Raul na China
raulnachina
 

Beleza em Bangladesh

AGA KHAN AWARDS: METI School of Rudrapur, Aga Khan Awards For Sustainable Architecture in the Islamic World, Rudrapur, Bangladesh, Rural school in Bangledesh, Bengali Architecture

Poucas coisas me emocionam tanto quanto um projeto arquitetônico que une beleza, responsabilidade social e que demonstra que é possível fazer muitíssimo sem gastar milhões. Essa escolinha na cidade de Rudrapur, em Bangladesh, um dos países mais pobres do mundo, vizinho da Índia, recebeu recentemente um prêmio de arquitetura. Não é difícil adivinhar o porquê... Escola bonita e agradável é um dos primeiros passos para mostrar a importância da educação para alunos e vizinhos. Obra dos arquitetos e voluntários Anna Heringer e Eike Roswag.

Não tem nada a ver com a China, admito, mas é bom quebrar regras. Sugestão dos amigos Zazi Aranha Correa da Costa e Marko Brajovic (que é ótimo arquiteto e também trabalha com bambu).

(Fotos: Aga Khan Awards)

Escrito por Raul Juste Lores às 02h18

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Circo chinês

Para evitar que este blog fique monotemático, falando só de economia e crise, o antídoto é mostrar um pouco da China profunda. Este circo foi montado no zoológico de Fuzhou, na Província de Fujian, costa leste do país. Se a PETA souber... Será que eles sofrem?

(fotos: CFP)

Escrito por Raul Juste Lores às 12h17

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O trem-bala chinês

(aqui vai a reportagem que cito dois posts abaixo. Boa leitura!)

 


Trem liga a capital Pequim ao porto de Tianjin

viagem ao futuro

texto e foto por Raul Juste Lores, em Tianjin

Os passageiros parecem não estar nem aí com a viagem ou com o destino. Ao desembarcar do trem-bala que liga Pequim ao porto de Tianjin, boa parte dos 600 turistas continua na estação, tirando fotos da locomotiva, das comissárias de bordo, do novo terminal.

Inaugurado há dois meses, o primeiro trem de alta velocidade da China é motivo de orgulho nacional. É considerado o mais rápido do mundo: atinge 350 km/h em todas as viagens.

Ele percorre os 120 quilômetros entre as duas grandes cidades em 30 minutos (desconhecida no exterior, Tianjin tem 6 milhões de habitantes). Um terço do tempo necessário para percorrer a distância de automóvel.

"De carro levava uma hora e meia. Agora pretendo viajar mais vezes e até fazer negócios", diz Liu Chao, que trabalha em uma empresa de celulares. "Gastava 70 yuans (R$ 23) só em pedágios."

As passagens custam entre 58 yuans e 99 yuans (R$ 17 e R$ 27, respectivamente). Há dez trens fazendo 43 viagens por dia, com intervalos de 10 a 20 minutos. Cada um leva 600 passageiros. A estação recém-reformada e ampliada, Pequim Sul, é a maior da Ásia, com pé-direito altíssimo, teto de vidro e painéis solares. Tem 24 plataformas, já pensando nos futuros trens que pararão ali.

Pontual, limpo e confortável, mas sem os luxos do congênere japonês Shinkansen (que tem tomadas para laptops e para carregar bateria de celular e que oferecerá acesso à internet sem fio em março), ele virou programa por si só.

Muitos admitem que só embarcavam para Tianjin por causa do trem, retornando no mesmo dia, mas aproveitariam a viagem para comer frutos do mar.

Para um país onde carros particulares só começaram a se popularizar há cinco anos, o trem-bala é a prova do progresso chinês, colocando o país à altura da União Européia ou do Japão.

Projeto grandioso
Como quase tudo na China, o trem-bala é apenas o início de um projeto grandioso. O governo pretende inaugurar 16 deles até 2012, ano em que deve ser aberta a linha Pequim-Xangai. O trajeto passará a ser feito em quatro horas (a uma velocidade de 380 km/h), contra as dez horas atuais. Com 1.318 quilômetros, será a mais extensa linha direta de alta velocidade do mundo.

"Buscamos o desenvolvimento harmonioso do país, levando ferrovias para diferentes regiões", disse à Revista o porta-voz do Ministério das Ferrovias da China, Wang Yongping.

Apesar de ser apenas 10% maior que o Brasil em território, a malha ferroviária da China é quase o triplo da brasileira. Dos atuais 78 mil quilômetros, deve chegar a 100 mil em 2020.

O governo chinês investiu 960 bilhões de yuans (R$ 240 bilhões) em sua rede de ferrovias, em 40 parcerias entre o governo nacional e as Províncias chinesas.

Em tempos de desaceleração global, a China usa seus recheados cofres para incentivar o crescimento e dar empregos nas grandes obras.

Foi criada uma comissão interministerial no mês passado para estudar o financiamento de futuras linhas, a aquisição e a pesquisa interna de nova tecnologia para diminuir a dependência de fornecedores estrangeiros. O ministro da Ciência e Tecnologia, Wan Gang, que dirigiu o setor de veículos híbridos da Audi, encabeça o grupo.

Alta densidade
"Há 400 milhões de pessoas morando entre as regiões de Pequim e Xangai. É uma aposta alta, de risco, mas eles têm muito dinheiro para gastar e a escala chinesa ao lado deles", diz o consultor americano Richard Brubaker, especialista em logística, da Câmara de Comércio Americana em Xangai.

A linha de 120 quilômetros entre Tianjin e Pequim custou o equivalente a R$ 5 bilhões. A segunda linha em construção, de 300 quilômetros e que liga Xangai a Nanjing, está orçada em 40 bilhões de yuans (R$ 10 bi).

O trem de alta velocidade entre São Paulo, Rio de Janeiro e o aeroporto de Viracopos, de 500 quilômetros, deve custar R$ 20 bilhões.

Mas nem tudo é luxo na China. Na chegada à nova e reluzente estação ferroviária de Tianjin, os passageiros são assediados por dezenas de taxistas clandestinos e vendedores ambulantes bem humildes, retratos da desigualdade chinesa, que tentam pegar carona no desenvolvimento chinês.

 


Escrito por Raul Juste Lores às 15h34

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Álbum de casamento

230 policiais que fizeram a segurança na Olimpíada se casaram ontem aqui em Pequim em frente ao Ninho de Passarinho. O estádio continua deserto, mas virou um cenário e tanto para fotos.

(Foto: Xinhua)

Escrito por Raul Juste Lores às 13h59

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A China vai de trem contra a crise

Publiquei ontem na Revista da Folha uma reportagem sobre os trens de alta velocidade chineses. O governo aprovou neste fim de semana um pacotão de 2 trilhões de yuans (R$ 600 bilhões) para a construção de uma série de projetos ferroviários, “para estimular o crescimento econômico em meio à crise financeira”, como descreveu a agência estatal Xinhua.
Por conta da crise nos mercados americano e europeu, a China quer compensar a queda na demanda de suas exportações com mais consumo doméstico e grandes investimentos em infra-estrutura. A China terá 90 mil quilômetros de ferrovias até 2010 (o triplo do Brasil).
Copio abaixo a reportagem e incluo fotos minhas do primeiro trem-bala chinês e do destino final, Tianjin. A cidade vai precisar de muito esforço para virar destino turístico. Por enquanto, o melhor a se fazer é voltar no próximo trem...

a estação de Pequim-Sul

a cidade de Tianjin

(as fotos são minhas... acho que estou evoluindo)

Escrito por Raul Juste Lores às 12h07

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O Al Gore chinês



MA JUN , 40, é o ambientalista mais famoso da China, país responsável por algumas das maiores devastações ambientais do planeta nas últimas décadas e atual campeão mundial de emissões de gases de efeito estufa. Apontado como uma das cem personalidades mais influentes do mundo pela revista americana Time, ele foi premiado pelo governo chinês como o "homem do ano na China Verde" em 2006.

"O governo sabe que a poluição é o maior problema hoje da China, foco de protestos, doenças e instabilidade social, então não sou visto como dissidente, meu trabalho é útil", diz.
Ele criou um site na internet (www.ipe.org.cn) que revela quais são as empresas que mais lançam detritos químicos nos rios chineses e monitora atividades de governos locais.
Na década passada, como jornalista, escreveu sobre a seca do rio Amarelo e o "estuário da morte" no delta do rio das Perólas, antes de criar sua ONG, o Instituto de Assuntos Ambientais Públicos. Em 1999, escreveu o considerado primeiro grande livro sobre a tragédia ecológica no país, "A Crise da Água na China". Leia abaixo trechos da entrevista que concedeu no escritório de sua organização, em Pequim.



TENSÃO POLÍTICA
O estrago ambiental é a maior causa de protestos e tensão social na China. Trezentos milhões de chineses não têm acesso a água limpa, 200 milhões vivem em cidades com o ar poluído. Dois terços das 600 grandes cidades chinesas sofrem com falta d'água. Há milhares de incidentes, protestos e passeatas. O governo começou a se preocupar. Estabilidade é o maior objetivo do governo.

MUDANÇA SINCERA
Nos anos 1980 e 1990, o discurso aqui era o de desenvolvimento a qualquer custo. Hoje é o da sustentabilidade. É uma mudança sincera, importante. A crise ambiental começou a preocupar muito. Não passa uma semana sem que surjam dezenas de intoxicados por água contaminada, obras que destroem o pouco verde que nos resta. Isso afeta nossa relação com outros países.

VERDE X PROGRESSO
Ainda é difícil transferir essa prioridade do governo em Pequim para os governos locais. Há prefeitos que me ligam muito bravos, perguntando como vão fechar uma fábrica que paga impostos e emprega 6.000 funcionários. Para eles, o desenvolvimento econômico a qualquer preço ainda está em primeiro lugar. Na China, prefeitos ainda são promovidos pelo crescimento do PIB e esse mecanismo precisa mudar.

SACOS PLÁSTICOS
Quando proibiu a distribuição gratuita de sacolas plásticas em supermercados, no início do ano, o governo chinês finalmente teve uma atitude de liderança. Normalmente só seguimos as boas práticas começadas no Ocidente. Nesse assunto, somos vanguarda. Ainda que muita gente esteja comprando os plásticos, é bom que ao pagar, o consumidor consciente veja sua responsabilidade. Gastávamos 2 bilhões de sacolinhas por dia.

LISTA DOS POLUIDORES
Criei o mapa da contaminação da água na China. Pegamos os dados oficiais sobre o tamanho dos dejetos lançados em rios e lagos em 300 cidades e os tornamos públicos. Temos 23. 405 registros de empresas que desrespeitam a lei. Elas que se expliquem. Há um monitoramento de quatro vezes por ano sobre os padrões de concentração química dos dejetos que elas lançam. Há forças-tarefas e visitas de surpresa. Pela quantidade de demanda de oxigênio químico para purificar a água, vemos quando está poluída.

PROPAGANDA
Empresas ficam bravas, prefeitos também. Não é contra eles. O gerente de uma empresa americana viu o nome dela em uma lista e prometeu construir novos equipamentos de tratamento. Outras reciclam água. Cerca de 70 multinacionais se inscreveram na ONG para acompanhar seus avanços, elas ficam preocupadas com nossa guerra de propaganda, com a repercussão. Já as empresas pequenas não estão nem aí.

IMAGEM É TUDO
No futuro, quero que qualquer grande empresa, antes de fazer negócios, procure no site o nome do fornecedor para ver se ele respeita o ambiente. Imagem corporativa é tudo, as empresas gastam muito para falar que são verdes, vamos ver quem é mesmo. A GE e a Wal-Mart estão usando nosso banco de dados, é um começo.


PARTILHA
As grandes fábricas do mundo se mudaram para a China. É vantagem para os dois lados: a China ganhou investimentos, o mundo recebe produtos mais baratos, e as cidades européias e americanas ficaram menos poluídas. Mas o impacto ambiental é só aqui. Reconhecemos que é nosso problema, mas os países desenvolvidos precisam se juntar a nós para resolver um problema de todos.

NÃO É NOSSA VEZ
Não dá para só culpar os países ricos e ficar poluindo sem parar. Isso é um erro, que se volta contra nós. Discordo dessa visão: "Ah, os ricos poluíram, agora é nossa vez". Quem perde somos nós. No futuro, espero que o mercado decida não pelo mais barato, mas pelo melhor. Os padrões ambientais não podem ficar de lado.

LONGE DA VIRADA
Mesmo que reduzamos 10%, 20% da poluição, o ambiente ainda não está preparado para absorver a poluição que produzimos. Estamos longe da virada. Em tempos de crise, com fábricas fechando e demitindo, a atenção precisará ser dobrada. Muitos vão defender relaxamento nas regras ambientais.

ATIVISMO
Há muito espaço para progredir na China. Durante milênios, nossa cultura não incentivou a participação, nem a transparência. A sociedade civil ainda é pouco ativa, mas melhorou muito. Cinco anos atrás seria impossível fazer o meu trabalho em paz, hoje há espaço para o ativismo. Há limites, tomo cuidado e tenho muita paciência.

MAIS TRANSPARÊNCIA
A China mudou. Há leis que exigem relatórios de impacto ambiental para a abertura de fábricas desde 2003, mas nem todos implementam. O governo chinês abriu os dados, há mais transparência. Em maio passado, o governo aprovou medidas de revelação de informação ambiental, com 17 dados que precisam estar abertos.


Fotos: China Environmental News, TreeHugger

Escrito por Raul Juste Lores às 15h55

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A premiação do dissidente mais famoso

(pequeno comentário antes do texto sobre a premiação da União Européia ao preso político mais famoso da China: o reconhecimento de Hu Jia é uma senhora mudança, que só faz bem à China. Loucos para fazer negócios com a nova potência asiática, países de todas as latitudes têm deixado de lado o presente repressivo do governo chinês. Globalização não é só vender produtos para o mundo inteiro e fazer PIB _ o escrutínio de suas ações também cresce e a China precisa começar a aceitar as opiniões diferentes, de dentro e de fora. Gente como Hu Jia é uma bênção para o país, com enorme déficit de debate, discussão e senso crítico nos últimos anos, estimulados pelo Partido. Xiii, o comentário ficou grande...)

Um dos mais famosos presos políticos chineses, o blogueiro Hu Jia, 35, recebeu ontem o Prêmio Sakharov de Direitos Humanos do Parlamento Europeu. Hu está preso desde abril, condenado a três anos e meio de prisão por "incitar subversão contra o Estado".
Conhecido pela defesa de causas tão diversas como os direitos dos pacientes soropositivos no país, a liberdade de expressão e o meio ambiente, Hu foi condenado depois de uma série de textos em seu blog, "A China Real e a Olimpíada", co-escritos com o advogado Teng Biao, e de entrevistas a jornais estrangeiros criticando o aumento da repressão às vésperas da Olimpíada de Pequim.
O Parlamento Europeu o descreveu como "símbolo maior dos problemas de direitos humanos na China". "Ele representa todos os cidadãos chineses e tibetanos que são reprimidos: advogados, jornalistas, peticionários, escritores e blogueiros", diz a nota.
O governo chinês acusou ontem Hu Jia de ser um "criminoso" e atacou a decisão do Parlamento Europeu como "interferência em assuntos domésticos e violação de normas internacionais", segundo o porta-voz da Chancelaria Liu Jianchao.
Pequim abriga a partir de hoje o Encontro Ásia-Europa, com 43 países convidados. "Com tantos assuntos internacionais urgentes, é muito trivial que tenhamos que discutir Hu Jia", disse o porta-voz.
Ao saber que ele era um dos finalistas ao prêmio, o embaixador chinês para a União Européia, Song Zhe, escreveu carta ao Parlamento dizendo que, "se Hu Jia for premiado, inevitavelmente vai ferir os sentimentos do povo chinês e trazer sérios danos às relações da UE com a China".
A mulher de Hu Jia, Zeng Jinyan, 25, também ativista, ficou detida em um hotel em Dalian, a 463 km de Pequim, durante a Olimpíada. Há duas semanas, quando rumores apontavam que Hu Jia poderia receber o Nobel da Paz, seu telefone foi desligado. Ela vive sob vigilância policial com a filha de onze meses, Qianci.

Desconhecido
Hu Jia é famoso no exterior, mas absolutamente desconhecido na China - a mídia estatal ignora seus atos e censura notícias sobre ele. Hu começou seu ativismo em uma associação de pacientes soropositivos na Província de Henan, onde camponeses foram contaminados depois de terem vendido o seu sangue -ele foi preso em 2002 pela polícia local.
O blogueiro e a mulher ficaram sob prisão domiciliar de agosto do ano passado, quando ela ainda estava grávida, até abril, quando Hu foi julgado e condenado.
A família mora em um conjunto habitacional chamado Cidade Liberdade.
Em seu blog, ela narra as condições do marido, que tem cirrose hepática e raramente recebe qualquer tratamento médico na prisão. Dezenove cartas que ele escreveu para sua família desde que foi preso foram confiscadas, segundo Zeng.
"Provavelmente ele não sabe que ganhou o prêmio", disse à Folha o advogado Teng Biao, um dos melhores amigos de Hu. "O prêmio não é bom apenas para ele, mas também para todos que se preocupam com os direitos humanos na China. Pessoas que trabalham nessa área sofrem muito aqui. Sem a atenção de fora, a situação poderia ser pior", diz Teng.

(Foto: site do Parlamento Europeu)

Escrito por Raul Juste Lores às 08h56

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China precisa dos emergentes

A China vai acelerar uma série de transformações em sua economia para enfrentar a recessão global. A receita anticrise inclui o aumento das participações da Ásia, da África e da América Latina como destinos das exportações do país, o estímulo ao consumo interno e investimentos bilionários em infra-estrutura.
Representando apenas 5% do PIB mundial, a China não terá como garantir sozinha o crescimento mundial se os Estados Unidos, o Japão e a União Européia entrarem em recessão. Mas as novas diretrizes do Partido Comunista indicam que, pelo menos, o governo acredita que o país pode ficar blindado e continuar a crescer.
A União Européia e os Estados Unidos respondiam por mais de 50% das exportações chinesas havia cinco anos. Hoje, elas representam 38,5%, e estão em queda. A Ásia fica com 46,9%, a América Latina com 4,9% e a África com 3,5%.
Um quarto do crescimento das exportações da China no ano passado foi para a América Latina e a África.
Como a China exporta produtos de maior valor agregado a países emergentes, de eletrodomésticos a computadores, de maquinaria industrial a trilhos e contêineres, o redirecionamento das exportações chinesas também busca valorizar os produtos que empregam mais tecnologia.

CRISE NOS PRODUTOS BARATOS, INFLAÇÃO À VISTA

Minimizando o impacto da queda de demanda de europeus e americanos, a China também começa a sacrificar dois setores que foram chave no início de sua reindustrialização, há 20 anos: têxteis e brinquedos.
Os produtos mais baratos, de tênis a bonecas, já estavam afetados antes mesmo da quebradeira em Wall Street. A moeda chinesa se valorizou quase 20% nos últimos dois anos, os salários dos operários das linhas de montagem aumentam 10% ao ano e o custo das matérias-primas e dos fretes diminuíram a competitividade chinesa em alguns setores.
Cerca de 15 mil fábricas fecharam neste ano na região do Delta do Rio Pérola, o ABC chinês, de onde sai um terço das exportações do país. Do total, 3.631 fábricas de brinquedos fecharam em 2008, 52% do total.
O peso das exportações de baixo valor agregado que utilizam mão-de-obra intensiva é de 25% (elas já foram responsáveis por dois terços das exportações chinesas, há 15 anos).

TERCEIRA ONDA DE REFORMAS

"O Partido Comunista fez as contas e viu que parte da produção de brinquedos e têxteis era de baixo valor agregado, paga salários muito baixos e é muito poluidora. Então, os incentivos a essas áreas estão desaparecendo, a China quer outro tipo de indústria", disse à Folha o economista Andy Rothman, macroestrategista para a China do banco de investimentos CLSA, em Xangai.
"É a terceira onda de reformas econômicas desde 1978, que começa agora. Haverá alguns setores sacrificados, mas a longo prazo faz sentido."
Na quinta-feira, 4.000 empregados protestaram em Dongguan após a falência das duas fábricas de brinquedos da Smarts Union, com 6.000 funcionários, que estão há seis semanas sem receber salários.
"Acho que é cedo demais para a China abandonar parte de suas manufaturas", reclama o empresário Mickey Kong Chun, da empresa Jetta Toys. A empresa é a maior do gênero no país, com 40 mil empregados em seis fábricas, entre Guangzhou e Dongguan.
"Nossa vasta mão-de-obra ainda não está preparada para essa transição", afirmou Kong Chun à Folha, reforçando que até mesmo grandes empresas exportadoras sentem os reflexos da crise.
As exportações chinesas só devem crescer 5% no ano que vem -o pior número em dez anos. Há 20 milhões de trabalhadores no setor exportador do país, mais do que toda a população da Grande São Paulo.

Foto: AP (o setor de brinquedos é o mais afetado na indústria exportadora chinesa)

Escrito por Raul Juste Lores às 08h19

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Reforma agrária às avessas

(Essa reforma pretende aumentar o poder de consumo dos 700 milhões de camponeses da China; mas que há riscos, há... imaginem se 10% deles decidem vender suas terras ao mesmo tempo? o preço vai ao chão... com esse dinheirinho, eles no máximo virarão favelados nas grandes cidades chinesas. A atual situação é triste, mas o futuro é incerto) 

Os camponeses chineses poderão arrendar, trocar e até usar suas terras como garantia para empréstimos, após a aprovação da reforma rural pelo Comitê Central do Partido Comunista _ o governo começou a dar detalhes a conta-gotas no fim de semana.

A mudança atinge 900 milhões de chineses. Segundo a mídia estatal, a reforma busca aumentar a renda dos camponeses, que vivem da subsistência em sua maioria.
Diante do temor de que uma recessão mundial atinja fortemente a indústria exportadora do país, o Partido Comunista quer estimular o consumo interno e espera que a medida aumente o poder de compra de dois terços da população.
Em nota, o Partido Comunista afirmou que a renda dos agricultores dobrará até 2020. Atualmente, é de 4.140 yuans por ano (equivalente a R$ 111 mensais), 3,3 vezes menor que a dos habitantes das cidades.
No mesmo comunicado, o partido promete criar uma moderna rede de financiamento à agricultura, investir mais no campo e equilibrar o desenvolvimento entre o interior e as grandes cidades.

BAIXA PRODUTIVIDADE

Há exatos 30 anos, quando Deng Xiaoping começou a abrir a economia do país e deixar o comunismo de lado, os agricultores ganharam o direito de explorar individualmente pequenas parcelas de terra em concessões de 30 anos, mas não podiam passá-las adiante. Toda a terra do país ainda pertence ao Estado.
A partir de agora, os moradores da zona rural terão concessões de terra por 70 anos, e são essas propriedades (de 0,6 hectare em média, ou 6.000 metros quadrados), que eles poderão arrendar para outros produtores rurais.
O governo chinês diz que as propriedades fragmentadas e de poucos recursos são responsáveis pela baixa produtividade do campo e pela falta de investimentos no negócio agrícola. Quedas na produção levaram a aumento de preços na cesta básica chinesa e a inflação no ano passado.

ECONOMIA DE ESCALA, CAPITALISMO NA TERRA


Esta é a terceira reforma agrária do país. Entre 1949 e 1978, Mao Tsé-tung forçou a criação de fazendas coletivas, abolindo qualquer propriedade privada. A produção entrou em colapso e o país passou por escassez alimentar em longos períodos -o pior deles, entre 1956 e 1959, quando morreram 30 milhões de pessoas.
Em 1978, o retorno a propriedades individuais produziu um grande aumento de produtividade, mas a subida se estagnou na última década. "A produção rural precisa ganhar economia de escala", disse o presidente Hu Jintao ao final da reunião do comitê.
O especialista em estudos do campo Dang Guoying, da Academia Chinesa de Ciências Sociais (ligada ao governo), diz que o desenvolvimento rural ficou para trás e que o país precisa de contratos mais livres e direitos de uso da terra mais flexíveis. Ele critica a excessiva fragmentação atual das terras.
"Agora os agricultores poderão negociar com suas terras, usá-las para gerar lucros, o que poderá ajudar sua instalação nas cidades", diz.

FUTUROS FAVELADOS?


Mas há críticos da nova reforma, que dizem que os latifundiários, maiores vilões da China no início da Revolução Comunista, podem voltar.
O professor do Centro de Estudos das Vilas Rurais da Universidade de Huazhong, He Xuefeng, disse que a reforma é fruto das pressões "capitalistas" e que os camponeses podem ficar sem sua terra e sem futuro nas grandes cidades.
"Hoje em dia, quando um camponês não consegue trabalho na construção civil ou nas linhas de montagem, ele sabe que pode voltar a seu pedacinho de terra, que não vai passar fome", disse à Folha.
"Nessa nova estrutura, a China pode passar a ter vastas favelas ao redor das cidades, não estamos preparados para tal êxodo rural." Ele acha que a sobrevivência de milhões estará "em risco".

(Foto: Xinhua)

Escrito por Raul Juste Lores às 08h12

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2,5 milhões de desempregados

Cerca de 2,5 milhões de trabalhadores podem perder seu emprego nos próximos três meses no setor chinês mais dependente da economia mundial: o exportador.
O cálculo é da Federação de Indústrias de Hong Kong. Em entrevista ao jornal "South China Morning Post", o diretor da federação, Clement Chen Cheng-jen, disse que os efeitos da crise econômica afetarão também bancos e serviços.
Empresários de Hong Kong são donos de 60 mil fábricas no sul da China. Elas empregam 11 milhões de pessoas e produzem de computadores a têxteis. EUA e União Européia já estão comprando menos da China, mas os efeitos da recessão global devem afetar mais ainda o pólo manufatureiro mundial.
"Estamos muito, muito preocupados", disse Chen. "Nossa percepção é grave, até médio prazo, e a recessão vai durar um bom tempo." Ele prevê que pelo menos 15 mil fábricas fecharão até o fim de janeiro.
Os 1.500 funcionários da fábrica BEP, de eletrodomésticos, foram avisados ontem de que a empresa fecharia hoje. Ela fica em Shenzhen, cidade de 8 milhões de habitantes que concentra milhares dessas fábricas. A fábrica de roupas U-Right International fechou na semana passada e demitiu 500.
O governo de Hong Kong anunciou ontem que oferecerá linhas de crédito a pequenas e médias empresas. "O setor das fábricas para exportação já estava sofrendo há alguns anos, com o aumento dos custos de matérias-primas e dos salários e com a apreciação do yuan diante do dólar", disse à Folha a chefe do Escritório de Análise Econômica do governo de Hong Kong, Helen Chan.
"O governo chinês deu estímulo por muito tempo e retirou incentivos nos últimos anos, deixando que o mercado resolvesse quem sobreviveria, mas acho que, diante dessa situação, o suporte para essas empresas é necessário."
Para Chan, por duas décadas o casamento entre a China continental e Hong Kong foi perfeito. A ex-colônia britânica, hoje com administração autônoma, ficava com a logística, as marcas, o controle de qualidade e o porto avançado. Já a vizinha região do delta do rio Pérola, com 40 milhões de habitantes, oferecia mão-de-obra abundante para as fábricas.
A competitividade não é mais a mesma e a desaceleração dos mercados mundiais já atinge a região, onde 20 milhões de pessoas trabalham na indústria exportadora.

Protestos
O caso que provocou maiores protestos até agora foi a falência da fábrica de brinquedos Smart Union, que deixou 6.500 funcionários na rua.
Cerca de mil funcionários protestaram na semana passada por salários não recebidos em Dongguan, no sul da China.
O setor de brinquedos para exportação é um dos mais afetados pela desaceleração econômica na União Européia e nos Estados Unidos, os dois maiores compradores dos produtos chineses: 3.361 fábricas fecharam apenas neste ano.
A Smart Union era fornecedora de empresas como Mattel e Disney e não pagava salários havia semanas para os seus 6.500 funcionários. "A maior razão para o fechamento é que somos muito dependentes do mercado dos EUA, que ficou ocioso", afirmou Xu Xiaofeng, executivo da empresa.
No início deste mês, o governo de Dongguan estabeleceu um fundo de 1 bilhão de yuans (R$ 300 milhões) para ajudar pequenas e médias empresas afetadas pela crise nas exportações. Críticos dizem que ele chegou tarde demais.

(Foto é a da Asia News; um corretor de imóveis se veste de astronauta para tentar atrair compradores; quer cena mais enfática da crise no setor imobiliário daqui?)

Escrito por Raul Juste Lores às 08h53

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Liberou geral

A partir de hoje, jornalistas estrangeiros podem entrevistar chineses sem precisar pedir permissão do governo, e podem viajar pelo país todo, com exceção do Tibete, sem precisar autorização da Chancelaria. As regras eram consideras excepcionais entre janeiro de 2007 e 17 de outubro de 2008, por causa da Olimpíada.

Hoje o governo chinês relaxou e disse que as regras serão padrão a partir de agora. Falta combinar com milhares de prefeituras e governos provinciais, que adoram te parar na rua e dizer que você precisa de permissão... Mas já é um avanço.

Foto: Xinhua

Escrito por Raul Juste Lores às 16h17

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Pós-nacionalismo

Até os chineses têm se cansado das periódicas campanhas nacionalistas do governo e dos exaltados jovens que só querem agradar o Partido. Depois de ver gente colando o mapa e a bandeira chinesa no rosto nos últimos meses, fazendo campanhas na Internet contra França, EUA, Japão e afins, essa camiseta acima equilibra as coisas. Ela diz: "Eu amo países estrangeiros".

Escrito por Raul Juste Lores às 16h08

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A China vai se safar da crise?

Aos leitores que pediram mais histórias sobre como a China encara a crise, vou começar a postar algumas historinhas aqui. Estive em Hong Kong na semana passada e, mesmo naquela cidade chinesa com governo autônomo, sem a propaganda onipresente de Pequim, os economistas aindam são moderadamente otimistas com o desempenho chinês. Será que inventaram uma vacina local? Crescimento de 7,9% não é nada mau...

Pela primeira vez em uma década, o crescimento chinês está sendo revisto para baixo. Diversos economistas prevêm que em 2009 o PIB chinês crescerá abaixo de 8%, o pior desempenho em dez anos.
No ano passado, quando cresceu 11,9%, a China foi responsável por mais de um terço do crescimento da economia global. Esse período exuberante parece chegar ao fim, ainda que, comparado a EUA, Japão e União Européia, o país é a única potência que parece driblar a crise econômica, conservando certo otimismo.
"Apesar de relativamente isolados da crise, os efeitos no crescimento chegarão mais tarde e de forma indireta", diz o economista Stephen Green, do banco Standard Chartered, em Xangai.
O primeiro setor a sofrer o baque global é o das exportações. Apesar de ter crescido 20% em valores nominais no primeiro semestre deste ano, o volume de mercadorias é praticamente o mesmo. Depois de cinco anos consecutivos crescendo a taxas anuais de 20%, as exportações chinesas não devem crescer mais que 5% no ano que vem.
Com menos demanda e menos crédito de um lado, e preços altos de matérias-primas, aumento dos salários na China e apreciação da moeda local, o yuan, mais de 10 mil fábricas de manufaturas fecharam no cinturão industrial do país, na Província de Guandong, a mais populosa. As mais afetadas são de brinquedos e têxteis de baixo valor agregado.
A queda nos preços do petróleo, do ferro e do cobre é um inesperado alívio para os exportadores chineses que mais dependem da importação intensiva de matérias-primas para fabricar seus produtos, assim como custos de frete e transporte marítimo.
O maior desafio da China, por enquanto, é o de fortalecer o consumo interno, que poderia salvar a indústria exportadora e garantir o crescimento.
"O crescimento menor do PIB não é uma notícia de todo ruim. O ritmo menor vai afastar os riscos inflacionários de um país que crescia acima de suas capacidades", disse à Folha o economista-chefe para a China do Royal Bank of Scotland, Ben Simpfendorfer.
"O governo chinês está esperando uma oportunidade para implementar políticas pró-demanda interna e balancear o crescimento econômico do modelo exportador para o consumo, e agora tem uma chance", diz.

Retração
Mas, também nesse front, há más notícias. A venda de automóveis caiu 5% no último bimestre comparado a 2007, e a venda de apartamentos foi 14% menor no primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado.
"As ações caem, os preços dos imóveis também caem, há queda nas exportações e notícias ruins sobre a economia americana. É impossível o consumidor chinês não se retrair", diz Chris Shiu Kay Leung, do banco DBS.
Ao contrário de outros países, o setor bancário chinês parece mais saudável para enfrentar a crise.
"O impacto bancário da crise é reduzido, pois bancos chineses jamais entraram no negócio de derivativos, as hipotecas exigem de 20% a 40% de depósitos iniciais e a dívida de cartões de crédito é bem limitada", afirma Green.
Mas o economista diz que, se setores como o exportador e o da construção civil sofrerem mais falências, os bancos podem enfrentar um problema conhecido. Dívidas que dificilmente serão pagas.


(Foto: Xinhua; mas o presidente Hu Jintao está mais sisudo que de costume)

Escrito por Raul Juste Lores às 10h38

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Marta tem momento Bush

(Apesar de estar a 11 horas de diferença de fuso de São Paulo, não posso ignorar a deprimente campanha a prefeito de São Paulo... Pela falta de idéias originais, de candidatos que empolguem ou de qualquer faísca de esperança de que a cidade vá melhorar pra valer. Mas, com a recém-promovida baixaria, não pude ficar quieto. A Folha publicou hoje esse texto abaixo. Prometo voltar a China no próximo post)

A exploração da solteirice alheia foi uma alavanca no início da carreira de George W. Bush. Ele concorria a seu primeiro cargo eletivo, o governo do Texas, em 1994. Sua rival era a governadora democrata Anne Richards, divorciada e com quatro filhos, que tentava a reeleição.
A campanha de Bush espalhou que Richards era lésbica. Apesar da popularidade de 60%, Richards foi derrotada. O assessor do republicano, Karl Rove, foi chamado de gênio.
Na política texana, Richards era incomum. Com posições liberais sobre aborto e gays, foi responsável por reforma econômica no Estado elogiada até por rivais. Ela morreu em 2006, aos 73 anos, e jamais respondeu à propaganda republicana.
Rove continuou com ênfase na alcova para vencer eleições. Plebiscitos contra o casamento gay estimularam o eleitorado conservador a reeleger Bush em 2004. Ele tentou repetir em 2006, mas os republicanos perderam a eleição parlamentar.
Em outros eleitorados, a audiência da vida pessoal dos políticos está em queda. O prefeito de Hamburgo, na Alemanha, Ole Von Beust, diz que sua vida privada não interessa a eleitores. Seu pai declarou que o filho é gay. Beust não desmentiu e ninguém tocou mais no assunto.
Em Montevidéu, sem o menor barulho, o arquiteto solteiro e sem filhos Mariano Arana foi prefeito por dez anos.
Nem os tablóides britânicos desvendaram a vida privada do ex-prefeito de Londres Ken Livingstone. Não se sabia nem se era casado. Ele só revelou que teve três esposas e filhos com cada uma delas após deixar a prefeitura, em maio. O conterrâneo primeiro-ministro Gordon Brown só se casou aos 50.
O presidente francês Nicolas Sarkozy e sua derrotada adversária Ségolène Royal se divorciaram de seus respectivos após a campanha. Fora o magnetismo de Carla Bruni, os divórcios renderam mais interesse às revistas de celebridades que a eleitores.
Já os prefeitos de Paris e Berlim, Bertrand Delanoë e Klaus Wowereit, assumiram sua homossexualidade na campanha. Foram eleitos em 2001 e estão em seu segundo mandato.
Tempos difíceis para a escola moralista de Karl Rove. Que hoje é comentarista na rede de TV Fox News. Na campanha de McCain contra Obama, ele está desempregado.

(Foto: Governo do Texas)

Escrito por Raul Juste Lores às 05h02

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Carnaval em Nanjing

Mil desculpas aos cinco leitores do blog: estive viajando esta semana, correndo atrás das histórias da crise econômica que está por vir (ainda que na China, ela pareça mais suave que no resto do mundo) e deixei o blog de lado. Prometo me recuperar esta semana. E para não falar de desgraças financeiras, deixo estas fotos do chamado "Carnaval Agrícola de Nanjing", festa na cidade do centro-sul da China, que é um mix de exposição agrícola, comilança e delírio kitsch. Bom proveito.

(Fotos: Xinhua)

Escrito por Raul Juste Lores às 13h35

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PERFIL

Raul Juste Lores Raul Juste Lores, 33, correspondente da Folha em Pequim. Foi correspondente em Buenos Aires e editor de Internacional da Revista Veja e apresentador e editor-chefe do Jornal da Cultura, na TV Cultura.

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