Raul na China
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Comunistas foragidos

Cerca de 18 mil autoridades do Partido Comunista fugiram da China nos últimos 15 anos levando mais de 800 bilhões de yuans (R$ 270 bilhões), segundo revelou ontem a agência estatal Xinhua. O estudo da Procuradoria do Povo de Pequim revela que o dinheiro desviado vinha de projetos de infra-estrutura, vendas de terrenos para o mercado imobiliário e de planos econômicos nacionais.

Nos últimos 30 anos, 16 mil casos de desvios de recursos e propinas foram levantados pela Procuradoria. O governo anunciou ontem que mandará uma força-tarefa de fiscais esta semana para averiguar o destino dos primeiros 100 bilhões de yuans (R$ 30 bi) do pacote de estímulo para a economia chinesa, divulgado há um mês. Haverá visitas surpresa a prefeituras e governos provinciais.

Chefões comunistas que desaparecem do país viraram notícia freqüente. O último caso é o de uma liderança do Comitê do Partido Comunista da cidade de Wenzhou, uma das potências industriais do país, que escapou de uma missão oficial em setembro em Paris.

Yang Xianghong , 52, abandonou sua delegação no meio da viagem, alegando que visitaria a filha que mora na França. Duas semanas depois, sem voltar a Wenzhou, disse que tinha dores na coluna, que não poderia fazer a longa viagem de volta à China e que se trataria na França.

Em outubro, quatro membros do Partido Comunista de Wenzhou foram a França tentar trazê-lo de volta à força - até um médico foi na comitiva para examinar a coluna do político, mas Yang não foi encontrado. O Partido revelou que havia acusações de corrupção contra ele.

Uma pesquisa publicada em 2003 por uma revista do próprio Partido Comunista revelava que 4.000 membros do Partido condenados por casos de corrupção se encontravam no exterior foragidos _ e que levaram US$ 5 bilhões com eles.

Contra a propina

Na segunda-feira, a Suprema Corte chinesa mudou a legislação que regula e pune os casos de propina no serviço público, acrescentando professores e médicos aos casos passíveis de punição. A agência estatal Xinhua revelou que há diversos casos de médicos que recebem propinas de laboratórios e professores que recebem propinas de editoras para que adotem seus livros. Até a construção de escolas com material de má qualidade (e que causou milhares de mortes no terremoto de Sichuan, em maio) é citada como um caso típico da corrupção local.

Médicos e professores, assim como os demais funcionários públicos, não poderão aceitar pacotes de viagens, móveis, carros e vale-compras em shoppings, que serão considerados propina pela nova lei.

Várias marcas de luxo têm divulgado nos últimos anos que a China é um dos raros países em que produtos masculinos vendem mais que os femininos _ tornou-se comum que empresas querendo agradar funcionários públicos graduados, levem ternos, relógios e gravatas de grandes grifes.

No ranking da ong Transparência Internacional, que mede o índice de confiança de empresários e autoridades em cada país, e que dão notas ao grau de corrupção que encontram, a China ficou em 72º lugar, com 3,6 de nota (de 1 a 10). O Brasil está em 80º no mesmo ranking, com 3,4.

Foto: Xinhua

Escrito por Raul Juste Lores às 14h02

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Energia solar move bilhões

 

 


O Estádio Ninho de Passarinho, símbolo-maior da Olimpíada de Pequim, é quase todo alimentado por energia solar.
Revolução tecnológica com ajuda de marketing, é a prova do feito da Suntech, a empresa chinesa que se tornou líder mundial na produção dos painéis fotovoltaicos, que transformam luz solar em eletricidade. O criador da empresa, o físico Shi Zhengrong, 45, diz que a China "deixará para trás" os Estados Unidos na corrida tecnológica por energias renováveis.
Shi, 45, é hoje é um dos cinco homens mais ricos da China. As vendas da Suntech -que completa sete anos agora- chegam a US$ 1,85 bilhão (eram de apenas US$ 14 milhões em 2003).
Mesmo com as perdas da crise nas bolsas de valores, que tiraram um terço do valor da Suntech só nos últimos meses, a empresa é avaliada em US$ 4 bilhões. Shi tem 40% das ações.
"As tragédias ambientais aqui aceleraram a decisão do governo chinês de apostar pesado num PIB verde", disse Shi à Folha em entrevista no seu escritório, no 63º andar de um arranha-céu em Xangai. "Na China, tudo anda mais rápido que nos países ocidentais."
A Suntech se especializou em desenvolver, produzir e vender células fotovoltaicas, módulos e sistemas de energia solar. De terceira maior empresa do mundo na área em 2005, quando abriu capital na Bolsa de Nova York, tornou-se a maior. Seus principais concorrentes são as japonesas Sharp e Kyocera, e a britânica BP.
Shi é um dos personagens destacados do novo livro do jornalista americano Thomas Friedman, "Hot, Flat and Crowded", como um "campeão da nova corrida tecnológica". O bilionário acha que não dá para esperar pela implementação do Protocolo de Kyoto. "É simbólico", diz. "O mais importante é que cada país adote de coração uma agenda progressiva para cortar a emissão de gases, sem esperar os outros."
Apesar da liderança global da Suntech, apenas 10% das vendas da empresa são para o mercado chinês. A energia solar é bem mais cara que a convencional, e seus principais clientes -Alemanha, Espanha e Japão- oferecem fortes subsídios para energia limpa, o que ainda não é o caso na China.
"A energia solar se encontra em um estágio parecido ao da telefonia celular de mais de uma década atrás", quando celular era artigo de luxo, diz Shi. "Em 2000, um megawatt [produzido por energia solar] custava US$ 20. Neste ano, custa US$ 4, e no ano que vem será US$ 3. Em dez anos, será bem mais acessível, quando espero que boa parte de minha produção seja para o mercado doméstico chinês. A escala da China está do nosso lado."
A eficiência dos painéis fotovoltaicos aumentou de 6% na década passada a 16% hoje.
A crise financeira mundial afetou os negócios de Shi não só pelos problemas nas bolsas. Suas vendas na Europa devem cair por conta da recente desvalorização do euro frente ao dólar, e vários projetos financiados por grandes bancos foram simplesmente adiados.
Mas a crise trouxe um benefício para a energia solar: depois de se multiplicar por dez em sete anos, o preço do silício, sua principal matéria prima, começou a cair. "Ficou muito caro por conta do crescimento da China, que consome muito", diz. O silício também é usado em chips eletrônicos.

Simbiose estatal
Shi estudou física e se tornou PhD em engenharia solar na Austrália, onde morou de 1988 a 2000. Mesmo sendo presidente-executivo da Suntech, ele acumula o cargo de chefe de pesquisa. "Minha melhor decisão profissional foi migrar para estudar na Austrália e voltar à China na hora certa", afirma. "Há uma corrida tecnológica, e a China tem que ficar à frente."
A simbiose de Shi com o governo local é típica dos grandes empresários chineses. A prefeitura de Wuxi, cidade a 150 km de Xangai que investe pesado para ser um centro de alta tecnologia, colocou US$ 6 milhões na Suntech, que começou com 20 funcionários, e forneceu mais US$ 5 milhões para pesquisas, além de oferecer o terreno de 12.000 m2, onde hoje fica a moderna sede da empresa.



Fotos da energia solar no Ninho de Passarinho e na base do Monte Everest (divulgação)

Escrito por Raul Juste Lores às 07h20

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Os órfãos de Sichuan

Das 627 crianças que ficaram órfãs após o terremoto de Sichuan, na China, apenas 12 foram adotadas, seis meses após a tragédia que matou quase 70 mil pessoas.
Apesar da procura internacional pelos órfãos, o governo chinês decidiu em maio que só casais chineses acima de 30 anos de idade poderiam adotá-los. Estrangeiros e mesmo cidadãos de Hong Kong e Macau, as duas cidades autônomas do país, ficaram de fora.
O drama dos órfãos reflete um paradoxo recente na organização das adoções chinesas -a China ainda é o país com maior número de adoções internacionais no mundo. Em maio do ano passado, uma nova legislação foi instituída para dificultar a adoção de crianças por estrangeiros. Mas os casais chineses, mesmo os de classe média alta e alta, não parecem estar correndo para adotar os órfãos locais.
"O governo chinês diz que o número de crianças disponíveis para adoção caiu por conta do crescimento da classe média, que pode pagar a multa ao ter um segundo filho [o governo chinês permite apenas uma criança por casal], então menos bebês seriam abandonados, além de maior controle de natalidade e abortos", diz o jornalista americano Jeff Gammage, autor de "China Ghosts" (fantasmas chineses), um livro sobre a adoção no país.
"Também acho que a China reduziu as adoções no período pré-Olimpíada porque não queria que o país fosse visto como incapaz de cuidar de suas crianças".
Até 2005, 8.000 crianças, em sua maioria meninas abandonadas, eram adotadas anualmente por americanos, e outras 8.000 pelo resto do mundo. No ano passado, o total não chegou a 10 mil.
Na tradição chinesa, é o filho homem que cuida dos pais quando velhos. A mulher se dedica ao cuidado dos sogros, então para muitas famílias rurais a preferência pelo filho único estipulado por lei é por um menino, não uma menina.
O processo de adoção, que levava de 9 meses a 1 ano, agora pode levar até três anos. As novas regras proíbem solteiros, homossexuais, obesos e maiores de 50 anos de idade de adotarem no país. Casais gays e solteiros representavam 10% das adoções. "A China tinha o mais bem-sucedido programa internacional de adoções", lamenta Gammage, que tem duas filhas chinesas adotivas.

No jornal estatal "China Daily", autoridades da Província de Sichuan justificam a baixa procura pelos órfãos porque "muitos deles ficaram feridos ou com deficiências causadas pelo terremoto".
Esse é outro tabu na sociedade chinesa. A reportagem da Folha visitou orfanatos que são dirigidos por missionários estrangeiros. A grande maioria das crianças abandonadas tem algum defeito físico, diversas delas com lábio leporino.
ONGs estrangeiras, como a americana Half the Sky, trabalham em orfanatos chineses para dar atenção e afeto às crianças com deficiência.
As adoções dos órfãos do terremoto têm outras barreiras. Várias crianças estão com parentes distantes porque só podem ser legalmente adotadas quando houver certificados de óbito de pai e mãe, então centenas delas só podem ser adotadas após dois anos da tragédia.
Das 88 crianças com a documentação já pronta para adoção, 54 têm entre 10 e 14 anos, o que dificulta o interesse dos casais chineses, segundo a versão oficial do "China Daily".
Cada criança está recebendo 600 yuans (R$ 180) mensais pelo governo até que elas sejam formalmente adotadas ou cumpram 18 anos de idade.
No hotel em que o repórter da Folha se hospedou em Xangai, dezenas de casais espanhóis participam de eventos para ganhar intimidade com suas futuras filhas adotivas. Pedindo anonimato, eles reclamaram das novas regras estabelecidas pelo governo chinês, achando que o bem-estar dos órfãos deveria ser prioridade.

Foto:Xinhua

Escrito por Raul Juste Lores às 14h44

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A diplomacia dos Pandas

A chegada de um casal de pandas em Taiwan no mês que vem, doados pelo governo da China, mereceu anúncio formal do porta-voz do gabinete do governo taiwanês, Fan Liqing.
A diplomacia-panda é assunto sério para os dois lados. Desde o início da Revolução Comunista, a China manda pandas para outros países quando quer fazer amigos ou diminuir tensões políticas.
Pequim enviou na semana passada a mais importante delegação em quase 60 anos à ilha autônoma que considera uma Província rebelde. O governo chinês defende a reunificação e o atual governo de Taiwan, do presidente Ma Ying-jeou, é considerado pró-China.
Em dezembro, o casal Tuan Tuan e Yuan Yuan, 4, chega ao zoológico de Taipé. A combinação do nome dos pandas significa "reunião familiar" em mandarim, sinal de que a política pesou nos nomes, escolhidos em uma campanha feita por uma empresa de telefonia celular.
Tuan Tuan e Yuan Yuan se encontram na Província de Sichuan e só devem ser expostos ao público no final de janeiro. Eles têm quatro refeições diárias de 30 quilos de bambu fresco e frutas.
A China divulgou o envio dos pandas como um "gesto de boa-vontade", segundo a agência estatal Xinhua, em maio de 2005, durante o governo em Taiwan de Chen Shui-bian (2000-2008), que pregava a declaração formal de independência da ilha e era considerado anti-China.
Chen não aceitou os pandas. Para uma nada dissimulada alegria da mídia estatal chinesa, Chen foi preso nesta semana, algemado, por acusações de corrupção.
O panda gigante é considerado tesouro nacional na China e é uma das espécies mais ameaçadas de extinção. Há 1.600 exemplares, a maioria em 59 reservas.
De 1957 a 1982, o governo chinês mandou 23 pandas para nove países -a então União Soviética, Coréia do Norte, EUA, Japão, França, Reino Unido, Alemanha, Espanha e México.
Depois da reunificação, a ex-colônia britânica Hong Kong ganhou dois pares, um em 1999 e o outro em 2006.
Dez pandas da reserva de Wolong, fortemente atingida pelo terremoto de maio em Sichuan, foram transferidos para Pequim em junho e fazem sua particular diplomacia com turistas no zoológico da capital chinesa.

Foto: Asianewsphoto

Escrito por Raul Juste Lores às 02h51

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Relação colonial com a China

Apesar do pacotão de investimentos anunciado no domingo pelo governo chinês, o Brasil deve se beneficiar pouco _ produtos brasileiros enfrentam barreiras crescentes na potência asiática. O Brasil já tem déficit de US$ 2 bilhões com a China e o déficit pode dobrar em 2009.

Empresários brasileiros ouvidos pela Folha reclamam que a China mantém uma relação "colonial" com o Brasil. Quase 100% das exportações chinesas ao Brasil são de produtos industrializados, mas a China só importa matérias-primas (2/3 das exportações brasileiras para o país são de soja e minério de ferro).
"Há um paredão tarifário. Se exportamos uma matéria-prima, a alíquota para entrar na China é zerada, mas se o produto é industrializado, o imposto sobe para 30, 40%", afirma o vice-presidente do Conselho de Comércio Exterior da Fiesp, Carlos Antonio Cavalcanti, que dirige a maior associação de um dos setores "barrados", o de pedras e granitos.
Inicialmente, a China importava óleo de soja do Brasil. Hoje importa o grão e o industrializa. Acontece o mesmo com o café solúvel.

Carne barrada
Os frangos e a carne suína do Brasil são proibidas de entrar na China. As negociações se arrastam desde outubro de 2004. "As exigências mudam a cada visita que fazemos aos chineses. É incompreensível a resistência em dar as licenças de importação para o frango brasileiro: 22 fábricas brasileiras estão habilitadas desde 2006, mas não conseguem exportar", reclama o diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango, Christian Lohbauer.
O impasse também acontece com a carne suína. Há cerca de 2 anos ocorreu uma grave epidemia na suinocultura e a China precisou passar a importar carne de porco. No ano passado, o preço dessa carne, base da culinária chinesa, aumentou 60%. Os chineses compram o que falta dos Estados Unidos.
Para ler mais, http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi1111200826.htm

Escrito por Raul Juste Lores às 06h30

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"Seja marginal, seja herói"

 

Momento Hélio Oiticica na China:

O desempregado Yang Jia, 28, matou seis policiais em uma delegacia com um punhal, até ser preso. Yang diz que foi torturado no local ao ser detido por andar em uma bicicleta sem licença. Ele tentou processar os policiais, mas a acusação foi arquivada. O assassino confesso se tornou herói de blogueiros. Houve abaixo-assinado de artistas, advogados e intelectuais pedindo sua absolvição. Foi comparado a Wu Song, herói da literatura chinesa, que matou um tigre com as mãos.
No mês passado, centenas de estudantes fizeram um protesto em frente ao Tribunal de Xangai, onde ele era julgado, aos gritos de "abaixo os fascistas" e "longa vida a Yang Jia". Yang foi condenado à morte.
O escritório dos seus advogados está fechado. Na última semana, blogs que contêm textos sobre Yang foram bloqueados por seus portais e comentários sobre o caso têm sido apagados.
O artista Ai Weiwei, um dos mais famosos da China e um dos autores do projeto do estádio olímpico Ninho de Pássaro, escreveu em seu blog que a mãe de Yang, que se encontrava desaparecida, está presa em uma delegacia de Xangai.
"Você pode manipular a mídia, mas não dá para esconder que sumiram com ela, testemunha do que fizeram com seu filho", acusou. "Espero que os juízes vejam o correto." A pena contra Yang precisa ser referendada pela Suprema Corte.

Para saber mais sobre a impopularidade da polícia chinesa, leia http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1111200812.htm

(Foto: CNS)

Escrito por Raul Juste Lores às 15h23

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Capoeira em Pequim

O vídeo é do blog do meu amigo Jeremy Goldkorn, os capoeiristas são um holandês e um americano, e os chineses no parque parecem adorar. A capoeira é do mundo.

Escrito por Raul Juste Lores às 16h24

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O PAC chinês


O governo chinês anunciou ontem um pacote de investimentos de 4 trilhões de yuans (o equivalente a R$ 1,23 trilhão -US$ 586 bilhões) para os próximos dois anos a fim de estimular a economia, ameaçada pela desaceleração interna e pela queda nos mercados que importam produtos chineses.
O valor do pacotão chinês representa uma injeção de recursos de 7% do PIB (Produto Interno Bruto) anual do país em 2009 e 2010. A soma das riquezas da China neste ano deve somar US$ 3,5 trilhões. Os recursos do pacote equivalem a quase duas vezes e meia o total de investimentos previstos no PAC brasileiro (R$ 504 bilhões) de 2007 a 2010.
Ou a três vezes o total das exportações brasileiras previstas para este ano. O resgate dos EUA aos mercados, aprovado pelo Congresso, é de US$ 700 bilhões. A economia americana chega perto de US$ 14 trilhões.
Dez áreas serão contempladas, como habitação popular, infra-estrutura rural, água, eletricidade, transportes e reconstrução de áreas devastadas por tragédias naturais, como a Província de Sichuan, que sofreu um terremoto em maio.
O limite dos bancos comerciais para a concessão de empréstimos será abolido para priorizar fundos para pequenas e médias empresas, inovação tecnológica, mecanização rural e fusões e aquisições de empresas, segundo divulgou a agência estatal de notícias Xinhua.
"A expansão de crédito deve focar em esferas que promovam e consolidem o crédito ao consumidor", diz a nota. 

Crescimento em queda
O pacote demonstra a apreensão do regime chinês com a coleção de números negativos dos últimos meses.
As vendas de apartamentos e carros estão em queda, assim como as previsões para o setor exportador, que vende quase metade da produção a mercados ameaçados de recessão, como União Européia e EUA. 

Para saber mais, http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi1011200809.htm

(Foto: Bolsa de Xangai subiu hoje mais de 7% após o anúncio do PAC chinês/Xinhua)

Escrito por Raul Juste Lores às 06h42

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Emprego da China - 2

Vou tentar responder aos comentários deixados no post abaixo (melhor ler antes ou o resto não vai fazer sentido). Não sou headhunter, então só me resta compartilhar o que os especialistas me contaram. Admito que vai parecer que sou estraga-prazeres.

1. Sem inglês, qualquer candidato sai em desvantagem total (não só na China, claro). Mesmo que você saiba mandarim, pense que há mais de 1 bilhão de pessoas que também o falam, então inglês é diferencial. A presença de empresas brasileiras ou portuguesas ainda é bem pequena por aqui.

2. Por que são poucos os brasileiros na China? Além da distância (23 horas de vôo, nenhum direto) e do preço das passagens, a China não é o lugar para qualquer emprego ou bico (como Londres, Miami ou Portugal para muitos brasileiros). Cerca de 15 milhões de chineses migram do campo para as cidades por ano, então esses bicos já têm dono. E o trabalhador rural chinês não reclama de salário baixo, de trabalhar de segunda a segunda, de não ter férias, fim de semana ou previdência.

3. Aprender mandarim ajuda muito, mas lembre-se: 190 mil estrangeiros estudam mandarim aqui na China. Esse número só deve aumentar. Então, além do mandarim, uma especialidade profissional é chave.

4. As áreas onde os estrangeiros são mais presentes em Pequim, Xangai ou Guangzhou, são aquelas onde a China ainda não consegue formar pessoal suficiente para a enorme demanda. Ou em áreas onde o país patinou nas últimas décadas. Arquitetura, hotelaria, gastronomia, tecnologia, RH, publicidade, design, moda e muito da indústria dos serviços importam muita gente.

5. Há nichos, claro. Quando brasileiros começaram a produzir calçados na China, eles importaram centenas de designers e técnicos de controle de qualidade para fazer sapatos muito melhores que os chineses produziam. Empresas chinesas começaram a fazer o mesmo, afinal muitos brasileiros ficaram desempregados quando a indústria calçadista do Sul do Brasil desmoronou (graças à concorrência da China, aliás). Eles não precisavam falar mandarim ou cantonês para serem completamente desejados pela indústria chinesa. Há mais de mil brasileiros em Dongguan na indústria de calçados.

6. Até o governo chinês entrou na onda de importar talentos. A Comissão de Administração e Supervisão de Empresas Estatais começou a recrutar CEOs e gerentes através de headhunters em 2003. 91 foram contratados dessa forma. A Comissão anunciou em julho que abrirá escritórios no exterior para facilitar a descoberta de talentos pelas grandes empresas chinesas. Diversas universidades públicas do país têm reitores e diretores estrangeiros.

7. Ainda assim, dá para ir com a coragem e a cara de pau? Muitos fazem isso. Tenho um vizinho, italiano, que veio pra cá há sete anos sem falar uma palavra de mandarim e com um inglês napolitano. Mas trouxe algum capital, que a mamma ou a nonna deram para ele, abriu um restaurante de massas, deu certo e já está na terceira filial. Ele não foi importado como executivo, mas cavou sua carreira aqui. Disso se trata a imigração. Como filho de imigrantes que sou, só desejo boa sorte a quem se aventurar por aqui.

(Foto: MBA na Universidade de Pequim tem aulas sábados e domingos à noite, demonstração do esforço da nova geração)

Janek Zdzarski Jr./Folha Imagem

Escrito por Raul Juste Lores às 15h50

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Emprego da China

essa reportagem saiu na coluna da Monica Bergamo de domingo; alguns trechos:

O executivo carioca Felipe Carvalho com seus funcionários em Pequim

Brasileiros vão ao país trabalhar em ramos que exigem curso superior, como hotelaria, publicidade e comunicação. 

No país de 1,3 bilhão de habitantes, falta mão-de-obra qualificada. Uma pesquisa da consultoria McKinsey diz que a China precisará de 75 mil diretores e gerentes de alto nível nos próximos sete anos, mas que o país só possui 5.000 aptos a preencher as vagas. Por isso, a China importa CEOs, gerentes e diretores de empresas em plena crise global -seu PIB vai crescer 9,6% este ano e "apenas" 7,9% no ano que vem.

Enquanto empregos nas linhas de montagem e na construção civil desaparecem, no extremo oposto há abundância. "Todas as multinacionais e as empresas chinesas com ambições globais têm dificuldades de recrutamento na China", diz o caça-talentos Liu Xiujin, da consultoria de recursos humanos Zuo You. Diretor de uma multinacional de "headhunting", Robert Parkinson, da Antal, completa: "Faltam professores de inglês e os alunos não são estimulados a ser criativos, a discutir com seus professores. Poucos saem da universidade com o perfil que o mercado busca". Segundo a Câmera Americana de Xangai, recrutamento é a maior dificuldade das multinacionais no país.


Gerente-geral do Opposite House -o hotel mais badalado de Pequim, com suítes de até US$ 7.000 a diária- o paulista Marcos Pires, 38, é um desses executivos importados. Voltou à China há um ano, depois de ter trabalhado como gerente do hotel Península de Pequim entre 1999 e 2001. Dos 400 funcionários do hotel, 10% são estrangeiros. "Muitas vezes, precisamos ensinar tudo, da higiene à atenção, do sorriso à reação rápida a imprevistos", diz. Ele acha que os serviços na cidade ainda estão longe do ideal. "Hoje, os chineses com melhor formação querem virar diretores na hora."

"Quem sabe inglês e morou fora, quer abrir o próprio negócio e ficar rico. É difícil achar gente com esse perfil disponível no mercado", diz o carioca Felipe Carvalho, 31, que há dois anos dirige a Midship, empresa americana de transporte mercantil. Ele chefia uma equipe de 20 chineses e foi parar no país depois de estudar no Canadá. "Pago US$ 4.000 a funcionários que têm entre 24 e 33 anos, se não eles me trocam em seis meses", conta. Ele também vê vantagens para a carreira em estar na China. "Já pude tomar decisões que nunca poderia na matriz americana", diz. "Ainda há muita desconfiança das empresas estrangeiras." Em tempos de crise nas exportações, Carvalho já diversifica seus investimentos: acaba de inaugurar um restaurante japonês vizinho a seu escritório e pretende abrir um café gourmet. "O café aqui é imbebível."

Um dos perfis mais buscados no mercado é o do chinês que estudou e trabalhou no exterior. "Conhece a cultura e o idioma chineses, mas tem as sensibilidades e o gerenciamento moderno ocidentais", diz o caça-talentos Parkinson. "O jovem chinês tem muitas opções e muita ambição, então não pára no emprego, seja por conta do salário ou porque o chefe é difícil", afirma. "O governo deveria treinar uma geração inteira, de 35 a 50 anos de idade, que cresceu nas velhas estatais e não está muito preparada para o gerenciamento moderno", diz Parkinson.

"Um gerente-geral de uma grande empresa ganhava 20 mil yuans por mês há dez anos. Hoje ganha entre 100 mil e 200 mil yuans (R$ 30 mil e R$ 60 mil). Pode ser menos do que eles ganham na Europa ou nos Estados Unidos, mas o poder e o crescimento da unidade chinesa das grandes empresas atrai os mais ambiciosos", diz o "headhunter" Liu Xiujin.

"Os mais jovens até são mais abertos, mas a criatividade ainda não é o forte", diz o carioca Luiz Villar, 33, que se mudou para Pequim em janeiro, depois de fazer um mestrado em cinema em Londres. Com amigos chineses, abriu a produtora de vídeo Red Boy, especializada em propaganda para internet e celulares. "Ainda é comum que os clientes mostrem uma propaganda que viram no exterior e peçam algo igualzinho. Querem a cópia, sem arriscar", reclama. Ele dá cursos para funcionários da agência Ogilvy sobre linguagem de vídeo. Em seus primeiros meses no país, já fez vídeos para Nokia, Audi, Intel e Lenovo. "No Brasil, não seria sócio de uma produtora. Aqui, o mercado é virgem e há inúmeras possibilidades." Para ele, a crise já chegou, mas não o assusta. Em dezembro, chega em Pequim um amigo paulistano "importado", que trabalhará no setor de 3D da Red Boy.

Segundo a McKinsey, 43% dos executivos de grandes empresas acham que o número de estrangeiros só deve aumentar. Atualmente, 500 mil europeus, 300 mil americanos e 8.000 brasileiros vivem na China.

Fotos: Janek Zdzarski Jr/Folha Imagem

Escrito por Raul Juste Lores às 14h24

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Obama e a China

"No primeiro ano de governo, todo presidente americano arruma tempo para bater na China." Diplomatas e intelectuais chineses repetem essa frase sempre e listam os pontos fracos favoritos dos ocupantes da Casa Branca: produtos baratos que acabam com empregos nos EUA, direitos humanos, ambiente e Tibete.
Seja Obama ou McCain, tudo voltará ao normal, segundo eles. "EUA e China são tão intimamente ligados, econômica e politicamente, que não dá para ser diferente", diz o cientista político Li Qingsi, secretário-executivo do Centro de Estudos Americanos da Universidade Renmin, de Pequim.
"O novo presidente terá que lidar com uma China mais confiante, que terá mais espaço global, seja no Banco Mundial ou com um lugar no G-8."
Em outras épocas, a possibilidade de vitória de um democrata arrepiaria as lideranças comunistas. Um diplomata chinês conta que desde Bill Clinton os democratas são os que mais criticam a China, "por causa de suas ligações com os sindicatos". Mas diplomatas ouvidos pela Folha acham que McCain "lembra muito a Guerra Fria e o anti comunismo" e que Obama, "mais propenso ao diálogo", será melhor para o país.
A China tem US$ 1,9 trilhão em reservas internacionais, a maior parte delas em títulos do Tesouro americano. Nos últimos anos, a poupança chinesa permitiu esse enorme empréstimo às contas no vermelho dos EUA. Já a superpotência compra 20% das exportações do gigante asiático.
Na mídia chinesa, a cobertura é pequena e destaca mais o racismo nos EUA. Blogs dizem que Obama pode ganhar, mas "será controlado por brancos". Segundo a agência de pesquisas Horizon, apenas 35,5% dos chineses prestam atenção à campanha e Obama tem 17,8 pontos de vantagem sobre McCain. Mas a maior parte dos 2.791 entrevistados mora em grandes cidades.


Para ler mais, clique aqui: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft0211200840.htm

Escrito por Raul Juste Lores às 14h10

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PERFIL

Raul Juste Lores Raul Juste Lores, 33, correspondente da Folha em Pequim. Foi correspondente em Buenos Aires e editor de Internacional da Revista Veja e apresentador e editor-chefe do Jornal da Cultura, na TV Cultura.

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