Raul na China
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Onde o pop não tem vez

Aproveitem para ver o Muse, uma das minhas bandas favoritas, que toca hoje em São Paulo. Como este blogueiro já foi acusado de criticar muito o Brasil (mas mantenho que Cumbica e os shoppings paulistanos são horrendos), vai aqui um elogio a minha querida cidade. Em uma semana em Sampa há mais agitação cultural que em meses e meses em Pequim. A programação nos cinemas chineses é indescritível (aqui só 20 filmes estrangeiros podem estrear por ano, e qualquer nudez, sexo ou violência já servem para a proibição de longas). Então só exibem filme infantil de Hollywood ou de ação de kung-fu... Shows internacionais são escassos (em 2008, só James Blunt cantou na capital; SP teve na mesma época Interpol, Rufus Wainwright, Muse, Macy Gray, Herbie Hancock, Muse, Bajofondo Tango Club, entre outros). Como dinheiro não é tudo na vida, Pequim ainda é uma cidade provinciana... Por favor, tratem de ir ver _ a banda é talvez o mais próximo ao Queen que a Inglaterra já produziu.

Minha amiga Sylvia Colombo escreveu sobre o Muse hoje na Ilustrada, com o talento de sempre: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq3107200812.htm

Sobre a vida musical em Pequim, dá para ler aqui: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk2307200813.htm

Escrito por Raul Juste Lores às 12h36

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Amores proibidos na China

Guo Jingming e Han Han são dois dos escritores que mais vendem na China. O sucesso da literatura para adolescentes no país é tema de reportagem hoje que fiz no Folhateen. Pelo que os entrevistados me dizem, a sociedade chinesa é como a brasileira, só que a de trinta anos atrás.

Na China, a modinha é ler livros de autores com menos de 25 anos, narrando amores proibidos, depressão e suicídio

Aos 15 anos de idade, Tang Chao padece as chateações de celebridade literária. Todo dia quando sai da escola secundária, uma fila de pais aflitos tenta tirar suas dúvidas com ele. Querem saber que problemas seus filhos têm e principalmente como se comunicar com eles. Tang Chao é o novo astro do mais lido e lucrativo segmento da literatura na China: os livros para adolescentes e escritos por gente com menos de 25 anos de idade.
Seu segundo livro, "Devolva Meu Sonho", encabeça a lista dos best-sellers do país desde maio. Já vendeu 100 mil exemplares e centenas de milhares mais em cópias piratas.
O fenômeno começou há cinco anos, mas pelo menos 15 milhões de livros já foram vendidos no segmento teen. No sombrio "Devolva Meu Sonho", Tang narra amores proibidos pelos pais, depressão e até o suicídio de um personagem, que se joga de um prédio.
"Uma amiga de um amigo meu que tinha 15 anos se matou por ter notas baixas na escola, o personagem é inspirado nela", conta Tang à Folha.
"A China mudou tanto nas últimas décadas que se acredita que adultos não conseguiriam escrever livros para esse novo público leitor", diz Yan P. Zhang, ex-diretor da editora Random House na China. Enquanto a geração dos anos 60 e 70 sofria a violência e a miséria da Revolução Cultural comunista, os anos 80 eram tempos de trabalho pesado e de abraçar o capitalismo.
As crises existenciais "aborrescentes" são novidade na China - no país onde há 30 anos o governo impõe o filho único aos casais, a geração de meninos solitários não acha que tudo é sucesso econômico.
"A geração dos meus pais nunca namorou na escola, o foco era trabalhar e estudar em tempos mais difíceis. Eles não nos entendem", explica Tang.

O andrógino e o bad boy
Os autores teens comprovam que conseguem fazer seus contemporâneos ler - e muito.
O maior nome dessa turma, com avançados 23 anos de idade, é Guo Jingming. Andrógino até a última ponta do cabelo descolorido, alterna acessórios Dolce & Gabbana, colares, brincos e crucifixos. É o favorito das adolescentes chinesas.
Seus heróis melancólicos, que bebem sem parar no topo de prédios, cantam karaokês e se suicidam -tema recorrente dessa nova literatura- já venderam 5 milhões de cópias.
Guo é dono de várias revistas para o público adolescente, já produziu um CD com faixas próprias e pretende criar um concurso literário em 2009.
Apesar da fama e dos US$ 2 milhões que lucrou só em 2007, Guo foi eleito a celebridade masculina mais odiada da China num popular fórum.
O herói dos meninos é Han Han, 24, piloto profissional de corridas, que abandonou os estudos e é bad boy das letras chinesas. Seu blog é um dos mais populares do país. "Vários deles viram popstars, criam tendências. Alguns até mentem a idade, sempre cortando anos, para continuarem convencendo como adolescentes", diz o editor.
Os "peter pans" literários enfrentam novos concorrentes. Em abril, outro autor, Yang Daqing, lançou um romance histórico sobre a invasão da Coréia pelo Japão. Yang tem 13 anos.

O que Tang Chao diz:

Amor e estudos
O amor adolescente não é reconhecido na China. Nossos pais não namoraram na escola, acham errado, feio, e que devemos nos esforçar nos estudos. Aqui os boletins são afixados na entrada das escolas, então ter notas baixas é motivo de humilhação para os pais. A pressão é muito alta. Os mais velhos não querem ouvir nossa opinião.

Suicídio e depressão
O personagem que se suicida em "Devolva o Meu Sonho" é baseado em uma amiga de um amigo meu que se matou porque teve notas ruins. Há muita pressão, muita gente deprimida. Eu acho que essas provas, essas notas, são uma maneira bastante superficial de testar a habilidade de um estudante.

No interior é pior
Não há muita diferença entre os sonhos dos jovens urbanos e os dos jovens rurais na China. Todos querem ter uma boa educação, chegar a uma boa universidade, ter um grande amor e ter dinheiro. Mas a pressão no interior é maior pois esses sonhos são mais difíceis.

Papo adulto
A maior preocupação dos adolescentes é sobre a Olimpíada, se vai dar certo. Há três meses, nos preocupávamos com a crise no Tibete. Temos interesses maiores e conseguimos conversar com os adultos.

Curiosidade
Vários professores e colegas me perguntam se os personagens são inspirados neles. Já fui chamado à direção da escola algumas vezes por essas dúvidas literárias. Recebo torpedos no meu celular sem parar de amigos que querem saber o que vou escrever no terceiro livro.

Quase tabu
Não falo de sexo com meus pais. Já tirei algumas dúvidas com eles, mas falo desse assunto mais com os meus amigos na escola. Não tenho namorada.



Escrito por Raul Juste Lores às 01h56

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A pira olímpica moderna

O vídeo acima foi feito pelo meu amigo Jeremy Goldkorn, sul-africano que mora há 13 anos em Pequim, e que entrevistou o melhor arquiteto da nova geração chinesa, Ma Yansong. Dizem as línguas bem-informadas de Pequim que é esse jovem arquiteto que desenhou a pira olímpica que brilhará no Estádio Nacional no próximo dia 8, abertura da Olimpíada. A conferir. Meu papo com o Ma Yansong você lê aqui:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0605200820.htm

Escrito por Raul Juste Lores às 04h36

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Sem stress no aeroporto

Aeroporto de Cingapura, considerado o melhor do mundo, tem vários computadores com acesso gratuito a Internet, espalhados por seus terminais. Nem há fila para usar. Quem patrocinaria algo assim em Cumbica?

Um dos pontos mais concorridos nesse aeroporto é a academia de ginástica. Tem spa, sala de massagens, lugar para tomar banho e até um cochilódromo para quem quiser dormir até 3 horas enquanto espera a conexão. Vive cheio. Pena que o capitalismo não tenha chegado ao Brasil.

Não é necessário ter os bilhões de Cingapura para fazer um aeroporto decente. Até em Jacarta, capital da Indonésia, o aeroporto é uma beleza, os terminais parecem quiosques gigantes, dando um ar praiano ao aeroporto. Verde por todos os lados, luz natural, nem precisa de ar condicionado. Cumbica é um dos aeroportos mais feios do mundo, mas você não precisa ter um Norman Foster para fazer um desenho contemporâneo e sustentável.

Na volta a Pequim, aliás, vejo que dinheiro não compra tudo. O novo terminal custou US$ 3,6 bilhões, mas olha a fila para se conseguir um táxi em plena noite de domingo.

Cerca de 200 pessoas na fila... levei meia hora para pegar o táxi. A um mês da Olimpíada...

Escrito por Raul Juste Lores às 00h35

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O dissidente pop

Olha só o que o Ai Weiwei faz com os vasos da dinastia han...

Fúria chinesa

Mais famoso artista da China e um dos responsáveis pelo projeto do Estádio Nacional, Ai Weiwei diz que a Olimpíada é uma "decepção" e os intelectuais do país, "vergonhosos' 


O mais famoso artista chinês vivo, que deu a idéia de que o novo Estádio Nacional se parecesse a um ninho de passarinho, não participará da abertura da Olimpíada de Pequim. Nem foi convidado.
Rara voz crítica da ditadura comunista que não enfrenta prisão ou exílio, Ai Weiwei, 51, diz que os Jogos são uma decepção para quem esperava mais abertura na China. Para ele, os intelectuais do país são "vergonhosos" por se calarem.
E, sem nunca ter pisado no Brasil, diz que a China segue o "modelo brasileiro" -"ricos no topo, intocáveis, e o resto são pobres sem direito".
A história de Ai com o regime comunista é conflituosa. Seu pai, Ai Qing, foi o maior poeta moderno do país. Apesar de protegido do líder comunista Mao Tse-tung, ele caiu em desgraça durante a Revolução Cultural e foi enviado para um campo de trabalhos forçados, onde Ai cresceu, vendo seu pai lavar privadas, proibido de publicar por quase uma década.
Ai ficou famoso quando morou em Nova York, entre 1981 e 1993, mas voltou à China quando seu pai agonizava e nunca mais deixou Pequim. Na cidade, especula-se que Ai ainda não foi para a cadeia porque é muito popular no circuito de arte (sua prisão provocaria uma gritaria) e porque tem amigos influentes no governo.
Há dez anos, instalou-se em Caochangdi, bairro rural de Pequim, onde foi seguido por dezenas de artistas. Para ler a entrevista, leia aqui:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2107200808.htm

Escrito por Raul Juste Lores às 12h20

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Lost in translation é negócio em Pequim

Não é só no "Chinglish" usado na pirataria de produtos estrangeiros (acima) que se nota que os chineses têm tanta dificuldade em nos entender como nós temos em decifrar o mandarim. Os turistas que virão a Pequim ainda descobrirão uma cidade extremamente monoglota, em onde não basta saber o nome do hotel ou do restaurante para conseguir falar com um taxista. Não se chega muito longe com o alfabeto romano, que é usado na maior parte do mundo. Essa comunicação truncada já rende bons negócios por aqui.

Sem tradução, passeio de táxi pela cidade ainda é aventura

RAUL JUSTE LORES
DE PEQUIM

Pegar um táxi em Pequim ainda é uma aventura a 30 dias da Olimpíada. Não apenas porque os taxistas não falam inglês, mas porque até nomes de famosas redes internacionais de hotéis, como Sheraton ou Hilton, têm outros nomes em chinês. E nem adianta escrever o nome num papel -os taxistas só conseguem ler os tradicionais caracteres chineses.
As promessas de que os 66 mil taxistas teriam noções de inglês soam tão impossíveis de se realizar como deixar o céu da cidade menos poluído. Um negócio próspero é o de ajudar turistas e executivos estrangeiros perdidos na cidade monoglota.
Um dos serviços mais populares é o One2call. Uma equipe de 150 telefonistas que falam inglês ajuda nas emergências, de explicar ao taxista aonde o passageiro quer ir até recomendar um bom restaurante, o bar, o cabeleireiro ou o médico mais próximos de onde o usuário estiver telefonando.
Como no Skype, há venda de créditos do One2Call. Cada minuto de conversa com os operadores custa 5 yuans (R$ 1,4).
O serviço tem um banco de dados com 5.000 fornecedores que podem oferecer serviços bilingües a estrangeiros em 15 cidades da China.
"Não adianta sugerirmos uma farmácia onde ninguém conseguirá entender que remédio o visitante precisa, ou um restaurante sem cardápio em inglês ou garçons preparados", explica o holandês Jim Littell, criador do One2Call.
Outro serviço, o Guanxi, é acionado por torpedos. O cliente envia mensagem com o nome do lugar aonde quer ir, e recebe torpedo com o endereço em caracteres em seu celular, para ser mostrado ao taxista.
Chama-se Guanxi por conta da palavrinha mágica chinesa que quer dizer "rede de contatos, ou quem indica", fundamental para o mundo dos negócios e da política no país. O Guanxi tem registrados centenas de endereços de bares, restaurantes e hotéis na cidade.
Já a companhia australiana Smart Trans oferece um aparelho, parecido com um Blackberry, onde os clientes podem ser achados em qualquer lugar, com mapa, GPS, intérprete 24 horas e a facilidade de localizar os demais amigos - o serviço é oferecido para grandes empresas, que trazem VIPs a Pequim, e para grandes grupos que facilmente podem se perder entre as multidões olímpicas.
Esses negócios só devem crescer, mesmo depois dos Jogos, com o aumento de executivos e profissionais estrangeiros que se instalarem na China.
Apesar das estatísticas do governo, que diz que 300 milhões de chineses estudam inglês, é ainda muito difícil encontrar alguém que fale inglês ou entenda letras do alfabeto romano mesmo em restaurantes, bancos ou farmácias de Pequim. O governo diz treinar 3.000 taxistas que conseguirão entender endereços em inglês.
Em cinco meses na cidade, pegando ao menos quatro táxis por dia, o repórter da Folha nunca encontrou um taxista que falasse algo além de "bye-bye". Com salários de R$ 500 a R$ 800 em média, eles dizem não poder perder tempo sem corridas para estudar inglês.
Na semana passada, o governo divulgou que cobrará penalidades equivalentes a R$ 500 dos taxistas que forem desonestos com turistas, levando mais tempo para ir ao destino.

A reportagem você lê aqui: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk0907200833.htm

Escrito por Raul Juste Lores às 14h17

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O shopping do futuro em Pequim

por Raul Justes Lores, de Pequim

Na maratona para chamar a atenção a menos de um mês da Olimpíada, logo um shopping center em obras virou uma das construções mais fotografadas e discutidas de Pequim.

No dia 20, está prevista a abertura do Village Sanlitun, conjunto formado por 250 lojas, oito cinemas, hotel-design, galeria de arte, 30 restaurantes e bares e uma grande praça para shows. O empreendimento custou 5 bilhões de yuans (R$ 1,250 bilhão).

Sua inusitada arquitetura é o tema do debate. Não é um grande caixotão, como a maioria dos 87 shoppings da cidade, tão feios quanto os de São Paulo. São 19 prédios, bem diferentes entre si, de três e quatro andares, desenhados por japoneses, britânicos, americanos, italianos, de Cingapura e de Hong Kong.

Cada um não poupou criatividade para se destacar. No miniparque de diversões para arquitetos, um prédio é revestido de vidro espelhado ondulado, parecido com a fuselagem retorcida de um carro. As janelas de outro se projetam para fora da construção, em diagonal. Os italianos do escritório Lot-EK encaixaram containers na fachada.

O maior deles, desenhado pelo japonês Kengo Kuma, é todo coberto por retângulos em cores berrantes, como um quadro de Mondrian reinterpretado por Almodóvar.

Outro se aproveita da adoração chinesa pelo ouro e cria um inusitado revestimento dourado em toda a construção.

"É o oposto de um shopping center tradicional. Quisemos fazer algo aberto, com praça, bancos, ruas internas, prédios diferentes, como nas boas cidades", descreve o arquiteto-chefe do projeto, Chris Law, do escritório Oval, de Hong Kong. "A maior parte do complexo é iluminada com luz natural, sem precisar de ar-condicionado e calefação. É mais sustentável e socialmente mais inclusivo que qualquer outro shopping."

Law diz que, em uma cidade tão pouco amiga dos pedestres como a Pequim atual, ele quis fazer algo parecido com o bairro de antigamente. Imita uma antiga rua comercial, como os calçadões do centro de São Paulo, mas com prédios de arquitetura vanguardista.

Os edifícios são ligados por vielas e passarelas, como os antigos conjuntos habitacionais de Pequim, os hutongs, redes tradicionais de pátios e becos.

Proibindo arranha-céus
Sinal dos tempos é que a própria Prefeitura de Pequim, que permitiu a destruição de bairros históricos inteiros para dar lugar a medonhos condomínios fechados, limitou o tamanho das construções.

Proibidos de construir arranha-céus, os empreendedores tiveram a idéia dos prédios baixos, que se destacassem mais pelo desenho que pela altura.

Há duas estações de metrô nas imediações e bicicletário para quem preferir ir pedalando ao complexo de luxo.

O choque do imponente centro comercial também acontece por ele estar encravado em uma das poucas regiões boêmias de Pequim, o bairro de Sanlitun. Até poucos meses atrás, nos quarteirões ao redor, havia gigolôs oferecendo mocinhas para executivos, traficantes oferecendo droga na rua, botecos pés-sujos e lojas de DVDs piratas.

O comércio ilegal diminuiu recentemente pela repressão policial pré-olímpica, mas não se sabe se voltará depois dos Jogos para fazer companhia aos novos vizinhos. No Village, estarão a maior loja da Adidas no mundo, de 3.160 m2 e a primeira megastore da Apple na China, além de lojas de grifes como Uniqlo, Fendi, Roberto Cavalli, Sephora e Montblanc. Para alguns boêmios, o fim dos tempos.

(p.s.: será que algum empreendedor criativo no Brasil se inspira com a idéia e nos poupa de novos caixotões horrendos? sou um otimista...)

Escrito por Raul Juste Lores às 01h08

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Pop chines para exportacao 2

Escrito por Raul Juste Lores às 15h06

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Pop chines para exportacao

 

Sa Dingding, 25, faz sucesso na Ásia, onde vendeu 2 milhões de CDs; novo disco, "Alive", chega agora à Europa e aos EUA

Os violentos agudos da Ópera de Pequim sempre afugentaram os ouvidos mais frágeis do Ocidente. A música chinesa, do pop ao erudito, nunca fez muito sucesso fora da Ásia.
Uma pequenina e bela cantora chinesa pretende mudar esse desconhecimento. Com um mix de eletrônica e ritmos mongóis e tibetanos, Sa Dingding, 25, é a grande esperança pop da China, em uma das áreas onde o país está longe de ser potência.
Ela já ganhou um prêmio da BBC de world music, vendeu 2 milhões de discos na Ásia, e a gravadora Universal está lançando seu "Alive" na Europa e nos Estados Unidos.
Na semana que vem, ela começa uma série de apresentações no Reino Unido, na Irlanda e no festival Womad. No dia 30, apresenta-se no Royal Albert Hall, em Londres. DJs como Paul Oakenfold e Deep Forest foram convocados para fazer remixes das canções de Sa Dingding.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0907200820.htm




 

Escrito por Raul Juste Lores às 14h55

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Turistas, comportem-se!

Trecho da entrevista que fiz com a porta-voz do comitê organizador da Olimpíada de Pequim, Wang Hui:

FOLHA - O que pode acontecer a um turista que decida fazer uma manifestação, andar com um cartaz ou uma camiseta pró direitos humanos na China ou pela independência do Tibete? Mesmo que não seja num estádio, pode ser preso?
WANG
- A Olimpíada é uma festa que todo mundo celebra. As pessoas não deveriam vê-la como um palco para protestos políticos. Eu vi, por exemplo, que extremistas foram presos pela polícia na Eurocopa, que terminou agora. A China tem suas leis, e nós devemos recorrer a elas quando as coisas acontecem. Não sou advogada nem entendo de leis, então não sei o que pode resultar quando algum protesto ocorrer. Mas acho que todos devem pagar o preço quando se faz algo que infringe a lei de um país.

a íntegra está em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk0607200802.htm

Escrito por Raul Juste Lores às 14h42

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Imprensa estatal chinesa ama Bush

Manchete do jornal "China Daily", que pertence ao governo chinês: "Bush mostra verdadeira liderança". A reportagem traz vários elogios ao malfadado presidente americano _ só porque este promete, há tempos, comparecer à abertura da Olimpíada de Pequim. Pensando bem, há várias semelhanças entre os neoconservadores americanos e os manda-chuvas comunistas. A pose do "ou você está comigo, ou está contra mim" é uma delas. 

http://www.chinadaily.com.cn/china/2008-07/08/content_6827853.htm

Escrito por Raul Juste Lores às 14h36

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A fábrica de medalhas da China

Em apenas 20 anos, a China dobrou suas medalhas de ouro e se tornou a segunda maior potência olímpica. Em Atenas-2004, ganhou 32 ouros, quatro a menos que os EUA.
Competindo em casa desta vez, a China pretende chegar ao topo do ranking de medalhas.
Como um país que ficou de fora das Olimpíadas entre 1952 e 1984 já chegou tão longe?
Se depender da China, dificilmente alguém de fora irá saber a resposta. Até para os padrões da fechada ditadura comunista, a fábrica de medalhas olímpicas é supersecreta. Visitas a centros de treinamento são proibidas, e os diversos especialistas chineses ouvidos pela Folha desconversam, dizendo que a evolução é normal.
Mas relatos de vários esportistas indicam a excepcionalidade da preparação chinesa. Medalha de ouro na canoagem em Atenas, Yang Wenjun, 24, admitiu recentemente que há três anos não vê seus pais, enfurnado em um centro de treinamento onde não há televisão e fotos da família são proibidas.
Técnico da seleção chinesa de remo, o russo Igor Grinko revelou que preparadores físicos chutavam atletas "moles" na hora de treinar.

Hoje tem especial na Folha sobre a Olimpíada de Pequim. As reportagens que fiz sobre a preparação chinesa você lê aqui: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/especial/fj0607200803.htm

Escrito por Raul Juste Lores às 13h49

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Celebridades carentes

Uma deliciosa pane no portal Sina, o maior da China (nada a ver com o Speedy), acabou revelando as identidades de quem deixa comentários em blogs. De posts anônimos a pseudônimos, todos foram "desmascarados".

E não é que dois artistas famosos escreviam comentários elogiosos em seu próprio blog? O ator Zhou Jie (acima) escreveu para si mesmo: "você está ótimo nessa novela, lembro de quando você começou..", "o teu livro é muito bom, vale a pena ler", e por aí vai. Há 45 milhões de blogs na China e o momento carente dos famosos provocou muita gozação. O visual dos blogs, aliás, não dissimula a infantilidade dos autores...

http://blog.sina.com.cn/s/blog_473fd8a70100a279.html

Escrito por Raul Juste Lores às 16h01

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A Paulo Coelho chinesa

Cem mil libras esterlinas _ o maior negócio literário da história da China. Foi quanto uma editora britânica acaba de pagar para ter os direitos do livro "Reflexões da professora Yu Dan sobre Confúcio". A moça acima fez fama dando aulas na TV sobre o sábio chinês, embalando seus conceitos e os do taoísmo na mais escancarada auto-ajuda. Vendeu mais de 10 milhões de livros... Quatro editoras brasileiras me procuraram para saber da moça, pouco depois que a Folha publicou uma entrevista que fiz com ela em abril. Yu Dan certamente estará nas livrarias brasileiras em breve...

Mais sobre Yu Dan na entrevista que fiz com ela _ http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1204200821.htm

Escrito por Raul Juste Lores às 14h10

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Olimpíada terá torcida antimonotonia

Habituado a determinar o que o povo chinês pode assistir, ler, ouvir e aprender, o governo local inovou ao ensinar como a torcida local deve torcer durante a Olimpíada. O Escritório para o Desenvolvimento Civilizatório e Espiritual do Partido Comunista (sim, isso existe) criou um vídeo com instruções, que é apresentando sem parar na TV estatal, a CCTV. Há cartazes com o "passo a passo" para os torcedores seguirem.

O governo não teme a desordem de sua torcida. Pelo contrário. As autoridades olímpicas temem que fique patente o desconhecimento do chinês médio sobre a imensa maioria dos esportes olímpicos e sua postura, digamos, desanimada nos estádios. Estive em várias competições esportivas aqui em Pequim e o silêncio (tédio?) é ensurdecedor. Será que o vídeo resolve? Alguns amigos chineses gostaram da iniciativa, pois acham que disciplina é bem-vinda. Mas chineses mais jovens se queixaram para mim de que vai ficar parecendo parada militar.... Dá uma espiada:

http://video.sina.com.cn/news/c/v/2008-06-05/101617166.shtml

Espero que minha adaptação como blogueiro seja rápida para incluir mais vídeos aqui. Mais campanhas do escritório civilizador chinês, você pode ler em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk1406200833.htm e http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk0203200818.htm

 

 

 

Escrito por Raul Juste Lores às 02h21

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Desperdício bilionário em Pequim - 2

A poluição em Pequim, a um mês do início da Olimpíada, continua a produzir imagens de impacto.

Veja a obra do prédio mais comentado da cidade, a futura sede da TV estatal chinesa, a CCTV, em foto do americano James Fellows:

Sobre arquitetura e urbanismo em Pequim, a revista americana New Yorker publicou uma bela reportagem do seu crítico de arquitetura Paul Goldberger. Há tantos paralelos possíveis entre a falta de planejamento das cidades chinesas e o que aconteceu nas últimas três décadas nas metrópoles brasileiras, que vale ler e refletir:

http://www.newyorker.com/services/referral?messageKey=1821c0bc340c54afe8044af3478ee729

 

Escrito por Raul Juste Lores às 01h54

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PERFIL

Raul Juste Lores Raul Juste Lores, 33, correspondente da Folha em Pequim. Foi correspondente em Buenos Aires e editor de Internacional da Revista Veja e apresentador e editor-chefe do Jornal da Cultura, na TV Cultura.

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