus filmes foram exibidos. Ele recebeu a Folha em seu apartamento em Teerã, enquanto assistia à nova temporada de "24 Horas". "Já que não me deixam filmar, assisto a seriados americanos". Leia trechos da entrevista.

Censura e Ahmadinejad
"Desde que Ahmadinejad chegou ao poder [em 2005] não consigo filmar. Há quatro anos não tenho autorização. Todas as minhas ideias e roteiros são rejeitados pelo governo. Sem permissão, você não filma. Os cinemas só exibem o que o governo deixa, e os sete canais de TV são estatais. É um monopólio. Mas não foi só o cinema que piorou com Ahmadinejad, muitas outras coisas pioraram."

Sistema ideologizado
"Não faço cinema político, faço cinema social. O filme político diz quem é bom e quem é ruim, como os partidos políticos. Quem concorda com eles é bom, quem discorda é ruim. O problema é que tudo faço aqui é visto como político. Em um sistema tão ideologizado, se você não concorda com eles, não frequenta os eventos do governo, você vira político. No cinema social, não tem preto, branco, tem cinza."

Filmes com crianças
"Todos os meus filmes foram proibidos no Irã, com exceção de "O Balão Branco". Mesmo antes da Revolução Islâmica, cineastas driblavam a censura fazendo filmes com crianças. A censura não dá bola para filmes com crianças. Mas eles falam de temas adultos. São "com" crianças, não para crianças."

Mulheres e limites
"Decidi não voltar a filmar com crianças em "O Círculo". Gosto de falar de limites, obstáculos, então era natural fazer um filme sobre as mulheres iranianas. Causou muita polêmica, todos os jornais estatais me atacaram. O governo queria que eu cortasse 18 minutos de cenas "inconvenientes" e não aceitei. A partir daí, meus filmes não puderam ser exibidos nos cinemas daqui."

Parabólicas piratas
"Os iranianos acabam vendo meus filmes pelas cópias piratas, a US$ 1, que são vendidas em todo o canto. Apesar de proibidas, eu diria que 90% dos iranianos têm parabólicas hoje, dos mais ricos aos mais pobres. Todo o mundo vê canais internacionais de televisão, o controle da informação ficou difícil. O governo teria que prender o país inteiro."

Revolução errada
"Jovens não poderiam ser jovens pela lei do Irã - tudo é tão surreal que para onde você olhe, há ideia de um novo filme. Sou otimista com a nova juventude, que não aceita certas imposições do governo e as está driblando. Minha geração fez a revolução, ajudamos a derrubar o xá, mas logo percebemos que essa revolução estava errada. Saímos de um regime sem democracia para outro. Não mudou o fundo. A nova geração não quer mais revolução."

Exílio e comércio
"Muitos cineastas imigraram, alguns estão fazendo outras coisas. Recebi uma proposta de Hollywood. Talvez aceite. Hoje, no Irã, há um ou dois filmes bons por ano, aprovados pelo governo. Mas 99% do cinema iraniano é comercial. Divide-se em dois tipos: garota sofrida se apaixona por garoto, passam por desencontros e terminam juntos. Ou homem casado conhece outra e fica com duas esposas. Tudo sem beijo."

Escrito por Raul Juste Lores às 02h14

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Carestia no Irã

Pobreza e desemprego ofuscam abertura política como maior preocupação no Irã

Sem diversidade, economia é minada por dependência de importações e sanções; com crise, peso de subsídios e arrecadação baixa cresce


Nas antiquadas lojas de departamentos da capital iraniana, onde não existem supermercados, os clientes fazem estoque de mercadorias em seus carrinhos.
A inflação oficial bateu 25,2% no último ano, mas os preços de alguns produtos da cesta básica subiram 45%.
O desemprego oficial é 11%, mas acredita-se que seja quase o dobro. Uma pesquisa da rede britânica BBC no final do ano passado revelou que para 45% dos iranianos, o desemprego e a pobreza são a maior preocupação. Democracia ou abertura política foram citadas por apenas 1% dos entrevistados.
Mas, para vários economistas no país ouvidos pela Folha, o pior está por vir, graças à queda dos preços internacionais do petróleo.
Cerca de 80% da economia iraniana está nas mãos do Estado e mais de 50% do Orçamento vem da exportação de petróleo -os preços do produto despencaram no último semestre.
A mesa iraniana é servida com importados. Da carne de cordeiro à de frango, passando por arroz, tomate e manteiga, presentes em qualquer kebab que se preze, tudo é importado. Só 8% do montanhoso e árido território nacional é cultivado.

Sem impostos
Repressivo nos costumes, o governo é generoso na hora de cobrar impostos e oferecer subsídios. Para compensar o preço dos importados, subsidia 70% da eletricidade, gás e até a gasolina (quem tem carro popular, paga cerca de R$ 0,23 por litro).
Os gastos públicos cresceram enquanto o preço do barril de petróleo estava perto de US$ 100. O Irã investiu com vontade em seu programa nuclear e exibe avanços militares e tecnológicos, como o lançamento de um satélite de fabricação própria no último dia 3.
Mas agora o preço do produto caiu a menos da metade, por volta de US$ 45 o barril. O FMI (Fundo Monetário Internacional) disse que o país sofrerá "déficits insustentáveis" com o barril a menos de US$ 75.
Apenas funcionários públicos e empregados de algumas grandes empresas pagam imposto de renda. No ano passado, foi criado um imposto de valor agregado como o brasileiro ICMS, com alíquota de apenas 3%. Mas a recepção dos comerciantes dos bazares - pouco habituados a taxas- com protestos e passeatas fez com que o governo acabasse adiando a cobrança.
"Perdemos 40% das vendas de um ano para outro, por causa da inflação, e agora querem cobrar impostos", reclamou à Folha Muhammad Haidar, vendedor no Grande Bazar de Teerã há 30 anos.
De olho nas eleições gerais em junho, ninguém acredita que o presidente conservador Mahmoud Ahmadinejad vá cortar subsídios ou grandes gastos de infraestrutura. Se emitir dinheiro, a inflação se descontrolará de vez.
No governo anterior, do reformista Mohammad Khatami, foi criado um fundo contingencial do petróleo, que, na prática, poupava parte dos lucros com as exportações para épocas de vacas magras. Por enquanto, é esse fundo que deve ser usado pelo governo.

Importando gasolina
Como outros países que são grandes produtores do óleo, a economia iraniana tem diversidade quase zero.
O Irã é o quarto maior produtor de petróleo do mundo e possui a segunda maior reserva conhecida do produto, mas precisa importar 40% do combustível que consome. Desde a chegada ao poder dos aiatolás, há exatos 30 anos, nenhuma refinaria é construída.
Dono da segunda maior reserva de gás, também precisa importar o produto para abastecer os sistemas de calefação no frio inverno, que só agora termina no hemisfério norte.
O país importa trigo dos Estados Unidos, mas, por conta das sanções comerciais, esse trigo ganha nova etiqueta de origem por terceiros em Dubai, Suíça e Austrália. E os preços só encarecem.
O Irã está fora do sistema bancário internacional, então letras de crédito iranianas não são aceitas fora (e, pesadelo para os poucos turistas, cartões de créditos internacionais não servem no país).
Boa parte da crise iraniana é política, admite um economista com bom trânsito no governo. Das sanções comerciais ao discurso de pária do governo ultraconservador, o investimento estrangeiro no país é mínimo, inclusive em seu grande capital, o petróleo.

Escrito por Raul Juste Lores às 08h59

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Cerco à prêmio Nobel do Irã

"Morte a Ebadi" e "Ebadi = EUA" estão pichados na entrada do prédio onde trabalha a advogada Shirin Ebadi, 61. O subsolo abriga o escritório da Prêmio Nobel da Paz em 2003, talvez a maior opositora do regime que ainda mora no Irã e que não está atrás das grades.
Ebadi foi a primeira mulher a se tornar juíza no país, em 1969, mas perdeu o cargo em 1979, quando a nascente República Islâmica proibiu mulheres de exercer a magistratura. Só em 1992 ela conseguiu licença para advogar e começou a defender vítimas do regime.
A ativista diz que há uma onda repressiva, da qual são alvo pessoas como ela e que a internet entrou na linha de fogo da censura "porque os jovens ainda resistem". Não é muito otimista com o novo tom conciliador do presidente Mahmoud Ahmadinejad e acha que é cedo para julgar se Barack Obama conseguirá restabelecer as relações entre os EUA e o Irã.
Com pão doce que ela mesmo faz, Ebadi recebeu a Folha em seu escritório em Teerã. Leia trechos da entrevista abaixo.

Armas e economia
"Ahmadinejad disse que não vai parar o programa nuclear, então será preciso mais do que palavras para demonstrar que algo vai mudar na relação com os EUA. Temos problemas bem maiores e mais urgentes do que o programa nuclear."
"Há uma inflação incontrolável, preços de produtos básicos sobem todo dia, triplicaram em menos de um ano. O desemprego é alto. Até os que têm sorte de terminar uma universidade e achar emprego têm salários que dão pena. O preço do petróleo caiu muito, sabemos que a economia vai piorar. Para os iranianos, arrumar a economia é muito mais prioritário que ter armas nucleares, muito caras."

Jovens driblam censura
"Vivemos uma onda redobrada de repressão à liberdade de expressão. A internet é bloqueada, blogueiros são presos e páginas que defendem mais direitos para as mulheres são bloqueadas. O que chama a atenção é o talento dos jovens para driblar a censura. Os jovens são os que mais resistem, sobretudo as mulheres. Elas estudam mais, são mais combativas. O feminismo é talvez o movimento mais forte hoje."

Relação com EUA
"É cedo para julgar Obama, cedo para ver como ele vai reconstruir a relação com o Irã. Só posso afirmar que sou contra a guerra, a favor da diplomacia e do diálogo, que precisa ser em três níveis: entre os presidentes, os Parlamentos e as respectivas sociedades civis."
"Há dois milhões de iranianos nos EUA, com parentes no Irã. É um número incrível de pessoas que apoiam mais diálogo e têm interesse na normalização das relações."

Eleição limitada
"Quem quer que seja o novo presidente do Irã, eleito em junho, terá uma autoridade limitada. Pela Constituição, o líder supremo [aiatolá Ali Khamenei] está acima dos três Poderes. Acredito firmemente no secularismo, a religião deveria ser claramente separada da política e do Estado. Políticos não podem ter o direito de se aproveitar da emoção e dos sentimentos despertados pela fé."


Escrito por Raul Juste Lores às 08h02

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Cenas de Teerã

Nesta semana, o blog trai o seu título e se muda para o Irã. No post anterior, apresento um dos personagens famosos da blogosfera iraniana.

Já estas fotos são do Grande Bazar de Teerã. Depois comento mais. Deixo para vocês interpretarem agora.

 

Escrito por Raul Juste Lores às 19h43

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Blogueiro do Hizbollah

Mohammad Masih, 20, atrai 10 mil visitantes por dia com sua pregação conservadora

Em entrevista à Folha, ele diz que Irã precisa manter programa nuclear e não deve dialogar com EUA, que "perseguem fins satânicos"

RAUL JUSTE LORES
ENVIADO ESPECIAL A TEERÃ

Conhecido como o líder do movimento Blogueiros do Hizbollah, Mohammad Masih, 20, comanda o contra-ataque conservador à blogosfera liberal iraniana. Há quase sete anos, ele tem dois blogs, visitados por mais de 10 mil internautas por dia, defendendo a Revolução Islâmica. Expert em internet, ele montou blogs para aiatolás e líderes conservadores sem muita intimidade com a rede.
Estudante de arquitetura, franzino e muito gentil, Masih defende a criação de uma União de Repúblicas Islâmicas e quer exportar a revolução a outros países muçulmanos.
Mas, prova de que até os conservadores sofrem dilemas com a modernidade, ele admite ver filmes de Hollywood, acha o chador muito rigoroso e quer montar um grupo de rap. A seguir, trechos da entrevista que concedeu à Folha no Café das Artes, em Teerã, um dos espaços mais liberais da capital iraniana, onde estudantes solteiras fumam e conversam com os namorados.

Exportar a revolução
"Nosso objetivo é exportar nossa revolução a países como Jordânia, Egito, criar uma União de Repúblicas Islâmicas. O Irã é o maior responsável pela liberdade no Líbano e na Síria. Fortalecemos o partido que quer a liberdade dos palestinos, o Hamas, enquanto o mundo árabe defende o Fatah, que quer "a paz" com Israel."

Novo império
"O mundo muçulmano é muito dividido, sunitas, xiitas, divisões que foram estimuladas e aproveitadas pelos britânicos, para nos colonizar e explorar. Precisamos de um novo império islâmico que faça florescer as ciências e as artes, como no passado. Não queremos ataques e invasões, nem gastar tanto dinheiro com armas.
Os reis muçulmanos de hoje só pensam em seu próprio luxo e conforto, não pensam na astronomia, nos estudos. O Irã valoriza a universidade."

EUA ainda satânicos
"Acho que o presidente Ahmadinejad não deveria falar em diálogo com os EUA. Os americanos ainda perseguem fins satânicos, o que não é negociável. Obama vai continuar no Afeganistão, no Iraque. Talvez Ahmadinejad queira fortalecer sua relação com o povo americano, não com o governo."

Programa nuclear
"Os EUA nunca terão coragem de atacar a Somália ou fazer uma nova guerra contra um país islâmico quando o Irã tiver mais poder. Nenhum presidente iraniano pode abandonar o programa nuclear. Precisamos ter armas para sermos respeitados. Seria um suicídio político abandonar o programa."

Economia doente
"Os resultados econômicos da revolução ainda são pobres, mas há diversas razões. Herdamos do xá uma economia destruída, sofremos sanções do Ocidente, não tínhamos a quem exportar. Sem as sanções, já seríamos uma superpotência. Nossos revolucionários não sabiam de teoria econômica, é algo que só está mudando agora. Mas, pelo menos, a distribuição de renda é muito mais justa hoje que na época do xá."

Hollywood e rap
"Quero montar uma banda de rap, ouço música americana, vejo filmes de Hollywood e comecei a ver a série "Lost". Não é contradição, vejo o que não contraria as leis islâmicas. Artisticamente ainda somos pobres, os líderes religiosos precisam aprender e promover as artes aqui. Por isso estou estudando arquitetura."

Regras de decoro
"Acho certo censurar imagens sexuais na TV e no cinema. Pulo as cenas sexuais dos filmes. Não defendo o chador nem o vestuário totalmente livre. Sou contra as mulheres que usam roupas muito provocantes, que provocam e confundem garotos de 14 anos que não podem ter sexo. No Irã, temos uma taxa baixíssima de estupros e outras depravações."

Escrito por Raul Juste Lores às 19h31

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Pequim digital

De milionárias recém-saídas das compras a migrantes rurais que nunca tiveram uma tevê na vida, centenas de pessoas se reúnem todas as noites para ver um espetáculo digital em Pequim. Um telão de 250 metros de comprimento por 30 de largura, suspenso a 25 metros de altura, é a maior atração do shopping The Place. O comprimento é mais que o triplo do vão do Masp e a tela tem 7.500 m2, 25 vezes maior que o telão que passava filmes há alguns anos no Jockey em São Paulo.

A atração de 250 milhões de yuans (R$ 83 milhões) foi inaugurada há pouco mais de um ano, mas o fenômeno que ela desencadeou continua a se repetir pela capital chinesa.

Em uma cidade que não tem a menor vocação para adotar uma campanha "Cidade Limpa", telões digitais estão se espalhando por todos os lados _ de elevadores de prédios residenciais até táxis e ônibus. Um dos motivos da popularização é que das telas que utilizam módulos LED (diodos que emitem luz) às planas de cristal líquido (LCD), tudo é produzido na China. O barateamento da tecnologia facilitou a propagação.

O telão do The Place virou símbolo da Pequim digital. Ele vai de uma rua a outra, ocupando um quarteirão inteiro e é cercado pelas duas metades do shopping-center de cinco andares. O melhor vídeo a passar no telão reproduz em computação gráfica a vida em Pequim no século 18, intercalado com cenas de filmes de época. Muita gente aplaude as projeções.

A idéia é que ele funcione como arena no ar _ ali são exibidos de peixinhos gigantes em aquários (peça obrigatória na decoração chinesa) a planetas, estrelas cadentes, flores. O criador do telão e de boa parte das animações é o designer Jeremy Railton, nascido no Zimbábue e radicado nos EUA. Para se ter uma idéia de seu estilo, ele foi responsável pelas imagens nos telões dos últimos shows de Barbra Streisand e Cher.

Ele criou o maior telão do mundo em Las Vegas, o único maior que o de Pequim. Railton até tentou levar a empresa que o desenvolveu para a China. Não deu. "Do prefeito ao dono da construtora, reparei que havia uma pressão enorme para que a tecnologia fosse desenvolvida na China. Tivemos que desenvolver tudo lá", diz, referindo-se à longa tela coberta de vidro e aos painéis LED. Cinco telas individuais formam o comprido telão, que podem mostrar de imagens de TV a games.

No elevador

Telas digitais LCD e luminosos estão por toda a parte e se espalham mais rapidamente que as luzinhas de Natal no Brasil produzidas na China. Em Xangai, 15 mil táxis têm essas telinhas. Outros 20 mil táxis em Pequim, Guanghzou e Shenzhen já têm a novidade.

"O passageiro está sozinho e fica em média 17 minutos de monotonia sentado no banco traseiro. Ele pode ficar teclando a tela, mudando de canais, descobrindo novos produtos", diz a gerente da Touchmedia, Tina Han. Na telinha, há um cardápio com nove opções, de músicas a campanhas filantrópicas, mas, em todas, 80% do tempo será com propaganda. Há um botão de "mudo" para silenciar tanta informação.

A publicidade chinesa não perdoa nem durante o calmo trajeto no elevador. A empresa Framedia instalou 300 mil telas em elevadores de edifícios residenciais e comerciais em 40 cidades chinesas. As telas passam anúncios continuamente.

Em 1724 academias de ginástica chinesas, há telas espalhadas. "As telas se aproveitam dos momentos de solidão e tédio de muitas pessoas em elevadores ou no táxi, mas há risco de se criar uma exaustão total do receptor", diz o publicitário Jeremy Sy, da agência Leo Burnett. A prefeitura de Xangai estuda a regulamentação dos painéis. Há clientes reclamando que eles são irritantes.

Nos últimos meses, várias ruas dos bairros de Chaoyang e Sanlitun estão ganhando telões do tamanho de um ponto de ônibus, à altura do pedestre, que exibem propagandas. À noite, no frio de alguns graus negativos do inverno pequinês, pode-se se escutar os telões ecoando sozinhos enquanto ninguém se atrave a caminhar.

Os primeiros outdoors em Pequim que não tinham obrigação de passar mensagens comunistas de união proletária ou de ódio à burguesia só apareceram nos anos 80, após a abertura econômica da China. Até meados dos anos 90, boa parte das ruas e avenidas da cidade ficavam às escuras após às 22h por racionamento.

(esta reportagem saiu na Revista da Folha de domingo)

Foto: Divulgação

Escrito por Raul Juste Lores às 20h01

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Disneylândia de gelo

Botas para esqui, dois pares de meias de lã, cinco camadas de pulôveres e casacos. Dois pares de luvas, dois gorros, proteção especial para as orelhas e cachecol. E pijamas térmicos por baixo de tudo.
Com algumas variações, é assim que 2 milhões de turistas enfrentam temperaturas médias de - 20C (com mínimas de até -38C) em Harbin, cidade localizada no nordeste da China. Encapotados, eles vão atrás de um dos eventos mais desbragadamente kitsch do mundo, que acontece entre os meses de janeiro e fevereiro -o Festival do Gelo e da Neve.
Com esculturas coloridas de gelo, Harbin fatura com sua situação climática adversa. Às portas da Sibéria, perto do porto russo de Vladivostok, ela aproveita o prazer masoquista de milhões de turistas que visitam um dos lugares mais frios do planeta em pleno inverno.
No parque temático Mundo do Gelo e da Neve, criado há dez anos, estão espalhadas réplicas do Kremlin, do Partenon de Atenas, de templos chineses e da Grande Muralha -tudo iluminado a partir das 16h, quando a noite cai, com luzes roxas, verdes, alaranjadas, azuis e amarelas. Até a decoração natalina da avenida Paulista parece discreta em comparação.

Noel versus Buda
Um Buda branco de 23 metros de altura, todo esculpido em neve, com iluminação discreta, se transformou em lugar de oferendas. Mas é superado em tamanho por um Papai Noel de neve, com uma longuíssima barba branca, de 24 m de altura por 160 m de comprimento. Diversos prédios de gelo, alguns com 40 m de altura -o equivalente a um edifício de dez andares- imitam templos chineses e catedrais ortodoxas.
Milhares de artesãos trabalham nos blocos de gelo transportados até ali por caminhões e transformados em esculturas à base de serras elétricas.
Adeptas do lema "demais nunca é suficiente", as esculturas dão um jeito de espetacularizar os prédios homenageados. A catedral de Milão, por exemplo, deve ter parecido pequena para os escultores chineses - várias réplicas do templo foram feitas em série.



Disney glacial
No parque Zhaolin, o mais tradicional de Harbin, a edição deste ano faz uma homenagem ao mundo da Disney, patrocinada pelo próprio conglomerado norte-americano, interessado no mercado chinês.
Há esculturas de Pato Donald, Margarida e Ursinho Puff em neve e gelo, um portal com o formato das orelhas de Mickey e geladas versões dos castelos de Aladdin e da Cinderela.
Sem confiar no poder das esculturas, a Disney colocou fotos dos personagens em cima das construções, o que deixou o parque com cara de lojinha de suvenires. Em Harbin, a cópia superou o original.
Mais interessante é o vizinho rio Songhua, congelado no inverno, e que vira uma enorme pista de patinação, onde trenós puxados por cães deslizam com os turistas.

Vetado
Mas o festival não se resume aos dois parques. As esculturas de gelo viraram símbolo da cidade, estão na porta dos principais hotéis e prédios públicos, em canteiros nas avenidas e até em frente ao aeroporto.
O gelo virou o combustível do turismo na cidade. O festival de esculturas foi criado em 1963, mas foi logo proibido durante a Revolução Cultural chinesa, que o via como algo pequeno-burguês. Só voltou a ser realizado em 1985.
A partir dos anos 90, com o crescimento econômico chinês, Harbin turbinou as esculturas, que deixaram de ser pequenos dragões para se transformarem em torres de gelo.



(esta reportagem saiu no caderno Turismo, da Folha)

Fotos: AFP/AP

Escrito por Raul Juste Lores às 16h34

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25 graus abaixo de zero

O parque Mundo do Gelo e da Neve ocupa uma área de 200 mil metros quadrados, mais do que oito campos de futebol. As esculturas foram feitas em 16 dias, com 120 mil metros cúbicos de gelo e 100 mil metros cúbicos de neve.
O ingresso para entrar no recinto frigorífico custa 150 yuans (R$ 50). O lugar é menos uma área de exposição e mais um parque de diversões.
Boa parte das construções tem tobogãs de gelo, por onde os turistas deslizam sem se importar com o congelamento da região dos glúteos.
Há tendas em forma de iglu, com calefação, onde o turista pode se refazer do frio e sentir um calorzinho antes de voltar à realidade do ar livre.
Sob - 20C, o melhor é se sacudir - e o lugar mais agitado do parque é uma pista de dança, animada por sucessos technopop dos anos 90, onde turistas mais pulam do que dançam para afugentar o frio.
Dançarinas em cima de cubos de gelo se requebram ao som do "poperô" e ensinam coreografias da aeróbica polar.
Outro bailado no meio do parque ocupa um teatro chamado de Grande Parque do Vento e da Pureza Mundial. Nele, bailarinas russas dançam cancã e dão novo significado ao conceito de pureza.
Por todos os lados, o jeito é deslizar. Na entrada do parque, há neve falsa para facilitar a circulação dos turistas, mas, em boa parte do recinto, nem as botas impedem escorregões por todos os lados.
Para se proteger do vento constante, alguns turistas usam um capuz que cobre toda a cabeça, deixando apenas olhos, nariz e boca à mostra.
A aparência é de terrorista ou de guerreiro ninja, mas garante mais alguns minutos no frio antes que os cílios também congelem.

Fotos: Reuters

Escrito por Raul Juste Lores às 16h19

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26 milhões de desempregados

Até o governo já admitiu hoje que 26 milhões de migrantes rurais estão desempregados e voltando para a lavoura. É hora de postar aqui reportagem que publiquei na Folha há duas semanas, dando mais detalhes sobre esse fenômeno. E a crise só começou.

Crise atingiu construção e indústrias, maiores empregadores de imigrantes rurais

Em 2008, 10 milhões de desempregados deixaram cidades chinesas para retornar ao campo; em 2009, número será de 20 milhões

RAUL JUSTE LORES
DE PEQUIM

Trocar a paisagem de arranha-céus modernosos e muitos neons das grandes cidades chinesas pelo interior, onde subsistem o arado manual e os casamentos arranjados.
Esse grande salto para trás, do século 21 ao século 18, já foi dado por 10 milhões de chineses que perderam o emprego em 2008 e voltaram à lavoura.
O êxodo urbano será um dos temas sobre a mesa do Ano Novo Chinês, que começa no dia 26. O feriado mais importante da China dura uma semana -e é a rara oportunidade para que 200 milhões de chineses visitem seus parentes no interior, em um país onde férias não existem na lei.
Com previsões de que mais 20 milhões de empregos desapareçam em 2009, as famílias se perguntam onde é melhor ficar. Os dois setores que mais empregaram a vasta mão-de-obra inexperiente nas últimas duas décadas estão em crise. Há obras paradas em todos os cantos em Pequim e Xangai, e edifícios prontos vazios, esquecidos pelos compradores.
As linhas de montagem que espalharam o "made in China" pelo mundo estão em velocidade reduzida. Mais de 2,5 milhões de operários perderam seus empregos na Província de Guangdong, no sul da China, a mais populosa e rica do país.
Os retirantes chineses formaram o pilar da competitividade que levou o país agrário a se tornar potência industrial em menos de três décadas.
A China virou a terceira maior economia do mundo, em parte graças aos 200 milhões de vidas severinas que desconhecem sábados e domingos, aceitam salários irrisórios sem reclamar e vagam pelo país atrás de empregos na construção civil e nas linhas de montagem das fábricas exportadoras.
"A primeira geração de migrantes rurais, nos anos 80, tinha vários irmãos, quase nenhum estudo e se readaptava ao trabalho na lavoura facilmente", disse à Folha a socióloga Zhao Wei, vice-diretora do Centro de Estudos do Trabalho na China na Universidade Normal de Pequim.
"As gerações mais jovens têm mais ambições, não têm experiência ou interesse de pegar na enxada. Esse é o desafio", diz Zhao. "O problema é que, com a rotina de trabalho, poucos têm tempo de aprender novas profissões."
Há apenas um ano entrou em vigor uma nova lei trabalhista no país, que prometia mais estabilidade aos empregados e aumentava as punições a patrões que não pagassem horas extras e outros benefícios.
A socióloga Zhao, que já trabalhou na única central sindical do país, criada e tutelada pelo Partido Comunista, diz que a precarização dos empregos restantes está a caminho. "Pequim diz que está tudo bem, mas nas Províncias patrões já escutam do governo que, desde que não demitam, podem fazer o que quiserem."
Quem está voltando à sua Província por algum tempo é o pintor de parede Zou Ming, 31 (foto abaixo), depois de quatro meses em Pequim ganhando 140 yuans (R$ 46) por dia, mais que o dobro da média de seus companheiros na construção.
"Só estudei o primário, então não posso querer outros empregos, posso até aceitar menos. Meu sonho é um dia voltar com minha mulher e minha filha de seis anos para Pequim, mas é difícil", diz.
Pela lei chinesa, cada habitante tem direito a serviços sociais em sua cidade de origem. Como a maioria dos migrantes não tem permissão de residência, sua estância é quase clandestina, mas tolerada pelo governo. Seus filhos, porém, não têm autorização para cursar o ensino secundário ou uma faculdade fora do local de residência. Forasteiros precisam de nota maior de corte no ultracompetitivo vestibular chinês. Os investimentos em educação e saúde ainda são bem menores em relação ao PIB que os do Brasil.

As fotos são do Ben Marcom/Folha Imagem

Escrito por Raul Juste Lores às 15h53

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PERFIL

Raul Juste Lores Raul Juste Lores, 33, correspondente da Folha em Pequim. Foi correspondente em Buenos Aires e editor de Internacional da Revista Veja e apresentador e editor-chefe do Jornal da Cultura, na TV Cultura.

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